Rodrigo Maia, o Filhote do Mal

02/03/2020


- IPOJUCA PONTES -



Salvo exceção, a história da política brasileira tem sido não apenas a história de políticos inescrupulosos, corruptos e desleais – uns contra os outros mas, sobretudo, contra a própria nação e o seu povo indefeso. Com efeito, desde os tempos do Império predomina entre nós um jogo sujo e sem regras travado pela fauna política no eterno ruge-ruge visando a ascensão e permanência no poder, agravado pelo apetite insaciável do enriquecimento fácil amparado na demagogia como norma de conduta.


De fato, a maioria dos políticos nativos, sob o manto de forjada dignidade, é capaz de “pisar o pescoço da própria mãe” para arrebatar as rédeas da governança. Neste aspecto, convém ressaltar que as lições amorais do fracassado Maquiavel não passam de brincadeirinhas de jardim de infância.


Vejam, por exemplo, o caso de Francisco Gomes da Silva, o Chalaça, alcoviteiro bastardo que subjugou o poder cortesão nos tempos de Pedro I, e que morreu obeso e rico em Lisboa. Ou atentem para o escândalo dos 37 “anões do orçamento” (entre eles, o “honorável” Ibsen Pinheiro), que fraudaram em mais de R$ 100 milhões os cofres da Viúva. Ou ainda o do “Zéverino” Cavalcanti, então presidente da Câmara dos Deputados, acusado de receber suborno no esquema do “mensalinho” para liberação de emendas parlamentares. E, mais recentemente, o caso espantoso do “mestre” Eduardo Cunha, outro presidente da Câmera, especialista em lavagem de dinheiro oriundo de propinas da Odebrechet - parlamentar que, em depoimento público, se disse traído pelo ex-aliado Rodrigo Maia, atual presidente da Câmara, de quem só recebia aplausos.


Não resta dúvida: com breves períodos de decência, a política brasileira sempre conviveu com a patifaria organizada. Nos últimos tempos, como em processo de metástase, a atividade atingiu sua intensidade máxima, notadamente com a presença da figura adiposa de Rodrigo Maía, agora reconhecido nas redes sociais como o Filhote do Mal.


Na prática, amestrado pelos espertalhões César Maia e Moreira Franco – respectivamente pai e sogro, – o Filhote tornou-se um sujeito capaz de todas as vilezas e mais alguma coisa. A nortear suas manobras de vilão talvez ele não se dê conta, mas suas flácidas bochechas já revelam o incontrolável apetite de, pelo engodo, assumir a presidência da República no lugar de Jair Messias Bolsonaro.


Aqui, a pergunta que se impõe é a seguinte: quem é Rodrigo Maia? Qual o seu cacife para desbancar o voto de 57 milhões de brasileiros? Seria apenas o bafo insosso de sua adiposidade?


Bem, fui me informar e levantei um quadro bastante sombrio: em primeiro lugar, Rodrigo Maia, o Filhote do Mal, sequer nasceu em solo brasileiro. Seu nome verdadeiro é Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia. Nasceu no Chile (na horrível Santiago) dos tempos comunistas de Allende (assassinado em 1973 pelo corpo de guarda-costas cubano que tomava conta do Palácio de La Moneda, segundo relato documentado de Patrício La Guardia, em “20 ans au Service Secret de Castro”).


Carreirista nato e hereditário, o adiposo Nhonho começou na vida política impulsionado pelo pai, que o fez secretário na prefeitura do Rio na gestão do desastrado Luiz Paulo Conde, em típica operação toma lá da cá, visto que César Maia, enquanto prefeito, o teve como secretário de Urbanismo.


Por sua vez, para cumprir carreira no Legislativo, sempre com votação medíocre, o Filhote do Mal pulou do PFL para o PTB, daí para o PFL e em seguida para o DEM. Para chegar à presidência da Câmara Federal, o nosso vilão contou com o apoio do corrupto Temer, sempre amparado pelas manobras do sogro Moreirinha, o Gato Angorá. Sem deixar de mencionar a preciosa ajuda do “mestre’ Eduardo Cunha, ora cumprindo cana braba por crimes de corrupção, recepção de propinas e fraudes diversas.


Em 2012, o Filhote do Mal se candidatou ao cargo de Prefeito Municipal do Rio de Janeiro, com o apoio do trêfego Garotinho, sendo, no entanto, fragorosamente derrotado ao obter apenas 2,94% dos votos.


Para se manter no legislativo e ambicionar a presidência da República, o Filhote do Mal apresenta ficha um tanto suja, a conviver com inúmeros processos, entre os quais, um da Polícia Federal, que o acusa de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por prestar “favores políticos” à empresa OAS do empreiteiro Léo Pinheiro, de quem teria recebido, em 2013. R$ 1 milhão.


Em 2017, a Procuradoria-Geral da República acusou Rodrigo Maia de ter recebido propina de R$ 600 mil, além de outros recursos registrados na planilha da Odebrechet que o trata pelo codinome de “Botafogo” – bairro carioca onde o Filhote do Mal tem escritório de 300 metros quadrados. À época, o então procurador-geral Rodrigo Janot pediu e obteve do STF a retirada do sigilo do processo considerando o interesse público.


Em 2019, surge outro relatório da mesma Polícia Federal contra Rodrigo e o seu pai, Cesar Maia, em que se atribui aos dois os crimes de corrupção passiva, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro, em vista da acusação de recebimento de repasses da Odebrecht. Enviado ao ministro relator do STF, Edson Fachin, o caso foi encaminhado à PGR, que decidir sobre sua viabilidade a partir de depoimentos e de registros telefônicos encontrados na Odebrechet.


Um currículo (vergonhoso) de tal envergadura, todavia, não impede que Rodrigo Maia se comporte na presidência da Câmara como algoz do governo ao promover um ilegítimo parlamentarismo branco com fito de sabotar as necessárias medidas (provisórias ou não) enviadas ao legislativo por Bolsonaro.


Para desestabilizar o governo, o Filhote do Mal se comporta como um reizinho: tece críticas infundadas ao corajoso ministro da Educação por exonerar de cargo bilionário um seu vassalo; sabota medida provisória que promove a distribuição gratuita das carteirinhas estudantis; articula a chantagem do agendamento de orçamento impositivo imoral, na ordem de R$ 30 bilhões, para esvaziar os recursos de seis ministérios comprometidos com programas e projetos de interesse nacional; sabota premeditadamente pacote anti-crime proposto pelo ministro Moro que punia severamente as milícias apontando como relator da materia o comunista Freixo... e vai por aí, entre tantas vilanias, o mal feliz Filhote do Mal.

No mês passado, por sua vez, durante férias mordomescas na França e Espanha, foi divulgada pela mídia visita de Rodrigo Maia ao Rei Felipe VI, em Madrid. Na certa para alicerçar um golpe, o reizinho pançudo queria saber como funciona o parlamentarismo naquelas bandas.


(A propósito de mordomia, Rodrigo Maia começou a vida social sob a aba do filhotismo: em 2005, quando se casou com a enteada de Moreirinha, o pai ofereceu no Palácio da Cidade da Prefeitura ruidoso banquete para 200 convidados com direito a cardápio refinado, muita e dança. O que não quer dizer muita coisa, pois desde que assumiu a presidência da Câmara, o Filhote já realizou 763 viagens nacionais e internacionais em aviões da FAB, cerca de meio ano em voos de ida e volta com duração média de cinco horas, ao custo total aproximado de R$ 400 milhões).


No momento, o parlamentar pivete, em cima de fake news espalhadas por acolita de João Dória, o Falso, em que se mente afirmando que Bolsonaro quer fechar o Congresso a partir de legítima manifestação a ocorrer no próximo dia 15, o golpista menor, ao lado de ratazanas como Lula, FHC, Dilma, o doidivanas Ciro e integrantes do amestrado centrão, quer improvisar um fake impeachment contra o valoroso Capitão.


Seria trágico se não fosse cômico!


(Voltaremos ao assunto).

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