China Boicota Empresas Ocidentais Por Causa dos Uigures

- GATESTONE ISNTITUTE - 25 MAIO, 2021 - Soeren Kern - Tradução: Joseph Skilnik -


O governo chinês está boicotando redes de lojas do ramo do vestuário do Ocidente por estas manifestarem preocupação quanto ao trabalho forçado em Xinjiang. O pivô da contenda gira em torno de denúncias segundo as quais o governo chinês está forçando mais de 500 mil uigures e outras minorias étnicas e religiosas muçulmanas a colherem algodão em Xinjiang, que produz 85% do algodão da China representando um quinto na cadeia mundial de suprimentos da commodity. Cerca de 70% da colheita nos campos de algodão da região é feita manualmente. Foto: mulheres colhendo algodão manualmente em Hami, Xinjiang, em 20 de setembro de 2015. (Foto: STR/AFP via Getty Images)
  • As empresas estão sendo pressionadas a deletarem de seus sites qualquer referência sobre políticas corporativas no tocante aos direitos humanos, a voltarem atrás nas decisões de pararem de comprar algodão produzido em Xinjiang e removerem mapas que retratem Taiwan como país independente.

  • Em outubro de 2020, a Better Cotton Initiative (BCI), influente grupo sem fins lucrativos que promove a produção sustentável do algodão, suspendeu o licenciamento do algodão de Xinjiang, citando denúncias e a "escalada quanto ao risco" de trabalho forçado. Desde então a asserção foi retirada do site da BCI e, desconcertantemente, também não está mais acessível no Arquivo da Internet.

  • Em março de 2020, no informe "Uigures à Venda" o Australian Strategic Policy Institute revelou que os uigures estavam trabalhando em fábricas, em condição de trabalho forçado, que fazem parte das cadeias de suprimento de mais de 80 marcas globais de grifes famosas no segmento de vestuário, automotivo e tecnologia.

  • "O governo da China, cada vez mais interessado em punir os críticos de suas políticas em Xinjiang, está forçando as empresas estrangeiras a se posicionarem, justo o que elas procuram evitar: apoiar a China ou cair fora do mercado chinês... O Partido Comunista se vê cada vez mais em condições de exercer pressão econômica em cima dos outros, usando o 'poderoso campo gravitacional' da segunda maior economia do mundo... O dilema entre o lucrativo mercado chinês e os valores que as empresas professam no restante do mundo está se tornando inevitável... " — The Economist, 27 de março de 2021.

  • "As empresas alemãs respondem por metade das exportações da UE para a China. A indústria de exportação alemã tem pouco interesse em macular este balanço patrimonial por conta de zelo moral.... A dependência econômica da China, no entanto, coíbe ainda mais o já baixo impacto dos argumentos relacionados à moral. Enquanto a Europa, e neste caso a Alemanha em particular, não estiver preparada para reduzir esta dependência, as denúncias sobre violações dos direitos humanos na China irão, na melhor das hipóteses, continuar provocando perfunctórias reações defensivas de Pequim." — Die Welt, 24 de março de 2021.

O governo chinês está boicotando varejistas do ramo do vestuário do Ocidente por estes manifestarem preocupação quanto ao trabalho forçado em Xinjiang, a maior região da China.

As empresas estão sendo pressionadas a deletarem de seus sites qualquer referência sobre políticas corporativas no tocante aos direitos humanos, voltarem atrás nas decisões de pararem de comprar algodão produzido em Xinjiang e removerem mapas que retratem Taiwan como país independente.


A escalada na contenda veio após a União Europeia e o Reino Unido terem, em 22 de março, engrossado fileiras com os Estados Unidos e Canadá no sentido de impor sanções contra autoridades chinesas por abusos aos direitos humanos em Xinjiang, remota região autônoma no noroeste da China.


Especialistas em direitos humanos afirmam que pelo menos um milhão de muçulmanos se encontram detidos em campos de internamento, que podem chegar a 380, onde são submetidos à tortura, estupros em massa, trabalho forçado e esterilizações.


Empresas ocidentais que fazem negócios na China enfrentam gradativa e incessantemente um dilema intragável: como defender os valores ocidentais e se distanciar dos abusos dos direitos humanos sem provocar retaliação do governo chinês e perder o acesso a um dos maiores mercados e com maior expansão do planeta.


O pivô da contenda atual gira em torno de denúncias segundo as quais o governo chinês está forçando mais de 500 mil uigures e outras minorias étnicas e religiosas muçulmanas a colherem algodão em Xinjiang, que produz 85% do algodão da China representando um quinto na cadeia mundial de suprimentos da commodity. Cerca de 70% da colheita nos campos de algodão da região é feita manualmente. As denúncias de trabalho forçado afetam todas as cadeias de suprimento do Ocidente relacionadas à matéria-prima do algodão de Xinjiang. Tanto a União Europeia quanto os Estados Unidos importam mais de 30% de seus suprimentos de vestuário e têxteis da China.


Em outubro de 2020, a Better Cotton Initiative (BCI), influente grupo sem fins lucrativos que promove a produção sustentável do algodão, suspendeu o licenciamento do algodão de Xinjiang, citando denúncias e "escalada quanto ao risco" de trabalho forçado. Desde então a asserção foi retirada do site da BCI e, desconcertantemente, também não está mais acessível no Arquivo da Internet.


Depois que a BCI parou de licenciar a produção de algodão de Xinjiang, seus afiliados, que contam com mais de 1.800 integrantes, abrangendo toda a cadeia de suprimentos globais do algodão, entre os quais se encontram Adidas da Alemanha, Burberry do Reino Unido, varejistas suecos H&M e IKEA e Nike dos EUA, informaram que deixarão de usar o algodão proveniente de Xinjiang, em conformidade com as orientações do grupo.


Na época, a H&M, o segundo maior varejista de moda do mundo, postou a seguinte declaração em seu site:

"O Grupo H&M está muito preocupado com as denúncias de organizações da sociedade civil e da mídia compreendendo acusações de trabalho forçado e discriminação de minorias étnico-religiosas na Região Autônoma Uigur de Xinjiang (XUAR). Proibimos explicitamente qualquer tipo de trabalho forçado em nossa cadeia de suprimentos, independentemente do país ou região..." "Nós não trabalhamos com nenhuma indústria de confecções localizada em XUAR e não fornecemos produtos daquela região. Divulgamos de forma transparente nomes e locais das plantas, indústrias e fiações que constam da nossa lista que é de conhecimento público dos fornecedores, continuaremos agindo desta maneira e aceleraremos ainda mais essa transparência para nossa cadeia global de suprimentos." "Além disso, conduzimos uma investigação em todas as indústrias de confecções com as quais trabalhamos na China, com o objetivo de assegurar que os funcionários estejam empregados de acordo com nosso Compromisso de Sustentabilidade e que cumpram nossas normas concebidas para os trabalhadores migrantes."

A declaração, em grande medida despercebida na época, foi tirada do fundo do baú após o anúncio de sanções da UE. A Liga da Juventude Comunista, movimento juvenil do Partido Comunista Chinês, emitiu o seguinte comunicado em uma postagem no Weibo, o Twitter chinês : "disseminar boatos com o objetivo de boicotar o algodão de Xinjiang e ao mesmo tempo fazer dinheiro na China? Até parece!


A ira em torno do banimento do algodão de Xinjiang por parte da H&M rapidamente se transformou num frenesi nas redes sociais chinesas onde muitos conclamaram um boicote nacional à empresa. Aplicativos de mapas e de transporte compartilhado bloquearam a H&M. As principais plataformas de comércio eletrônico chinesas descartaram a marca em suas plataformas. Proprietários de imóveis furiosos rescindiram contratos de aluguel e forçaram a H&M a fechar algumas de suas 500 lojas na China, o quarto maior mercado da empresa, atrás da Alemanha, Estados Unidos e Grã-Bretanha.