Xi Jinping, o grande malabarista

- THE EPOCH TIMES - Dec 15, 2020 -

Wang He - Tradução César Tonheiro -


A China é mesmo uma potência econômica tão badalada na mídia mainstream?

Confira e em seguida leia o artigo abaixo

PIB nominal da China: $ 14,14 trilhões

M2 da China em 2020: $ 30,61 trilhões

Shadow Banks em 2018: $ 20,00 trilhões

M2+SB/PIB = 357,92%

Pelos números acima para cada US $ 1,00 produzido está a exigir US$ 3,57

Moral da estória: há três décadas a China sobrevive na base de malabarismos




A economia informal e a economia oficial da China estão seriamente desequilibradas

14 de dezembro de 2020 por Wang He

Comentário

A economia da China foi além de um equilíbrio razoável entre uma economia oficial e uma economia informal. Como presidente da Sinopec, a maior refinaria asiática, Fu Chengyu disse certa vez que as finanças da China não estariam indo para uma economia informal, mas se tornando uma. Consequentemente, tem prejudicado enormemente o desenvolvimento sustentável de longo prazo da economia chinesa.


Venda de dois imóveis para garantir uma empresa de fachada


Para discutir como a economia da China passou de oficial para informal, vejamos primeiro um exemplo. Em 2016, a empresa ST Ningtong B, listada em Pequim, que fabrica equipamentos de comunicação, sofreu perdas por dois anos consecutivos e enfrentou o risco de fechamento de capital. A empresa reverteu suas perdas com a venda de duas propriedades que possuía no distrito escolar de Pequim com lucros enormes. De repente, comentários como "vá para o mercado imobiliário, esqueça de abrir um negócio, esqueça de entrar em lista [bolsa], esqueça o segmento" viralizaram no mercado.


Esse não é um caso isolado. Vejamos outros dados. De acordo com o relatório de desempenho semestral das empresas listadas em 2018, até 596 empresas, representando 16% do total, tiveram um lucro líquido de menos de 10 milhões de yuans (US $ 1,5 milhão). Dez milhões de yuans não conseguiriam nem mesmo comprar um apartamento decente em Pequim, Xangai ou Shenzhen.


Os micros impactos da financeirização corporativa


A financeirização das empresas chinesas será inevitável. As empresas chinesas migraram para o setor imobiliário (os imóveis têm fortes atributos de investimento), compraram ativos financeiros ou detiveram ações em empresas financeiras e até se transformaram em grupos financeiros de participações.


Entre eles, a financeirização de ativos corporativos é particularmente significativa [saiba aqui o que significa financeirização]. De acordo com um relatório de 2012 do Economic Information Daily sob o porta-voz da Xinhua News Agency de Pequim, das 117 empresas estatais administradas pela Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais (SASAC - uma comissão do Conselho de Estado), mais de 90 delas estavam envolvidos no setor financeiro em vários graus, representando 76%. O relatório também revelou que as empresas centrais não financeiras controlavam na verdade 24 sociedades fiduciárias, 20 companhias de valores mobiliários, 14 companhias de seguros de propriedades, e 23 companhias de seguros de vida, respectivamente respondendo por 46%, 41%, 37% e 53 % das instituições financeiras pesquisadas.


Três motivações da financeirização corporativa


Primeiro, a teoria da substituição [de reserva]: devido ao declínio da taxa de retorno do investimento na economia real, ao aumento da taxa de retorno do investimento financeiro e à crescente preferência das empresas por benefícios de curto prazo, as empresas têm uma nova preferência por investimentos em ativos financeiros sobre os investimentos na economia real.


Uma pesquisa de 2013 revelou a baixa lucratividade da economia real da China: o lucro médio do setor financeiro foi de 22%, enquanto o lucro industrial médio foi de apenas 6%, e o lucro médio da indústria têxtil foi de apenas 5%.


Ao analisar os dados das empresas não financeiras listadas da China de 2002 a 2014, os pesquisadores chineses descobriram que "as empresas aumentaram seus investimentos em ativos financeiros não monetários quando a economia estava subindo ... o que apoia a teoria de substituição de reserva".


Segundo, o objetivo das empresas detentoras de ativos financeiros é reservar liquidez para evitar o risco de ruptura da cadeia de suprimentos causada por choques no fluxo de caixa. Além disso, quando as empresas acreditam que enfrentarão incertezas macroeconômicas ou oportunidades de investimento em potencial no futuro, elas também preferirão a “mobilidade com dinheiro”, especialmente aquelas empresas que têm suas próprias restrições de financiamento.

Os motivos da financeirização corporativa explicados pela teoria das reservas não são totalmente consistentes com a situação econômica da China. Por um lado, o investimento financeiro corporativo chinês e o investimento na economia oficial estão negativamente correlacionados (e de acordo com essa teoria, o investimento na economia oficial e o investimento em ativos financeiros deveriam apresentar uma correlação positiva).


Por outro lado, se o caixa mantido pelas empresas for contabilizado como financeirização corporativa, então a financeirização corporativa da China pode ser parcialmente explicada pela teoria das reservas. Portanto, a teoria das reservas é apenas uma razão secundária para a financeirização das empresas chinesas.


Terceiro, a discriminação do financiamento bancário e a teoria da intermediação substituta ou contrair empréstimo para “agiotagem”. Algumas empresas têm mais facilidade para obter empréstimos de bancos, mas sua eficiência de produção é baixa, então elas emprestam os recursos às outras empresas para obterem lucros. Na China, essa situação é muito comum. Em comparação com as empresas estatais e grandes empresas, é mais difícil para as pequenas e médias empresas e as empresas privadas obterem financiamento dos bancos. Portanto, o primeiro usa o sistema de crédito paralelo para fornecer fundos ao segundo.


De um modo geral, a financeirização corporativa é uma faca de dois gumes. Existe um lado positivo. Na China, porém, o lado negativo é mais proeminente, como a repressão ao investimento na economia oficial (ou efeito de exclusão na economia oficial) e o aumento dos custos de financiamento e da dívida.


De acordo com um inquérito a 15 províncias da China publicado em 2013, 41% das empresas listadas foram financiadas através de um sistema de crédito paralelo e o custo médio do financiamento atingiu 18%. Isso leva ao acúmulo de riscos financeiros no sistema bancário paralelo (o sistema bancário paralelo [shadow banks] é um negócio financeiro que está fora do alcance visível dos bancos e seus riscos acabarão sendo arcados pelos bancos [em 2018 foi estimado em US $ 20 trilhões]. Por último, esta tendência promove bolhas de preços imobiliários, o que intensifica ainda mais o efeito crowding-out do investimento imobiliário sobre o investimento na economia real.


A situação supra ilustra dois pontos. Em primeiro lugar, a mudança da economia oficial para a economia informal é profunda e está crescendo no nível micro da corporação chinesa, como um reflexo das deficiências do regime comunista. Em segundo lugar, no que diz respeito à China, os aspectos negativos no nível micro da financeirização corporativa são enormes e de longo alcance.


O macro impacto da financeirização corporativa


Vamos discutir a “passagem da economia oficial para a informal” de um nível macro. Em 2017, um think tank do continente divulgou o “Relatório Mongoose IV: Um Estudo sobre a Razão Áurea da Economia Real e da Economia Informal da China”, que definiu a economia informal do setor financeiro e do setor imobiliário como o principal agregado econômico. Desde 2009, a relação entre a economia informal e a economia oficial da China não está mais em uma relação razoável. O rácio da economia informal para a economia oficial atingiu 23,2, ultrapassando em muito o rácio áureo de 16,7. A economia informal se separou da economia oficial e se expandiu excessivamente.


A proeminente economia informal na China sugere três grandes desequilíbrios: um é o desequilíbrio estrutural entre a oferta e a demanda na economia oficial (por um lado, excesso de capacidade, e por outro, a falta de capacidade de atualização); a segunda é o desequilíbrio entre os mercados financeiros e a economia oficial (uma grande quantidade de fundos de auto-circulação no sistema financeiro); a terceira é o desequilíbrio entre o setor imobiliário e a economia oficial.


De acordo com pesquisas acadêmicas, as causas mais proeminentes da economia fictícia são as seguintes.


Primeiro, a moeda está em excesso. A escala da oferta monetária da China M2 há muito tempo é a maior do mundo; atualmente, o M2 da China é o dobro do PIB (enquanto o M2 dos países europeus e americanos normalmente representa apenas cerca de 70% do PIB). “Tigres monetários ficam cada vez maiores”. Certa vez, um economista chinês disse sem rodeios: “Nos últimos 30 anos, nossa economia foi rapidamente impulsionada por um excesso de oferta de moeda”.


Dê uma olhada nos dados a seguir. Em 1978, o PIB da China era de 364,52 bilhões de yuans (US $ 55,80 bi) e o M2 de 85,945 bilhões de yuans (US $ 13,16 bi); no final de 2009, o PIB alcançou 33,54 trilhões de yuans (US $ 5,13 tri), 92 vezes o de 1978, mas o M2 aumentou 705 vezes, chegando a 60,62 trilhões de yuans (US $ 9,28 tri). Em março de 2013, o M2 da China ultrapassou 100 trilhões de yuans (US $ 15,31 tri), respondendo por cerca de um quarto da oferta monetária global total, 1,5 vezes a dos Estados Unidos, 4,9 vezes a do Reino Unido e 1,7 vezes a do Japão e 20 trilhões de yuan (US $ 3,06 tri) a mais do que a oferta monetária de toda a zona do euro. Em janeiro de 2020, ultrapassou $ 200 trilhões de yuans (US $ trilhões).


Em segundo lugar, a capacidade do sistema financeiro de atender à economia oficial é baixa. O relatório divulgado pela Universidade de Pequim em 2019 (“Como a inovação financeira promove o desenvolvimento de alta qualidade — uma nova perspectiva da economia estrutural”) acredita que a estrutura financeira atual da China não corresponde à estrutura industrial ideal da economia oficial. Existem sete contradições estruturais de três níveis: o primeiro nível é a contradição estrutural entre financiamento direto e financiamento indireto; o segundo nível é a contradição estrutural interna individual de financiamento indireto e financiamento direto; o terceiro nível é a contradição estrutural entre a modernização de micro e pequenas empresas e bancos de pequeno e médio porte, a contradição estrutural entre a modernização industrial e produtos financeiros.


Terceiro, [preços] dos imóveis extremamente deformados. Até que ponto está deformado? Em 2018, o valor total de mercado dos bens imóveis da China atingiu 450 trilhões de yuans (US $ 68,88 tri). Com base em dados do National Bureau of Statistics em 2018, a área de vendas de residências comerciais foi de 1,7654 bilhões de metros quadrados, as vendas de residências comerciais foram de 14,9973 trilhões de yuans (US $ 2,3 tri) e a área habitacional per capita dos residentes urbanos foi de 39 metros quadrados. Este valor de mercado cobre o valor total de mercado dos imóveis na Europa, Estados Unidos e Japão, e também excede 50% do PIB da China nos 20 anos anteriores (de 1999 a 2018, o PIB total da China foi de 833 trilhões de yuans) (US $ 127,51 tri). Desde a reforma habitacional em 1998, o setor imobiliário da China se expandiu rapidamente. O PCC considera o setor imobiliário um pilar para o desenvolvimento, mas considera o mercado imobiliário uma “reserva”, que acumulou uma grande quantidade de moeda emitida excessivamente. Como resultado, o setor imobiliário sequestrou o consumo das famílias, dos bancos e das finanças locais.


O governo de Xi Jinping enfatizou repetidamente que "a economia oficial é a base da economia de um país e a fonte de riqueza", "o desenvolvimento econômico não pode ser separado do real para o informal em nenhum momento" e promoveu uma economia saudável com economia oficial como o núcleo e um desenvolvimento coordenado da economia oficial e informal. Verdadeiramente temo que isso só possa ser um delírio [de Xi Jinping].

Além do fato de que a economia da China (se desmembrada) é prejudicada pela economia oficial, o governo de Xi Jinping carece de coragem e habilidades suficientes [para pôr as finanças em ordem]. Aqui estão três pontos.


Primeiro, a falta de determinação estratégica. Nos últimos oito anos, desde que Xi Jinping assumiu o cargo, ele tem sido extremamente inadequado para compreender as dificuldades e as desvantagens da economia chinesa. Ele foi enganado pela chamada nova norma. As políticas de controle macroeconômica têm sido frequentemente trocadas entre os três objetivos de "estabilizar o crescimento, ajustar a estrutura e prevenir riscos" e, portanto, o ajuste contínuo da rigidez, intensidade e combinação de políticas e, consequentemente, a incerteza nas políticas econômicas da China.


Em segundo lugar, a “dependência do modelo” é séria. Por exemplo, o regime continua a envolver-se na emissão excessiva de moeda. Em março de 2013, o M2 da China ultrapassou 100 trilhões de yuans (US $ 15,31 tri); em apenas 7 anos, em janeiro deste ano, o M2 ultrapassou a marca de 200 trilhões (US$ 30,61 tri); a partir de março, a taxa de crescimento do M2 foi de 10% por oito meses consecutivos.


Terceiro, os obstáculos dos grupos de interesses adquiridos. Por exemplo, os imóveis são um pedaço de carne gorda para empresas centrais, e elas estão extremamente relutantes em abrir mão deles. Já no final de março de 2010, a SASAC emitiu uma ordem para impedir que as empresas estatais (SOEs) investissem no setor imobiliário. Dezesseis SOEs no setor imobiliário como seu negócio principal foram retidas (cinco SOEs foram aprovadas para reter seus negócios imobiliários em 2011) e 78 SOEs para se retirarem do mercado imobiliário. No entanto, este pedido não foi bem-sucedido, embora Xi Jinping tenha enfatizado em 2016 que "habitação não deve ser especulada". Sob pressão política, a State Grid Corporation of China e a China National Aviation Corporation, duas empresas centrais não imobiliárias, finalmente anunciaram sua retirada do negócio imobiliário na terceira rodada do relatório do governo central sobre a inspeção e melhorias em abril.


Se a economia chinesa continuar assim, um grande crash será o único fim.



Wang He tem mestrado em direito e história e estudou o movimento comunista internacional. Ele foi professor universitário e executivo de uma grande empresa privada na China. Wang agora mora nos EUA e publica comentários sobre os assuntos atuais e a política da China desde 2017.

As opiniões expressas neste artigo são opiniões do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.

https://www.theepochtimes.com/chinas-fictitious-economy-and-real-economy-is-seriously-out-of-balance_3618265.html

98 views0 comments