Lei Jones e a combalida indústria naval civil dos EUA

- THE NATIONAL INTEREST - 11 JUN, 2021 - Robert C. O'Brien - Tradução César Tonheiro -


Mais um indicador de que a indústria do aço e a indústria naval dos EUA devem ser repatriadas em detrimento da China.

Infelizmente, o mundo continua sendo um lugar perigoso e o propósito original da Lei Jones ainda é relevante.


Antes da Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos dependiam de uma combinação de embarcações com bandeira dos Estados Unidos e embarcações estrangeiras para conduzir o comércio no Atlântico, nas águas costeiras dos Estados Unidos e em nossas vias navegáveis interiores. Com a aproximação da Grande Guerra, os países aliados e inimigos retiraram seus navios do comércio dos Estados Unidos para ajudar em seus próprios esforços de guerra. Nossos adversários em potencial também queriam prejudicar economicamente os Estados Unidos, interrompendo o comércio marítimo.


Para evitar que tal crise ocorra novamente, após a guerra, o Congresso promulgou a Lei da Marinha Mercante de 1920, comumente conhecida como Lei Jones. A lei tratava da cabotagem, termo definido como “comércio ou navegação em águas costeiras, ou o direito exclusivo de um país de operar o tráfego em seu território”.


A lei Jones procurou garantir que apenas navios de bandeira americana e navios operados por americanos conduzissem o comércio dentro das vias navegáveis interiores e costeiras soberanas dos Estados Unidos. Esperava-se que a lei garantisse a segurança do comércio dentro dos Estados Unidos e criasse um suprimento de embarcações da marinha mercante, bem como de marinheiros treinados, que poderiam ser prontamente aproveitados no caso de outro conflito.


A Lei Jones mostrou-se eficaz. Duas décadas depois, mais de duzentos mil marinheiros mercantes e centenas de navios comerciais serviram na Segunda Guerra Mundial. Eles deram uma contribuição vital para nossa vitória sobre as potências do Eixo.


Setenta e cinco anos de paz pós-Segunda Guerra Mundial entre as grandes potências marítimas parecem ter obscurecido para alguns líderes políticos e empresariais dos Estados Unidos — a razão original para a Lei Jones. Eles argumentam que a lei sufoca a concorrência no setor de transporte marítimo e, portanto, aumenta os custos para os consumidores americanos. O Government Accountability Office investigou o efeito da lei sobre os consumidores e concluiu que o impacto foi insignificante.


Infelizmente, o mundo continua sendo um lugar perigoso e o propósito original da Lei Jones ainda é relevante. Por exemplo, vimos o impacto de um ataque cibernético no Oleoduto Colonial no mês passado. Hackers estrangeiros em uma nação adversária se infiltraram no sistema do Pipeline e bloquearam a principal artéria de combustíveis de toda a Costa Leste. Esse ataque levou dezessete governadores a declarar estado de emergência.


Agora imagine um futuro sem a Lei Jones, onde os navios de bandeira chinesa, todos controlados, no todo ou em parte, pelo Partido Comunista Chinês, pudessem atracar livremente em nossos portos domésticos, cruzar nosso litoral e viajar para cima e para baixo em nosso interior vias navegáveis. Do St. Lawrence Seaway nos Grandes Lagos até o nosso coração no rio Mississippi, o Partido Comunista Chinês teria acesso virtualmente irrestrito às artérias econômicas americanas essenciais. Esse acesso posicionaria nossos adversários para causar danos muito maiores à infraestrutura americana do que os hackers de pipeline jamais imaginaram.


Além disso, a marinha mercante americana e a indústria naval civil seriam virtualmente eliminadas por embarcações chinesas subsidiadas pelo estado, assim como nossa manufatura e base industrial foram severamente danificadas por práticas predatórias chinesas nas últimas duas décadas. E, criticamente, a reserva de marinheiros mercantes e navios de carga civis de que necessitamos em caso de conflito seria significativamente assolada.


Durante minha gestão como Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, vi numerosos indícios de que o quadro assustador descrito acima poderia se tornar uma realidade sem políticas públicas sólidas. Além de manter nossa vantagem militar nas competições emergentes das grandes potências do século XXI, a América deve nutrir uma base industrial robusta e resiliente conectada por nossas artérias marítimas críticas. A Lei Jones é uma ferramenta crítica nesse esforço e deve ser preservada e fortalecida nas próximas décadas.


Robert C. O'Brien serviu como o vigésimo oitavo Conselheiro de Segurança Nacional de 2019–2021.


PUBLICAÇÃO ORIGINAL:

https://nationalinterest.org/feature/robert-c-obrien-jones-act-essential-us-national-security-187399


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