‘MEDICAMENTOS QUE CURAM NÃO SÃO RENTÁVEIS E, PORTANTO, NÃO SÃO PRODUZIDOS’, DIZ NOBEL DE MEDICINA

- ONFM.PT - 9 Out, 2019 -

JOANA TIMÓTEO -


“A indústria farmacêutica na realidade não quer curar ninguém, e por um motivo muito simples e direto: a cura é menos rentável que a doença.” Quem diz isso não é nenhum teórico da conspiração ou profeta do apocalipse, mas sim um vencedor do prémio Nobel de Medicina, o bioquímico e biólogo molecular inglês Sir Richard J. Roberts.


Sir Richard, em entrevista, denuncia o que parece evidente para todos, mas raramente é dito a alto e bom som por uma autoridade: é a própria indústria quem detém o progresso científico. A sua principal questão é o quão ética e correta pode ser uma indústria com a importância da farmacêutica ser regida pelos mesmos princípios e valores que o mercado capitalista.

O hábito da indústria farmacêutica gastar centenas de milhões de dólares anualmente em pagamentos a médicos para que os mesmos promovam os medicamentos, torna a prática da indústria algo semelhante às práticas da máfia.


O Diretor de pesquisa da empresa de biotecnologia New England Biolab, em Massachusetts (EUA), o biólogo molecular britânico Richard J. Roberts, de origem operária, que conseguiu estudar graças às diversas bolsas que conquistou, é conhecido pelos seus ataques contra a indústria farmacêutica e o movimento antitransgénicos.


“A indústria prefere investir em pesquisas que venham a ser rentáveis, muitas vezes não pela cura, mas para um remédio que seja uma espécie de manutenção da cronicidade de uma doença. O que é bom para os dividendos das empresas nem sempre é bom para as pessoas”, ele diz. “Estamos a falar da nossa Saúde, das nossas vidas, das dos nossos filhos e de milhões de seres humanos. Mas se eles são rentáveis, investigarão melhor”.


“Se só pensarem em lucros, deixam de se preocupar com servir os seres humanos. Eu verifiquei a forma como, em alguns casos, os investigadores dependentes de fundos privados descobriram medicamentos muito eficazes que teriam acabado completamente com uma doença. Mas as empresas farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas em curar as pessoas como em tirar-lhes dinheiro e, por isso, a investigação, de repente, é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam totalmente, mas que tornam crónica a doença e fazem sentir uma melhoria que desaparece quando se deixa de tomar a medicação”, ele acusa.


“Ao capital só interessa multiplicar-se. Quase todos os políticos, e eu sei do que falo, dependem descaradamente dessas multinacionais farmacêuticas que financiam as campanhas deles. O resto são palavras”, afirma o Nobel, dizendo que todos suspeitam mas não possuem conhecimento – ou coragem – para de facto afirmar.



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