OS ÍNDIOS

10/07/2019


- Jacy de Souza Mendonça -



Por muito tempo, o Brasil orgulhou-se perante o mundo por ser um cadinho racial. A miscigenação fundia inicialmente portugueses e índios; mais tarde incluiu nessa mistura pretos e europeus chegados de várias regiões. O povo brasileiro exibia, então, orgulhosamente, o encontro de todos esses tipos humanos, sendo impossível a quem quer que seja alegar pureza racial. Era até motivo de orgulho para o brasileiro ter algumas gotas de sangue indígena em suas veias. A propósito, minha mãe, na sua doce ingenuidade, me disse várias vezes que tinha um avô índio, hipótese que, a ser verdadeira, dá-me também esse condicionamento racial.

A Constituição de 1988, entre suas muitas bobagens, deu destaque aos índios, reservando-lhes, com exclusividade, vários espaços do território nacional, com a agravante de localizá-los na fronteira com outros países e em território de jazidas minerais de grande porte.

As consequências previsíveis não tardaram a se manifestar. Hoje, os índios consideram deles as áreas que lhes foram reservadas, sem reconhecer a soberania brasileira sobre elas. O cacique Raoni já pretendeu participar de uma conferência junto com o Presidente brasileiro e o Presidente francês, em igualdade de condições, como se Presidente fora de outro país, o que só não ocorreu graças à reação brusca do líder nacional. Hoje, a construção de uma obra pública na reserva indígena, necessita da autorização deles. Passar pelo território deles, só com a autorização prévia deles e, a mais das vezes, mediante pagamento de pedágio. Os motoristas que tiveram, certa vez, que fazer um desvio pelas terras da reserva, em razão de enxurrada, foram obrigados a pagar o pedágio que eles exigiam. Para a construção de uma linha de transmissão de energia elétrica pela reserva, uma tribo vem de exigir o pagamento de milhões de reais. Cidadãos brasileiros alocados há anos em uma reserva fora m expulsos pela força das flechas e tiveram que abandonar suas casas, animais e plantações.

Como era de esperar-se, o mundo aplaudiu a criação das reservas indígenas e acha justo reconhecer-lhes a soberania, sob a alegação de que eles já estavam no território antes da descoberta cabraliana; que eles necessitam de espaço para a sobrevivência, enquanto o Brasil é muito grande e, por isso, pode abrir mão de uma parcela de seu território... Comoveram até o Papa, que reprendeu os brasileiros por não respeitarem pacificamente a posse indígena e sua soberania sobre o território que ocupam.

O resultado é que, de fato, temos hoje vários pequenos países soberanos enquistados no chão brasileiro e essa anomalia só poderá ser superada por um indesejável conflito cruento. Voltamos, pois, a Canudos, formado agora não mais pela união dos pretos, mas dos vermelhos.

Quanto mais o tempo passa, mais o problema se agrava. Nossos índios não são hoje os bugres de 1500. Usam armas de fogo, veículos automotores, muitos leem e escrevem em português, escutam rádio, acompanham a vida política do País, estão, enfim, aculturados. Por que necessitam da soberania? Por que não aceitam mais a miscigenação? A única explicação é que, influenciados ou não por estrangeiros, desejam ser outro(s) país(es). E nós, que no passado histórico, nos recusamos a dividir o território com holandeses e franceses, vamos agora dividi-lo com índios?



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