PONTOS A PONDERAR NO NÍVEL DEFENSIVO ESTRATÉGICO

Paulo Ricardo da Rocha Paiva - Coronel de Infantaria e Estado-Maior - 21/12/2020


- Emitindo minhas opiniões, com todas as honras e sinais de respeito, como cidadão brasileiro e oficial reformado do Exército, devo ponderar alguns pontos de clareza meridiana, calcados em verdades claras, indiscutíveis e insofismáveis. Em verdade, ao país não interessa projetar poder no além mar, como a “gangue da OTAN” ou como os "bandidos do ORIENTE", mas deve, sim, preocupar-se tão somente em dispor de: uma Marinha que se faça respeitada e, por que não, temida no Atlântico Sul, pelos "grandes bucaneiros navais"; um Exército que seja capaz de, inicialmente, reforçar o poder de fogo naval e, posteriormente, no caso de um desembarque, impedir a consolidação de cabeças-de-ponte ao longo do nosso litoral/costa; uma Força Aérea, com caças do mesmo nível dos das grandes potências militares e em quantidade bastante para uma defesa eficiente e eficaz do nosso espaço aéreo. Até aqui, é de se acreditar que exista plena concordância. Acontece que, para tanto, são necessários recursos, tempo, mas, muito mais do tão somente isto, muita vontade, coragem e responsabilidade, não só das governanças, mas, sobretudo, dos diferentes alto-comandos das três FFAA.


- Vamos então levantar, inicialmente, algumas ponderações pertinentes à nossa Força Naval, que, salvo outro juízo, não podem ser deixadas ‘em banho maria” pelos almirantes. A fobia por dezenas de navios patrulha, por exemplo, até poderia se justificar, desde que estes dispusessem de poder de fogo superior, armados com mísseis de cruzeiro com alcance de 1500/2500 km. Sim porque um canhão de 30 mm e duas metralhadoras de 25mm podem servir, quando muito, para intimidar barcos de traficantes e pesqueiros ilegais. Afinal de contas, o que se deseja para a Marinha? Uma força de dissuasão extrarregional ou uma guarda costeira melhorada? Já a força aeronaval por que não cumpre sua missão característica, sem dispor de aeródromos, decolando de bases aeronavais ao longo da costa? Gastou-se no supérfluo adquirindo um porta-helicópteros. Aqui entre nós, não se aprendeu nada “jogando dinheiro fora pela escotilha” com a compra e manutenção do porta aviões “fumacê”.


E agora, ancorando, não queremos o CFN para desembarques anfíbios, nem no Oriente Médio nem no Oceano Pacífico, mas a Amazônia tem carência dele e de seus navios de transporte e desembarque.


- Agora vamos ponderar a Força Terrestre. Não estaria na hora de cessar a defenestração do nosso antigo "CIGS", hoje transformado em "Central de Informações Grande Safari" para os "grandes predadores militares" que cobiçam a (ainda nossa?) Amazônia? Entre os países que enviaram mais participantes para aprenderem sobre a "não mais nossa" guerra na selva, curiosa e estranhamente estão a Guiana (40) e os EUA (26), todos com ligação com a "OTAN". Se ingenuidade matasse, o que seria dos nossos filhos e netos, instrutores naquele centro, obrigados a ministrarem para nossos futuros oponentes, mais do que declarados em prosa e verso, o que, para eles, deveria continuar sendo tabu. Sim, é o amadorismo em seu mais alto grau! Até quando a anestesia, com relação às mais comezinhas máximas do mestre SUN TZU, vai prevalecer sobre o ensinado na "AMAN", na 'ESAO' e na "ESCEME"? Acreditar em "Papai Noel" depois de certa idade e "tempo de serviço" é proibitivo!


_ A Guiana integra a COMMONWEALTH e o Reino Unido pede que os EUA equipem as forças de defesa de sua antiga colônia! Será que os oficiais-generais não se tocam? Quais os laços que irão prevalecer, no caso de um conflito com os britânicos pela posse de Roraima? Será que alguém ainda duvida? a Guiana vai renegar sua antiga metrópole? Não faz muito tempo, o seu presidente pediu (é de pasmar!) ao alto comissariado britânico que averiguasse a possibilidade da "ROYAL NAVY" mandar uma belonave visitar o porto de Georgetown ... imaginem qual seria a resposta deste presidente, se aquele alto comissariado solicitasse que a capital guianense concedesse seu porto para apoio da "Marinha de sua majestade" em operações com vistas ao investimento de Roraima! Atenção! Alerta! Perigo! "Tio Sam" vai estar do lado do Brasil ou prevalecerão os liames tradicionais que unem os "povos de língua inglesa"? O alto comando vai continuar alheio ao que aconteceu na "Guerra das Malvinas"?


- O Coronel Gélio Fregapani, em seu “O EXÉRCITO QUE TEMOS E O EXÉRCITO QUE PRECISAMOS”, levanta pontos básicos sobre ‘alterações no dispositivo”, com o objetivo de localizar a tropa para fazer face à ameaça, considerando que a principal estará nas serras do Maciço Guianense (as serras que separam nosso país dos vizinhos do norte). Preconiza ele, muito acertadamente:


“É lá que devemos reunir, com o máximo de antecedência, as tropas de combate especializadas e as de apoio, também especializadas à região. Como exemplo, nas áreas Yanomany e Raposa-Serra do Sol. Outras companhias necessitam ser criadas nas áreas TIRIÓS, UAI-UAI e ATROARI. Essas companhias especiais devem preparar a guerra no local, estocando gêneros e munição em locais ocultos e se ligando com antecedência com garimpeiros e índios leais.” Assim também as baterias de ASTROS II precisam ser aquarteladas, aproveitando as estruturas de unidades locais, de forma a, em sua zona de posição, manter seus efetivos adestrados na ocupação das posições principal, de muda e suplementares, estas que devem estar/se encontrar adredemente preparadas, que seja enfatizado, sem nenhuma improvisação, posto que, o dispositivo preconizado pelo coronel só seria acionado em última instância, isto se o inimigo não for dissuadido pelo fogo da nossa artilharia de foguetes e mísseis.


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