O perigo vem da China (II)

Osmar José de Barros Ribeiro, em 15 de dezembro de 2020


Seria muita ingenuidade supor que, no Brasil, os interesses chineses se restrinjam aos setores de energia, mineração, siderurgia e petróleo. Hoje, a China também se faz presente nas áreas bancária, de construção civil, comunicação, educação e naquelas voltadas para a produção e comercialização de bens de consumo. Com igual intensidade, sua atenção volta-se para os partidos políticos em geral e aos de esquerda em particular, bem como para os meios de comunicação e governos, tanto estaduais quanto municipais, cuja conduta em diferentes situações sejam de molde a interessar àquele país.

No Brasil, os partidos de esquerda abrem suas portas para cônsules, conselheiros políticos e representantes oficiais do Partido Comunista Chinês (PCCh), argumentando com a necessidade de estreitar os laços entre ambas as nações, não só em virtude das atuais relações comerciais mas também porque os chineses teriam muito a nos ensinar, haja vista o crescimento do seu país em todos os campos da atividade humana, em especial no que respeita à sua dinâmica economia.

Em 2018, o Partido Comunista Chinês (PCCh) convidou líderes de partidos políticos do mundo todo para debaterem os destinos da humanidade. O encontro, intitulado Diálogo de Alto Nível entre o PCCh e Partidos Políticos do Mundo, aconteceu em Pequim; obviamente, todos eram partidos de esquerda. Do Brasil, por serem “socialistas”, foram convidadas lideranças, entre poucas outras, do PT, PC do B e PSB. As despesas correram por conta do Partido Comunista Chinês (passagens aéreas internacionais, alimentação, hospedagem e deslocamentos durante a estadia na China).

As comunicações também fazem parte da cooperação entre o Brasil e a China. Entre vários outros projetos convém destacar, não por acaso, o do Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres, que já deu margem ao lançamento de dois artefatos (em 1999 e em 2002) que fornecem informações sobre recursos naturais, obviamente partilhados entre os sócios. Em 11 de novembro de 2019, o China Media Group (considerado o maior conglomerado de comunicação do mundo em escala de operações) assinou acordo com o Grupo Globo para cooperação em cinema, televisão, esporte, entretenimento, 5G e outras áreas. Na mesma data, foi assinado outro acordo, desta feita com o Grupo Bandeirantes de Comunicação, prevendo produções conjuntas e compartilhamento de conteúdo, além de parceria em produtos de entretenimento, bem como o intercâmbio de tecnologias de rádio e televisão.

Na área da educação foi criada, com o financiamento de empresários e firmas chinesas sediadas no Brasil, além da indispensável permissão e apoio do Consulado Geral da China no Rio de Janeiro, a Escola Chinesa Internacional (ECI), anunciada como sendo a primeira escola instalada em outro país. A razão talvez esteja em que, dados seus investimentos no País e ser o nosso maior parceiro comercial, a China se considera importante e insubstituível na economia brasileira. Daí, quem sabe, a ideia de começar a implantar sua cultura entre nós o que, por razões óbvias, não será nada fácil.

De toda sorte, cumpre não esquecer que nossas relações econômicas com a China, importantes sem dúvida, poderão vir a transformar-se em arma, ameaçando nossa sobrevivência como Nação democrática e senhora do seu destino.

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