Os sorrisos virão depois

29/10/2019



- Osmar José de Barros Ribeiro -




Foi-se, de há muito, o tempo em que os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) eram cuidadosamente escolhidos pelos presidentes da República em termos de experiência, cultura e honradez além de, no dizer daqueles que com eles privaram, serem cultores intransigentes do Direito e da Justiça.


Passaram-se os anos, sucederam-se os presidentes e o padrão moral da política e dos políticos caiu de forma vertical, até chegarmos ao ponto em nos encontramos hoje. Assim, não é de admirar que o mesmo tenha acontecido aos ministros do STF. Afinal, como estranhar o nível de boa parte deles, se tal parcela foi indicada por autoridades que hoje estão às voltas com a própria Justiça, haja vista terem transformado a Presidência da República em laboratório da corrupção e em valhacouto de bandidos de colarinho branco, enquanto era ludibriada a grande massa de despossuídos com promessas mirabolantes e mentirosas?


De que forma acreditar na isenção de juízes que devem a sua nomeação a relações de parentesco e a amizades familiares, ou na imparcialidade de quem não se pejou de violentar a Constituição, quando do julgamento de Dilma Roussef, evitando cassar seus direitos políticos? Mas as coisas não param por aí e vamos encontrar, na presidência do Tribunal, um cidadão por duas vezes reprovado em concurso para juiz estadual e que, tendo militado por longo tempo junto aos corifeus petistas a eles, obviamente, deve sua indicação para o STF.


Hoje, assistimos aos lances finais de uma campanha desenvolvida de comum acordo, entre a esquerda e os velhos caciques políticos do chamado Centrão, que nunca assimilaram a derrota sofrida quando da última eleição presidencial. Se a vitória do atual Presidente veio no bojo da insatisfação popular com as revelações da Operação Lava Jato, era mister que, de uma forma ou de outra, esta fosse paralisada e seus efeitos minimizados.


Como fazê-lo? Foram, desde o início, abertas duas grandes frentes. A primeira, capitaneada pelo PT, voltada para a libertação do ex-presidente Lula e outra, veiculada nos meios de comunicação, influenciada por políticos que não conseguiram emplacar o chamado governo de coalizão. Ambas, ao fim e ao cabo, desaguaram no Supremo Tribunal Federal que, inexplicavelmente, legisla contra um Executivo que se recusa a ser chantageado pelos poderosos de ontem e, contra o Brasil, ao ameaçar libertar um ex-presidente corrupto e corruptor, mundialmente reconhecido como tal.


Está em curso, no STF, o julgamento da prisão após a segunda instância. Pelo andar da carruagem, caberá ao seu presidente o Voto de Minerva. Na verdade, trata-se de uma ação voltada para libertar o ex-presidente Lula e, da decisão que vier a ser tomada, resultará a liberdade (ou não) de outros quase cinco mil criminosos.


Em nossa Pátria, a sabedoria popular assinala que somente vão para a cadeia os pretos, os pobres e as prostitutas (os conhecidos 3Ps). Embora o evidente exagero, não pairam dúvidas quanto ao fato de que os criminosos capazes de contratar advogados que privem da intimidade dos juízes do STF, sempre ganham o benefício da prescrição dos seus erros. Exemplos, temos em quantidade.


Faz-se mister que os patriotas mostrem a todos, de uma vez por todas, não ser mais possível tratar-nos como gado sendo levado para o matadouro. Não cabe, ao Supremo Tribunal Federal, sem mandato outorgado pelos brasileiros, interpretar a Lei ao seu talante. Talvez nos esperem tempos difíceis. Todos sabemos que um nascimento não se dá com sorrisos e sim com dor e choro.


Os sorrisos virão depois. 

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