Diplomacia do Lobo-Guerreiro

NEWS.COM.AU - 10 Ago, 2020 - Tradução César Tonheiro



Os "lobos-guerreiros" representam um tipo completamente diferente de famosos diplomatas chineses das últimas décadas. Em vez de declarações longas e prolixas, essas autoridades chinesas estão acessando o Twitter e outras plataformas de mídia social para responder diretamente a qualquer crítica à China ou ao Partido Comunista no poder.


Mas a essa tática do PCC foi desastrosa, confira:


Líder chinês Xi Jinping criticado por suas táticas de 'Diplomacia do Lobo-Guerreiro'

Importantes Generais atacaram Xi Jinping por desperdiçar a grande chance da China. Eles dizem que suas táticas arruinaram suas chances de dominação mundial.


10 de agosto de 2020 por Jamie Seidel


Um homem. Um partido. Um país de 1,4 bilhão de pessoas. Não é de admirar que o líder vitalício Xi Jinping esteja preocupado em manter a sua autoridade absoluta.


Para fazer isso, ele pintou um quadro nacionalista do futuro da China. É tão bom quanto — senão maior — do que em qualquer ponto de sua história em 2.000 anos.


Agora, ele tem que entregar. Isso não está sendo tão fácil.


Inundações. Pragas. Fome. COVID-19. Todos estão afetando o abastecimento e os preços dos alimentos.


Xi rapidamente recuou na experimentada e testada posição de cautela que é peculiar na maioria dos líderes autoritários em batalha: exaltar a grandeza de sua nação, sua história gloriosa, seu destino manifesto — e culpar todos os outros por seus infortúnios.


Mas o mundo não está se encolhendo diante da 'diplomacia lobo-guerreiro' como esperado.

Países estão revidando.


Austrália. Grã-Bretanha. Canadá. Índia. Japão. Vietnã. Todos permaneceram firmes diante das ameaças e intimidações chinesas extraordinárias. E, para o presidente Xi, isso é humilhante.


Agora os rumores estão começando dentro de seus átrios de poder. Xi desperdiçou a grande chance da China de ocupar seu lugar de direito no cenário mundial?


Em vez de recuar diante da ameaça de sanções econômicas, Canberra endureceu sua insistência no domínio do direito internacional nos mares do leste e do sul da China.


A Malásia, que está enfrentando incursões frequentes em sua zona econômica (ZEE) e interferência em suas operações comerciais no Mar do Sul da China, emitiu uma nota formal de reclamação sobre as ações da China no final do ano passado. Vietnã, Brunei, Indonésia e Filipinas seguiram o exemplo.


Até a Somália se posicionou. O embaixador chinês Qin Jian supostamente tentou uma abordagem de 'logo-guerreiro' em conversas recentes com o presidente Muse Bihi. Ele recebeu “ordens de marcha” (que se retirasse) e o governo da Somália iniciou contato diplomático com Taiwan. (aqui).


Crítica de alto perfil


Richard McGregor, do Lowy Institute, aponta que há sinais ocultos de dissidência entre a elite de Pequim.


A recente prisão de alto nível do professor de direito constitucional Xu Zhangrun em Pequim pode ser um aviso velado para todos eles. O crime do jurista foi defender a igualdade perante a lei para todos os cidadãos chineses.


Foram necessários uma dúzia de policiais para prender o intelectual de 57 anos em seu apartamento em Pequim no mês passado. Mas ele estava pronto. Ele disse que há tempos mantinha um conjunto de roupas sobressalentes perto da porta para levar quando fosse detido.


Agora ele é um sujeito do sistema legal controlado pelo Partido Comunista que ousou criticar.

A coerção pode funcionar bem para silenciar a dissidência interna. Internacionalmente? Não muito.