Mudanças de comportamento do consumidor podem fechar shoppings?

- DIÁRIO DO COMÉRCIO - 19 JUL, 2021 - Karina Lignelli -

Avanço extremo do e-commerce e do trabalho home-office ou híbrido na pandemia têm afastado o público de muitos centros de compra, levando à fuga de lojistas e aumento de índices de vacância


O que faz alguns shoppings manterem fluxo de público, a despeito das crises, e outros terem altos índices de vacância e a profusão de tapumes nos corredores?


A resposta inicial é simples: o tempo de maturação. No Brasil, o tempo médio para um empreendimento do tipo se consolidar costumava ser de "dois Natais", no jargão dos especialistas do setor.


Agora, com a crise sem precedentes causada pela covid-19, o avanço 'cinco anos em um' do e-commerce, mais o caminho sem volta do home office e dos modelos de trabalho híbridos, o cenário não é muito animador.


E pode piorar os índices de vacância, e até a sobrevivência daqueles que não tiveram tempo de se consolidar, por um problema herdado da década passada: o otimismo exagerado de empreendedores e lojistas, com ou sem experiência no ramo diante do boom do varejo, que geraram um 'excesso' de centros de compra.


Esse problema, segundo Marcos Hirai, consultor de varejo especializado em expansão de redes, começa no timing - ou seja, inaugurar no momento errado ou muito próximo de outro shopping, gerando canibalização.


E ainda, mau planejamento, tanto na concepção, como na comercialização. Somados às crises de 2008 e 2014, de 2015 em diante muitos dos novos operavam com 55% de lojas vazias. Alguns, com estratosféricos 92%.


"Quando são cometidos tantos equívocos no início, depois fica muito difícil corrigir", destaca.

A retomada gradual de 2018, 2019, fez esses empreendimentos acelerarem, vendo uma luz no fim do túnel, lembra Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da Gouvêa Malls. "Mas eles foram abalroados pela pandemia."


Mesmo um ano e meio após a mudança forçada de hábitos, diversos consumidores ainda têm receio de frequentar locais fechados. De olho nisso, e para cortar custos, muitos lojistas têm migrado para lojas de rua.


Ou pior: fecham as portas, como as lojas-satélite pressionadas pelo embate com administradoras para renegociar contratos cobrados pelo IGP-M próximo de 40%: em 2020, cerca de 15 mil lojas em centros de compras encerraram as atividades, segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop).


Ainda que o movimento tenha ficado menos intenso em 2021, os efeitos negativos da pandemia nesses lojistas devem ser sentidos ao longo do 2° semestre, diz o diretor institucional da Alshop, Luiz Augusto Ildefonso.


Com esses fatores combinados, a vacância mais do que dobrou: a média de 4% pré-pandemia pulou para 9,5%, segundo especialistas em varejo citando dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).


E esse número pode ser ainda maior e bater nos 17%, aponta um levantamento sobre os impactos da covid-19 em 2020 realizada pela EY-Parthenon, braço de consultoria de estratégias globais da Ernest&Young.


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