PLA ameaça Taiwan ostensivamente

- THE EPOCH TIMES - Jan 28, 2021 -

James Gorrie - TRADUÇÃO E COMENTÁRIO: CÉSAR TONHEIRO


Efeito dominó de Taiwan

O governo Biden envia mensagens confusas para Pequim e Taipei, mas não consegue ver o que realmente está em jogo

27 de janeiro de 2021 por James Gorrie

Comentário César Tonheiro

Na primeira semana da presidência de Biden, o regime chinês violou o espaço aéreo taiwanês em um número recorde de vezes, com quantidade recorde de bombardeiros e caças a jato. A intenção de intimidar Taiwan é clara e mostra que eles estão sozinhos contra a China. A queda de Hong Kong para o regime comunista chinês há menos de um ano fornece o contexto inconfundível por trás das atuais táticas de intimidação de Pequim.


Os EUA responderiam?


Se o Partido Comunista Chinês (PCC) teme que o presidente dos EUA, Joe Biden, continue a política do governo Trump opondo-se à expansão chinesa em geral, e especificamente contra a intimidação de Pequim contra Taiwan, os EUA estão demonstrando isso de maneira esquisita.



Por outro lado, se o governo Biden tivesse planos de pressionar a China a manter o status quo em relação a Taiwan, agora seria o momento para fazê-lo.


Sim, o porta-aviões americano Theodore Roosevelt e seu grupo de batalha estão navegando no Mar do Sul da China na Operação de Liberdade de Navegação (FONOP). Mas o impacto desejado do poder naval dos EUA na área não é novidade alguma. A Marinha dos EUA está presente em vários oceanos. Em última análise, é a política e a vontade de executá-la que dita a influência de uma potência militar, não apenas o poder de fogo.


De modo que os Estados Unidos podem continuar a armar Taiwan, mas não o suficiente para alterar o equilíbrio de poder entre a China e Taiwan. Armá-la causa incomodo, porém não é uma mudança estratégica.


Todavia, de importância crítica, até o momento em que este artigo foi escrito, não houve nenhum repúdio oficial dos EUA ao comportamento do regime chinês. Isso por si só envia uma mensagem equivocada para a China e outros adversários dos EUA.


É provável que o governo Biden não queira essa incursão e espera que a China demore a exercer seus planos contra a pequena nação insular para evitar um desafio politicamente inconveniente ao poder americano na região e ao novo presidente.


Fraqueza acelera a instabilidade


Mas é provável que ocorra exatamente o oposto. O silêncio e a fraqueza de Biden tem sido praticamente um convite.


A China já protestou contra a presença dos Estados Unidos na área, dizendo que a navegação americana está desestabilizando a região. Claro que isso é uma afirmação falsa. O domínio militar e comercial americano manteve a região amplamente estável desde o final da Segunda Guerra Mundial. A hegemonia americana garantiu o status quo da região.


Desestabilizar a região é exatamente o que o PCC deseja, especialmente em relação a Taiwan. Óbvio, Pequim prefere uma vitória limpa e sem derramamento de sangue sobre a “província rebelde” que a atormenta desde a Revolução. Mas, do contrário, mesmo com aviões, tanques, mísseis e muito mais, Taiwan seria incapaz de impedir a derrota inevitável em um esforço comprometido do regime chinês para invadi-la e conquistá-la sem o apoio dos EUA.


Realinhamento estratégico na Ásia-Pacífico?


De uma perspectiva estratégica, o PCCh busca mudar fundamentalmente o status quo, minando o poder e a influência dos EUA na região e ao redor do mundo. Posteriormente, haveria um realinhamento estratégico longe de Washington e em direção a Pequim.


Desse ponto de vista, parece provável que Pequim esteja preparando o terreno político e estratégico para a próxima fase de seus planos de estabelecer uma nova era na região do Pacífico Asiático. Essa era começou com a militarização do Mar do Sul da China durante a administração Obama e progrediu em 2020 com a destruição da democracia de Hong Kong sob o manto de uma pandemia global.


Há poucas dúvidas de que Taiwan é a próxima na agenda.


Isso também não é apenas especulação. Garantir Hong Kong e Taiwan faz parte dos planos oficiais de segurança de curto prazo do PCC. Não há absolutamente nenhuma razão para acreditar que Pequim vai desacelerar seus planos agora que Donald Trump está fora do poder.


Na verdade, com tanto a ganhar, eles podem acelerar seus planos.


Efeito dominó de Taiwan


A conquista de Taiwan teria um impacto muito maior na região do que a tomada de Hong Kong pelo PCCh. Não apenas a soberania, liberdade e tecnologia avançada de microchip de Taiwan seriam perdidas para a China, mas a credibilidade da defesa dos EUA sofreria em toda a região, se não no mundo.



Como as Filipinas, o Japão e a Coréia do Sul, por exemplo, encarariam os compromissos de defesa americanos se a China pudesse subjugar Taiwan?

A resposta é que a influência americana na região seria cuidadosamente ponderada, na melhor das hipóteses, não confiável. O Japão e talvez a Coréia do Sul podem pender para o desenvolvimento de um meio de dissuasão nuclear no sentido de conter a expansão da China. As Filipinas, por outro lado, podem muito bem decidir se separar dos Estados Unidos e tentar fechar um acordo com o regime chinês.


A Austrália e a Nova Zelândia pensariam em rebaixar suas relações com os Estados Unidos? Ou eles também tentariam fazer sua própria paz em separado com a China?


Todos esses cenários certamente são possíveis. A pegada regional e estratégica de Pequim pode se expandir rapidamente, com um salto quântico em sua influência global às custas diretas dos Estados Unidos.


Efeito dominó global?


Mas as ondas de choque podem ser sentidas muito além da região da Ásia-Pacífico.


Na Europa, por exemplo, os aliados da OTAN poderiam corretamente ver o compromisso de defesa dos EUA de protegê-los contra a agressão russa como impotente. Sem uma garantia de defesa confiável dos EUA, a capacidade da OTAN de agir de forma coesa seria severamente prejudicada. Uma nova estrutura de aliança europeia poderia substituí-la.


No Oriente Médio, particularmente em relação à Rússia, Irã e Síria, algum desses regimes temeria represálias de um governo Biden por ataques contra Israel ou os interesses dos EUA na região?


Por que eles deveriam? Biden fez parte do vacilante governo Obama que guiou a Rússia à Síria e financiou o terrorismo de estado iraniano.


E os recentes tratados de paz entre Israel e as nações islâmicas permaneceriam em vigor? Isso também é incerto.


Sob um fraco governo Biden e favorável à China, a postura dos EUA em relação a Taiwan é, na melhor das hipóteses, amorfa, e ameaça a hegemonia global dos EUA.


O governo Biden tem ideia de quão importante é a política de Taiwan?


O regime chinês certamente nos testará nisso.


Talvez já estejam.



James R. Gorrie é o autor de “The China Crisis” (Wiley, 2013) e escreve em seu blog, TheBananaRepublican.com. Ele mora no sul da Califórnia.

As opiniões expressas neste artigo são opiniões do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.


ARTIGO ORIGINAL:

https://www.theepochtimes.com/the-taiwan-domino-effect_3674054.html

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