LEÃO EXIGIRÁ NACO MAIOR

27/03/2020


- ESTADÃO -


TRANSFERÊNCIA DE RENDA SIGNIFICA QUE VEM MAIS CONFISCO POR AÍ, DO ATUAL TETO DE 27,5% DO IMPOSTO DE RENDA E COGITA-SE MAJORÁ-LO PARA 35%, ALÉM DE ELEVAR ALÍQUOTAS DE OUTROS IMPOSTOS INCIDENTES NA CADEIA PRODUTIVA.


"A recessão, que já está em curso neste momento, ainda vai ser profunda e a recuperação da economia vai ser lenta. O País, portanto, não vai poder escapar da necessidade de transferir renda para aqueles brasileiros que forem mais atingidos – e estes serão muitos. Inclusive, também é preciso considerar nessa conta as pequenas e as médias empresas, que vão sentir os efeitos dessa recessão. O déficit público também vai aumentar nesse período e vai ser preciso elevar a dívida pública em alguns pontos porcentuais do Produto Interno Bruto (PIB). Lá na frente, quando este momento difícil tiver sido finalmente superado, quem vai pagar por isso seremos nós mesmos, a sociedade. No fim desse percurso, haverá um novo desafio pela frente: a necessidade de o País fazer, nos próximos anos, reformas muito mais profundas do que aquelas que se antecipava antes do início desta crise.”



Que medidas o governo pode tomar para amenizar a crise?

Nove analistas sugerem caminhos para se tentar evitar uma deterioração ainda maior na economia

27 de março de 2020 Celso Ming


O Brasil já era um país mal organizado. A pandemia do coronavírus apenas começou por aqui e a economia já ficou ainda mais desorganizada. As perguntas se multiplicam. Como ficamos? A seguir, alguns dos campos em que as incertezas se amontoam:


1) Emprego, salário, faturamento e renda


Com tanta gente dispensada, comércio fechado, ainda que temporariamente, e pequenas e médias empresas bloqueadas em seus negócios, o que fazer diante do inevitável colapso do caixa e dos resultados?


2) PIB e produção industrial


Estamos em março e, no entanto, as novas projeções são de queda do PIB em 2020, e não mais de crescimento de alguma coisa em torno de 2%. Se isso está assim na renda, imagine-se então o que vai acontecer na poupança e no investimento. E, quando vier, como será a recuperação? Terá formato de “V” ou será um “L”?


3) Crédito e liquidez


Mesmo com queda de custos e dos preços de insumos – como os do petróleo – muitas empresas e muitos endividados deixarão de honrar seus compromissos. Até que ponto os bancos conseguirão manter abertas suas linhas de crédito? E que tipo de cobertura exigirão do Banco Central?


4) Questão fiscal


As despesas do Tesouro, que já vinham disparando, agora enfrentam novas e inadiáveis demandas por verbas. São os organismos que cuidam da Saúde, são os Estados, os municípios, as empresas privadas mais atingidas, como as companhias aéreas. E há os desempregados. Com o colapso da produção, da renda e do consumo e com a incapacidade de pagar impostos, a arrecadação mergulhará. Felizmente, incontáveis vidas poderão ser salvas. Mas como serão os estragos nas finanças públicas?


5) Inflação


Fora alguns casos excepcionais, os preços vão mergulhar e a inflação irá junto. Ao longo de todo o ano, o avanço do custo de vida pode ficar abaixo dos 3%.


6) Aplicações financeiras


Os juros básicos, que estão nos 3,75% ao ano, devem cair ainda mais. O retorno das aplicações em renda fixa ficará ainda mais nanico. Enquanto isso, as aplicações em renda variável, especialmente ações, continuarão sujeitas a grande volatilidade. Tanto podem voltar a afundar como podem disparar. Numa hora dessas, até mesmo ativos considerados seguros estarão sujeitos a perdas: moeda estrangeira, ouro, imóveis.


7) Mais perguntas em busca de resposta


Como ficam a reposição das aulas suspensas nas escolas, as férias escolares, as viagens interrompidas, os pagamentos atrasados, dívidas não pagas, as competições esportivas interrompidas?


Obviamente, ninguém tem resposta nesse momento para tantas dúvidas. Mas perguntamos a um grupo de economistas o que o governo pode e precisa fazer neste momento para evitar uma catástrofe ainda maior que essa que se avizinha. A seguir, as respostas e sugestões dos economistas.


https://www.estadao.com.br/infograficos/economia,que-medidas-o-governo-pode-tomar-para-amenizar-a-crise,1085849

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