Lições para Taiwan, Japão, Coreia do Sul e OTAN da Guerra da Ucrânia

- THE EPOCH TIMES - Stephen Bryen - TRADUÇÃO CÉSAR TONHEIRO - 9 MAR, 2022 -

Tropas russas em uniformes sem insígnias são vistas em cima de um tanque com a letra "Z" pintada nas laterais, na região de Donetsk, Ucrânia, em 1º de março de 2022. (REUTERS/Alexander Ermochenko)

Embora a guerra na Ucrânia ainda esteja em andamento, não é cedo demais para tirar algumas conclusões sobre os combates e ver como as “lições aprendidas” podem se aplicar à OTAN e aos nossos Aliados do Pacífico.


No terreno, a evidência é clara de que um exército ucraniano muito menor foi capaz de lutar contra os russos em muitos lugares e infligir danos que parecem ser inaceitáveis a eles. Os verdadeiros números dos equipamentos russos destruídos ainda não são conhecidos, mas está claro que a Rússia perdeu mais de 200 principais tanques de batalha, sistemas de defesa aérea, incluindo o BUK e Pantsir, e aviões de combate, incluindo o Su-34, e helicópteros de ataque. Além disso, o número de soldados russos mortos na Ucrânia disparou. Os ucranianos dizem que mais de 15.000 russos foram mortos; os russos dizem muito menos, mas as famílias na Rússia estão começando a reclamar com Moscou, e os russos, que tentam bloquear as mídias sociais, não conseguiram desligar os telefones celulares, onde telefonemas e vídeos da guerra agora são amplamente divulgados e compartilhados. Alegadamente, os russos não estão trazendo corpos de volta à Rússia para serem enterrados, a fim de esconder o aumento das baixas.


Enquanto isso, vários oficiais superiores do exército russo, incluindo dois generais, foram mortos, provavelmente por franco-atiradores ucranianos bem treinados.


Dentro da Rússia, há uma profunda frustração, porque o moderno exército russo teve um desempenho ruim e com grande custo para a pátria. Isso é culpa de Putin ou culpa dos militares russos, que tiveram muito tempo para se preparar para a guerra e depois bagunçaram a operação? No final das contas, os militares russos, que gozavam de grande apoio público na Rússia, caíram em descrédito, assim como Putin.


A Rússia falhou em terra e no ar, e até conseguiu perder um navio de patrulha moderno, o Vasily Bykov (2018), para um ataque de mísseis lançado em terra. Não há informações sobre a sobrevivência da tripulação de 60 homens. O Bykov é o mesmo navio que famosamente bombardeou a Ilha da Cobra, perto do Delta do Danúbio, onde os soldados ucranianos na ilha desafiaram os russos antes de serem explodidos. Eles sobreviveram.


A primeira lição começa com o papel das Forças Especiais. Os países da OTAN e alguns outros, incluindo Israel, vêm treinando as forças especiais da Ucrânia desde 2015. Essas forças estão equipadas com equipamentos de vigilância, incluindo drones, rifles de precisão e mísseis antitanque, incluindo o Javelin dos EUA e o NLAW britânico-sueco, possivelmente também mísseis antiaéreos Stinger MANPADS dos EUA, e são treinados para emboscar forças invasoras. Embora tenhamos poucos fatos, está claro que as colunas russas de invasão foram emboscadas, e as forças especiais da Ucrânia estão quase certamente na vanguarda dos ataques.


A segunda lição é que os drones armados são muito eficazes. Os ucranianos estão usando o drone turco Bayraktar que carrega dois foguetes letais (chamados MAM-L) que podem ser lançados em alvos. O Bayraktar, trabalhando junto com drones israelenses como o Heron e munições vagantes israelenses como o Harop, devastou as forças apoiadas pelos armênios na guerra de Nagorno Karabakh. Israel produz vários outros drones [kamikazes] de munição vagantes (que perambula ao redor da área por algum tempo e ataca assim que um alvo é localizado), incluindo tipos menores que podem estar operando na Ucrânia.


A terceira lição é que as defesas aéreas são muito importantes, se forem defendidas adequadamente. Antes da guerra, a Ucrânia tinha cerca de 250 sistemas de defesa aérea S-300, 100 sistemas de defesa aérea móvel TOR, e 72 sistemas BUK. No conflito de Nagorno Karabakh, estes foram alvos de drones armados e munições vagantes, mas não há nenhuma informação de que os russos empregaram seus próprios drones contra as defesas ucranianas. Mas, os ucranianos usaram suas defesas aéreas contra caças a jato e bombardeiros russos. Ao mesmo tempo, a Rússia teve problemas em trazer seus próprios sistemas de defesa aérea porque à medida que se moviam em comboio, foram atingidos por Javelins e NLAWs ou de cima por Bayraktars. O quadro geral é que os sistemas móveis de defesa aérea são importantes, mas são altamente vulneráveis quando são trazidos para as zonas de combate em comboios.


Um sistema de defesa aérea que parece ter sido bastante eficaz é o Stinger MANPADS. O Stinger foi fornecido pelos Estados Unidos durante o tempo em que as forças russas estavam no Afeganistão, e os Stingers foram muito eficazes em derrubar helicópteros russos, caças e aeronaves de transporte. Os Estados Unidos forneceram esses Stingers aos Mujahideen a partir de 1986, há 36 anos. Os russos, portanto, tiveram muito tempo para descobrir contramedidas. O que quer que eles tenham inventado claramente não funciona, como testificam as perdas de helicópteros russos na Ucrânia.


Tanques e blindados russos também foram destruídos. Tanques russos, como o T-72 (não o tanque russo mais moderno), foram adaptados com blindagem reativa para proteção de tanques. Mas blindagem reativa não é suficiente para parar o Javelin ou NLAW. Israel foi o primeiro a desenvolver um sistema de proteção ativa para blindados, que detecta um míssil ou projétil que se aproxima e o intercepta e o destrói. A Rússia diz que desenvolveu sua própria versão do sistema de Israel, chamado Arena-M. Não há informações de que o Arena-M foi instalado em tanques russos na guerra da Ucrânia. Ou os russos não tinham fundos para equipar seus tanques com Arena-M, ou o Arena-M não atendeu aos requisitos do exército russo. Uma lição clara para os Estados Unidos, seus Aliados do Pacífico e a OTAN é que os sistemas blindados de defesa ativa são uma necessidade absoluta. Assim como o Javelin e o NLAW foram eficazes, as armas antitanque russas, como o Kornet (9M133) e o Vihr-1 lançado por helicóptero, também são uma ameaça às forças aliadas. É por isso que alguns países da OTAN e os Estados Unidos estão começando a instalar o sistema de defesa ativa do Trofhy Israelense em tanques como o Abrams M1 e veículos de combate de infantaria como o Bradley.


Se olharmos para a Coreia do Sul, onde a ameaça vem de ataques de blindados pesados e bombardeios de artilharia, fica claro que as forças sul-coreanas precisam de drones eficazes junto com sistemas de proteção ativos. O mesmo vale para o Japão. Para Taiwan, é particularmente importante ter forças especiais eficazes com uma gama de equipamentos semelhante ao que foi feito na Ucrânia. Taiwan, se for atacada, precisará se defender de um míssil chinês, ataque aéreo e naval e, provavelmente, terá que lutar contra paraquedistas chineses que tentarão ficar atrás das defesas costeiras. Forças especiais bem treinadas com o equipamento certo podem ser eficazes e caras para a China, especialmente se os ataques falharem. Fuzileiros navais dos EUA e Forças Especiais dos EUA têm treinado secretamente as forças de Taiwan.


Desnecessário dizer que as defesas aéreas continuam a ser uma prioridade importante. Os Estados Unidos deveriam estar felizes com o desempenho do Stinger, mas Stingers sozinhos não são suficientes para deter ataques de mísseis ou bombardeiros de combate equipados com armas stand-off. Isso requer sistemas modernos e sofisticados de defesa aérea. Os Estados Unidos e seus aliados da OTAN ficaram para trás no desenvolvimento de sistemas de defesa aérea atualizados, o que não é bom para a OTAN ou para a defesa na região do Pacífico. O que é necessário é uma rede de defesa aérea integrada e em camadas que seja implantável e razoavelmente móvel para confundir o inimigo. A tecnologia já existe, mas o financiamento e a vontade de colocar esses sistemas em campo ainda estão em falta.


Embora seja um pouco reconfortante que os russos tenham se saído mal no ataque à Ucrânia, e muitos de seus equipamentos tenham se mostrado vulneráveis, no quadro geral isso nem sempre será o caso. Nos próximos anos, os Estados Unidos, a OTAN e nossos aliados do Pacífico precisam fortalecer nossas capacidades de combate e aprender as lições que pudermos com o ataque russo à Ucrânia.


As opiniões expressas neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.


O Dr. Stephen Bryen é considerado um líder de pensamento em política de segurança tecnológica, sendo duas vezes premiado com a mais alta honraria civil do Departamento de Defesa, a Distinguished Public Service Medal. Membro sênior do Center for Security Policy, seu livro mais recente é “Technology Security and National Power: Winners and Losers”.


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