'Made in USA' está voltando?

22/02/2020


- THE EPOCH TIMES -

Tradução César Tonheiro


'Made in USA' está voltando?

Uma confluência de políticas e eventos está empurrando plantas industriais e fábricas de volta aos EUA

21 de fevereiro de 2020 James Gorrie


As empresas americanas estão começando a trazer a fabricação de volta para os Estados Unidos. Embora não seja de forma alguma um retorno no afogadilho, a taxa de retorno, ou a "realocação industrial" das empresas americanas, está aumentando. Existem várias razões para essa tendência positiva, algumas delas surpreendentes.


Efeito Trump


Independentemente de suas preferências políticas, a isenção de impostos e a desregulamentação do presidente Donald Trump merecem crédito por atrair empresas de volta às costas americanas.


A guerra comercial de Trump com a China - que incluiu altas tarifas sobre produtos chineses em geral - também é parcialmente responsável. Quanto foi, no entanto, é discutível. Mas, em geral, tem sido uma cascata de eventos que quebraram o encanto da terceirização para a China.


Não é apenas custo


Por um lado, a China está muito longe dos mercados dos EUA e da Europa. E conforme a economia da China cresceu, os custos aumentaram. Mas por muitos anos, ainda fazia sentido para a maioria das empresas ancorar fábricas lá. Porém cada vez mais, a preocupação com a cadeia de suprimentos e as interrupções na fabricação são mais a regra do que a exceção.


Essas interrupções ocorreram na forma de perda de propriedade intelectual (PI) devido a roubo, perda de tecnologia e até perda de participação de mercado devido a imitações chinesas que surgiram da PI e da tecnologia roubadas. Além disso, nas indústrias de telecomunicações e roteamento, o uso e a exploração de spywares na China por meio de equipamentos Huawei e outros fornecedores destacaram os riscos comerciais e as ameaças cibernéticas de depender da tecnologia de origem chinesa. O que era um pequeno problema duas décadas atrás se transformou em uma ameaça predatória aos negócios hoje.


Mas é mais do que isso. Existem desvantagens em ter cadeias de suprimentos tão distantes dos mercados. Por exemplo, o atendimento ao cliente e a agilidade na resposta ao produto sofrem. As empresas a milhares de quilômetros de distância demoram a reagir às necessidades dos clientes ou a se ajustar às demandas do mercado. Grandes empresas como Caterpillar, GE, Intel, Under Armour entre outras estão começando a perceber as vantagens tangíveis do mercado por estarem próximas ao seu mercado.


Preocupações morais e ambientais


Há também a questão da responsabilidade social. Nos prêmios do Globo de Ouro, em janeiro passado, o comediante Ricky Gervais apontou a hipocrisia moral do CEO da Apple, Tim Cook, por explorar o trabalho em sweatshop labor [condições muito precárias] na China e ganhar bilhões de dólares nas costas desse trabalho. Mas era mais do que apenas uma piada farpada. As empresas americanas podem enfrentar uma rápida retribuição financeira em todo o mundo das novas mídias — que elas mesmas criaram —  a partir de uma base de clientes "atentos"   por essas ofensas de injustiça.


As preocupações ambientais também são um problema. Poluição e sustentabilidade em instalações de produção internas da China tornaram-se mais importantes ultimamente, não apenas para as empresas, mas também para sua base de clientes, e a China está no topo da lista dos poluidores do mundo. Esses fatores não econômicos que antes carregavam pouco ou nenhum peso agora são fatores nos esforços de reformulação de alguns fabricantes norte-americanos.


A automação torna possível


Além de um clima mais favorável aos negócios nos Estados Unidos — e talvez por causa disso —, o conceito de “local para local”, onde os produtos são fabricados dentro ou perto de seu principal mercado, está ganhando força entre muitas empresas americanas. Desse modo as instalações de produção voltam para os Estados. A Under Armour (artigos e equipamentos esportivos), por exemplo, faz parte dessa tendência local para local, com planos para uma nova fábrica a ser localizada na área de Baltimore.


Mas, apesar de a China se tornar menos atraente, o custo de fabricar algo continua sendo um fator-chave nas fábricas. Seria difícil para as empresas de indústrias intensivas em mão-de-obra, como calçados e vestuário, retornar aos Estados Unidos, onde os custos de mão-de-obra são altos, sem poderem obter as margens necessárias. O avanço das tecnologias de fabricação automatizadas ajudará a tornar o local para o local possível.


Acabou o fornecimento único?


A guerra comercial com os Estados Unidos revelou mais do que apenas iniquidades nos acordos comerciais entre os dois países. Tão importante quanto isso, também mostrou a loucura de contar com um adversário geopolítico concentrando 80% dos materiais estrategicamente críticos, como elementos de terras raras, usados em sistemas de orientação de aeronaves e mísseis, telefones celulares e carros elétricos. Como resultado, novas operações de mineração de terras raras estão sendo abertas no Wyoming.


Mas são mais do que apenas elementos de terras raras para os quais os Estados Unidos dependem quase exclusivamente da China. Os Estados Unidos possuem medicamentos farmacêuticos críticos de fonte única, como antibióticos e medicamentos de venda livre, como ibuprofeno e aspirina, [80% dos insumos] dependem da China, além de tecnologias e suprimentos médicos de alta qualidade.


Ironicamente, medicamentos vitais e máscaras protetoras que vieram da China agora não podem ser usados devido ao receio de serem manipulados por trabalhadores infectados. Com a guerra comercial em andamento, a epidemia de COVID-19 na China sublinhou o alto risco e a miopia de tal política comercial. No entanto, resta ver se os fabricantes de medicamentos e as empresas de suprimentos médicos movem a produção de volta para os Estados Unidos.


O Walmart também volta


Ironicamente, quem liderou apressadamente a terceirização para a China foi o Walmart, o maior varejista do mundo. Alavancando seu poder de mercado e os baixos salários chineses, o hipermercado de Arkansas foi acusado de destruir sozinho as lojas Mom and Pop nos Estados Unidos, tirando-as dos negócios com preços com os quais ninguém poderia competir.


Mas agora a maré mudou. Para o Walmart, trazer de volta empregos intensivos em mão-de-obra nas indústrias têxtil, de vestuário e de bens de consumo para os Estados Unidos é uma prioridade. A gigante do varejo está avaliando ativamente os planos para o seu Manufacturing Fund dos EUA, iniciado em 2013, que foi fundado para impulsionar o setor de manufatura da América. O Walmart planeja aumentar seu próprio suporte comprando US $ 250 bilhões em produtos fabricados nos EUA até 2023.


Localismo regional


Quão grande ou sustentável é a tendência de realocação industrial que estamos vendo?

Realmente depende de quais empresas você conversa. Algumas empresas planejam transferir parte da sua produção para os Estados Unidos, enquanto transferem suas fábricas na China para países vizinhos, como Vietnã e Malásia. Outras empresas planejam abrir novas fábricas na China após o término da epidemia de COVID-19. Esse momento, no entanto, permanece desconhecido.


Mas é claro que os planos mudam conforme as circunstâncias no terreno mudam. A estabilidade política também é um grande fator no processo de tomada de decisão das empresas. A crescente inquietação à medida que a epidemia se alarga na China pode ser outro fator a considerar.


Uma avaliação razoável da tendência de remodelação pode incluir a tendência global do localismo regional. É aí que as fábricas não são necessariamente repatriadas, mas são realocadas nos principais mercados ou perto dos mesmos, sempre que possível.



James Gorrie é escritor e palestrante no sul da Califórnia. Ele é o autor de "The China Crisis".

As opiniões expressas neste artigo são de opinião do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.

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