Seis peixes gordos querem ir a Caracas

20/07/2019


- Eduardo Mackenzie -



As FARC tentam levantar uma cortina de fumaça a respeito de uma viagem que seus chefes pretendem realizar à Venezuela. Seis peixes gordos das FARC pediram à JEP que os ajude de novo a sair do país com o pretexto de que foram convidados a uma angelical reunião que terá lugar em Caracas, sob os auspícios do ditador Nicolás Maduro.


Como nem Iván Duque, nem seu ministro Holmes Trujillo estão de bons termos com o sátrapa de Caracas, e pedem todos os dias que Maduro seja capturado por seus crimes e julgado pela Corte Penal Internacional, ninguém entende como os pseudo “parlamentares” das FARC, reconhecidos pelo governo de Iván Duque, poderiam ir tranqüilamente a Caracas para ajudar Maduro a se mostrar como um banal chefe-de-Estado que desfruta de grande respaldo internacional. Há nisso tudo como que uma contradição invencível.


Por sorte há na Colômbia uma revista como Semana. Em seu último número essa gazeta aceita fazer o papel de relações públicas. Mediante uma conversação com Rodrigo Granda, a quem apresenta como o “porta-voz de relações internacionais do partido FARC”, a revista de Felipe López dissimula as verdadeiras intenções dessa viagem e apresenta o Foro de São Paulo sob os melhores auspícios. A técnica é conhecida: Granda recita qualquer coisa sobre esses temas e o entrevistador se limita a engolir.


Quem lê esse texto fica convencido: o Encontro do Foro de São Paulo (FSP), de 25 a 28 de julho próximo, será uma reunião de gente muito bem intencionada. Granda insiste em que será um congresso comum e corrente, “aberto ao público” e ao qual, obviamente, “a imprensa pode ir” [1]. Na realidade, esse encontro de Caracas será uma reunião a portas fechadas (com simulacros de sessões abertas à imprensa) onde se tomarão decisões, em comitês restritos, para intensificar o processo subversivo no continente e em dois ou três países europeus.


O Foro de São Paulo foi um dos organismos-chave da subversão castrista no continente após a derrubada da URSS. O FSP prestou ajuda inestimável a Hugo Chávez para montar sua ditadura. O Foro de São Paulo continua tendo um papel central na operação destinada a lavar a cara de Maduro e a sangrenta destruição da Venezuela. Todos os partidos comunistas do continente trabalham nisso e estão lá, no FSP, desde o começo, sob a batuta do PC cubano. Os bandos armados do continente, sobretudo os da Colômbia, também estão lá desde o começo. E seus porta-vozes não assistem a esses “congressos”, para olhar as caras e ouvir seus aborrecedores discursos: estão lá para receber instruções, coordenar políticas, organizar operações abertas e encobertas, transferir dinheiros, etc.


O Foro de São Paulo é cúmplice do que as FARC e o ELN fizeram desde 1990. Rodrigo Granda disse à Semana uma verdade: que as FARC participaram no Foro de São Paulo como “movimento guerrilheiro”. Isso que dizer que, desde a primeira reunião internacional desse aparato, as atrocidades cometidas pelas FARC e o ELN, suas matanças, seqüestros, assaltos, deslocamentos de populações, tráfico de droga, foram aprovados pelo Foro de São Paulo. Esse organismo nunca rechaçou nem criticou as ações criminosas dos bandos narco-terroristas, nem objetou os crimes que os outros esquadrões armados comunistas executavam no continente.


Esses são os antecedentes do organismo que anuncia uma nova reunião internacional, à qual querem ir os chefes do chamado “partido FARC”, com as bênçãos da JEP e anuência tácita e envergonhada do governo Duque e de alguns membros do santismo no Senado e na Câmara de Representantes da Colômbia. O país não sabe com certeza quem irá à reunião de Caracas, pois há pessoas que Granda mencionou só de modo genérico: “Vamos uma delegação combinada de representantes de povos étnicos, de comunicações, o parlamento colombiano e a Comissão de Seguimento, Impulso e Verificação da Implementação”. Quer dizer que fora Rodrigo Granda, Carlos Antonio Losada, Marcos Calarcá, Israel Zúñiga, Benkos Biohó e Manuel Bolívar, há outros, inclusive alguns jornalistas escolhidos a dedo.


Granda tenta mostrar o FSP como uma entidade trivial que segue os passos da Internacional Socialista, da Internacional Liberal ou da União Internacional Democrata. Afirma que o Foro de São Paulo “nasce como um movimento amplo onde participam forças revolucionárias, social-democratas e setores independentes do continente”. Mentira. O FSP nunca foi “amplo” nem houve nele “forças independentes”. Desde seu nascimento todos os seus integrantes foram escolhidos por Fidel e Raúl Castro pessoalmente. Ninguém que não estivesse alinhado a Cuba e que contasse com o respaldo pessoal de Luiz Inácio Lula da Silva, podia assistir a essas reuniões. A elas iam delegados não só dos PC legais. Iam outros que não podiam aparecer na foto, como os chefes de organizações armadas, como as FARC e o ELN da Colômbia, e das quatro guerrilhas guatemaltecas, unidas em 1982 em um só organismo, a União Revolucionária Nacional Guatemalteca (URNG), a qual depôs as armas em 1996. Alguns dos capos da URNG estiveram vinculados aos seqüestros e assassinatos do embaixador norte-americano John Gordon Mein e do embaixador alemão Karl von Spreti.


“Imaginem como seria se nos vissem lá com alguém mais que não seja da linha de nosso partido”, lança Granda de maneira hipócrita. Nega que Iván Márquez e Santrich estejam na Venezuela e que possam sequer colocar seus narizes na reunião de Caracas. Permitam-nos duvidar a respeito. Se esses dois prófugos estão na Venezuela, a capela do Foro de São Paulo os chamará para dar informes, junto com seus comparsas do ELN e das pretendidas “dissidências das FARC”. O Foro de São Paulo está feito para isso. Para que esse distinto pessoal participe e decida, discretamente, ou como disse Granda, “tendo cuidado”.


Granda está certo de que a JEP lhes concederá a permissão para ir à reunião conspirativa. A JEP, ao fim e ao cabo, “é um órgão autônomo e independente”, segundo Granda. Quer dizer, é uma roda solta que não presta contas a ninguém, que escapa da justiça e de todo organismo de controle. Por que então privá-los desse passeio? Além disso, eles revelarão tudo o que fizeram lá, promete Granda. O homem diz: “temos uma versão coletiva” e isso é o que dirão em agosto. Porém, isso de “versão coletiva” soa a conto chinês, preparado de antemão. Entre “versão coletiva” e verdade cristalina há uma diferença. Rodrigo Granda, definitivamente, é um bom propagandista.


Nota da tradutora:

[1] A entrevista completa pode-se ouvir aqui (https://youtu.be/u19yuJdExBE?t=4359), que foi apresentada com exclusividade por Graça Salgueiro no programa Observatório Latino da Rádio Vox.

Tradução: Graça Salgueiro


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