Saiba o que vai impactar as finanças do seu negócio até o final do ano

- DIÁRIO DO COMÉRCIO - Mariana Missiaggia - 17 JUN, 2022 -


Chegando ao fim do primeiro semestre, a expectativa para os próximos seis meses é de que a atividade econômica siga perdendo força. Além do fim dos estímulos à renda, os juros mais altos devem refletir negativamente no crescimento do país


Volta e meia o aumento da inflação gera incertezas, paralisa investimentos e impacta decisões. Em um desestímulo ao crescimento econômico, os preços de alimentos, combustíveis e outros itens essenciais colocam em risco a receita mensal de pessoas físicas e jurídicas.



O índice oficial de inflação acumula 12,13% em 12 meses terminados em maio, o que corroí não só a capacidade de consumo, mas também as aplicações financeiras que renderam menos que esse percentual.


Uma vez que os rendimentos não acompanham a inflação, o recurso pode não ser suficiente para tornar o orçamento mais eficiente. Em alguns casos, o lojista restringe seu olhar apenas para o que está acontecendo dentro da empresa e não se atenta a acompanhar os movimentos da economia e entender o que isso significa.


Chegando ao fim do primeiro semestre do ano, a expectativa para os próximos seis meses é de que a atividade econômica siga perdendo força. Além do fim dos estímulos à renda, os juros mais altos devem impactar negativamente o crescimento do país, segundo Ulisses Ruiz de Gamboa, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).


Ainda de acordo com Gamboa, a Selic elevada piora as condições do crédito e diminui a disponibilidade de financiamento no mercado. Isso, somado ao desemprego elevado e à queda no poder aquisitivo das famílias, complicam a situação financeira das empresas.


Embora a movimentação desses índices nem sempre seja previsível, acompanhar suas evoluções pode dar pistas sobre o que fazer ou não no seu negócio no próximo semestre.


1 - O QUE A SELIC TEM A VER COM O SEU NEGÓCIO?


O órgão responsável por mexer na Selic é o Banco Central e essa é considerada a taxa básica de juros da economia, que influencia várias outras. Portanto, quando ela sobe ou desce, impacta os juros de outros itens, como empréstimos, cartão de crédito, financiamentos e afins.



A cada 45 dias, o Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, se reúne e decide se a taxa vai subir, cair ou ficar igual. O motivo principal para se mexer na taxa Selic é controlar a inflação, já que ela mexe com os juros do mercado todo.


Dessa forma, essa alteração tem o poder de fazer o consumo aumentar ou diminuir. Na última reunião do Copom, em 15/06, a Selic foi elevada em 0,5 ponto, chegando a 13,25% ao ano.


Para o seu bolso, isso significa que vai ficar mais caro ter acesso ao crédito - empréstimos, parcelamentos e os juros em geral sobem quando a Selic aumenta.

Para quem tem alguma quantia investida em aplicações de baixo risco, o investimento pode render mais – isso porque elevar a Selic também aumenta os juros desses investimentos, puxando os rendimentos para cima.


Gamboa explica que as mudanças na taxa de juros acontecem porque a economia não é estável e é preciso adequá-la ao cenário para que exista um equilíbrio, garantindo que o dinheiro continue circulando.


Ao aumentar a Selic, o Banco Central tem como objetivo restringir o consumo e, assim, desacelerar a economia, impedindo que a inflação dispare. Por outro lado, ao baixar a Selic, tem como objetivo estimular o consumo e aquecer a economia, diz o economista.


O mercado financeiro projetava que a Selic terminaria o ano de 2022 em 13,25%, seu atual patamar. Mas o Copom já deixou no ar a possibilidade de novos aumentos da taxa.


2 – INFLAÇÃO EM ALTA


Alinhada com a Selic, a inflação é a variação de preços dos produtos e serviços. É natural que ela exista, mas para que não prejudique em excesso o poder de compra das pessoas, há uma meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).


Medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação acumula 4,78% no ano até maio. A previsão do mercado é que o índice termine o ano perto dos 9%, bem acima da meta estabelecida para 2022, de 3,5%, com margem de 1,5 ponto (podendo variar de 2% a 5% em seus limites).


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