O CONDOMÍNIO FASCISTA TUCANO-PETISTA E O KIT FELICIDADE

17/08/2012

- HEITOR DE PAOLA -



No lançamento do plano de ‘privatização’ ou concessão de estradas de rodagem e ferrovias por parte do governo petista os tucanos tiveram orgasmos. FHC elogiou Dilma, o presidente do PSDB declarou que ‘finalmente o PT está seguindo nossas políticas de privatização’, mas quem exultou foi o Eike Batista chamando-o de ‘kit felicidade’. Obviamente ele estava se referindo aos empresários chapa-branca, aqueles que adoram mamar nas tetas do BNDES e desaprenderam, talvez para sempre, que empresário significa empreendedor e que isto implica em livre iniciativa e, o que estes covardes mais temem: risco! Não foi com dinheiro de nenhum governo que prosperou a economia da sociedade aberta e livre. Foi com a acumulação de capital por parte de investidores privados por meio de tentativas e erros. Muitas falências ocorreram, mas o sucesso da economia liberal do século XIX e início do XX jamais dependeu de subsídios ou agências governamentais de controle. A ameaça à livre iniciativa e à propriedade privada começou quando Marx apelidou-a de ‘capitalismo’, com a finalidade expressa de enganar os trouxas – a grande especialidade daquele falsificador de estatísticas e todos os seus seguidores – de que os únicos que ganhavam com a economia liberal eram os donos do capital, enquanto os trabalhadores – que apelidou de ‘proletários’ – saíam perdendo.



Em 1883, trinta e cinco anos após o Manifesto Comunista e doze depois da Comuna de Paris os socialistas ingleses que discordavam não do essencial, mas do secundário das teses marxistas, fundaram a Sociedade Fabiana para remediar o que entendiam por males do laissez-faire. Para tanto defendiam o aumento do poder do governo através de:



1. Aumento dos gastos com o ‘bem estar social’



2. Nacionalização dos serviços públicos, do crédito, dos transportes e da mineração



3. Ferrenha oposição ao livre comércio



George Bernard Shaw, um dos fundadores, exortava a população a abandonar Adam Smith, pois não havia salvação para o mundo nas liberdades de contrato e de comércio. O casal Webb, Sidney e Beatrice, Barões de Passfield, os principais idealizadores e fundadores, apoiaram a revolução bolchevista e os terrores leninista e stalinista até a morte. Visitaram a URSS em pleno terror e ‘não viram nada de errado’. Sidney morreu em 1947 e Beatrice em 1943 e jamais renegaram esta declaração. Seus livros Soviet Communism: A New Civilization? (1935) e The Truth About Soviet Russia (1942) mostram uma avaliação muito positiva do regime de Stalin. Sidney foi um dos principais fundadores da London School of Economics, onde certamente se ensina economia socialista, e a revista New Statesman.



Outros fundadores foram H. G. Wells, Emil Ludwig, Henry Barbusse, Romain Rolland e Annie Besant, futura associada de Madame Blavatsky e co-fundadora da Sociedade Teosófica, uma das maiores vigarices da história moderna, à qual o casal Webb também se associou.



Na realidade o fabianismo é marxismo envergonhado. Sidney, no ensaio The Basis for Socialism, publicado no livro Fabian Essays in Socialism, editado por G B Shaw e H G Wilshire, declarava: ‘O desenvolvimento perfeito e adequado de cada indivíduo não é necessariamente a mais alta e mais importante do cultivo de sua personalidade, mas sim o preenchimento da melhor maneira possível de sua humilde função na grande maquinaria social. Devemos abandonar a idéia arrogante de que somos unidades independentes e curvar nossas mentes ciumentas preocupadas com seu próprio progresso pessoal à mais alta finalidade, a Vontade Comum’. Uma maquinaria social exige engenheiros sociais para planejá-la, operá-la e eliminar os elementos hostis segundo a ‘vontade comum’, isto é, da elite que sabe o que é o melhor para todos.



Quando Sergio Guerra, presidente do PSDB, afirmou que o PT finalmente segue ‘nossas’ políticas, cabe perguntar: nossas, de quem cara pálida? A história é bem mais antiga.



Os bolchevistas foram os primeiros a implementar sistematicamente a teoria de que a economia era melhor administrada por burocratas em suas salas e comitês, emitindo decretos para dizer o que os outros tinham que fazer. Eram inflexivelmente contrários à idéia de que deviam ser os consumidores com seu dinheiro que deveriam eleger o que queriam.



A criação de propriedade privada apenas nominal, sob controle de agências reguladoras, é de Adolf Hitler: cada detalhe da economia passou a controle governamental após a tomada do poder através de uma estrutura complexa de grupos, associações, agências e câmaras.



Particularmente, no que toca a estradas, Hitler fora sempre contrário à construção das Autobahnen desde o projeto chamado HaFraBa, uma autoestrada de norte a sul ligando Hamburgo a Basileia através de Frankfurt-am-Main. Dizia que estas estradas ‘só beneficiariam os ricos aristocratas e os grandes capitalistas Judeus e seus interesses econômicos’. Assumindo o poder viu o enorme poder de propaganda que as estradas trariam para o governo, inclusive na criação de empregos. Com a assessoria de Goebbels foi montado uma grande palco nacional para o Führer (ver foto) e criou-se o mito de que as Autobahnen salvaram a economia alemã gerando quase um milhão de empregos (na realidade não passaram de 120.000 e o pleno emprego foi atingido com a indústria bélica).







É este condomínio fascista, fabiano-marxista – ou tucano-petista - que tomou conta do Brasil em 1994. Não se iludam os leitores de que os tucanos não sejam marxistas e se quiserem votar nas próximas eleições em algum picolé de chuchu, que o façam conscientes de que estão votando em marxistas envergonhados aliados do petismo, e não oposição.



Este artigo é um adiantamento da parte III da série A Formação da Nova Classe Brasileira. Para publicação no Jornal Inconfidência, Belo Horizonte, MG.

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