INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, DEFESA, SOBERANIA E PROGRESSO

01/12/2019


- General Marco Felicio -




O Brasil se debate, e afunda cada vez mais, preso no emaranhado de uma grave crise, causada principalmente por lideranças políticas e empresariais, criminosas. As mesmas que, ainda, por meio de seus remanescentes, estão ativas de forma absurda e livremente, aliadas a poderes aparelhados e à parcela de Imprensa venal, em dura e desafiadora oposição ao aparato legal. Assim, com base em negativos interesses comuns, tentam tornar o Executivo e o Presidente paralisados e manietados. Verdadeiros reféns, diante da passividade, covardia e leniência dos que se dizem patriotas e homens de bem.


Temos a certeza da perda de Poder da Nação e de sua soberania potências que projetam Poder, junto a nossas fronteiras e afrontam a nossa soberania, colocando interesses nacionais sob ameaças. Recentemente, ameaças européias, qualificando a Amazônia como propriedade da Humanidade. Na Venezuela, junto às nossas fronteiras, forças da Rússia, da China, do Irâ e da Coréia do Norte, prontas para a defesa dos interesses respectivos. A Rússia ocupa base militar na Venezuela. O seu apoio à Bolívia foi renovado. A China instalou, ao Sul da Argentina, grande base, voltada para atividades militares e aero-espaciais.


Aqui, continuamos presos a tratados proibitivos ao desenvolvimento de sistemas de armas nucleares e vetores respectivos, sem capacidade de defesa frente a forças nucleares, ferindo a soberania. A agravar, não destinamos verbas para pesquisas de natureza cientifica tecnológica, na busca de tecnologias de ponta para a Defesa, tecnologias duais que incrementam valor aos nossos produtos de exportação e voltados também para o bem estar da população. Uma solução seria destinar a tais pesquisas, em centros militares e civis, recursos advindos da venda de petróleo. Afinal, a defesa do Pré-Sal deverá ser feita pelas FFAA, que necessitam de sistemas de armas modernos, também para a Região Amazônica. Os benefícios advindos para a Nação seriam inumeráveis.


O principal acordo para limitação de armas nucleares foi encerrado recentemente. Esse tratado proibia armas nucleares de alcance intermediário entre 500 km e 5.500km. Encerrado por decisão única de Donald Trump, embora protestos europeus. De imediato, inicia-se corrida armamentista entre Rússia e EEUU e, também, a China. A Rússia vem desenvolvendo, à propulsão nuclear, o Burevestnik, super míssil hipersônico de alta velocidade (27 vezes a vel do som) e alcance "ilimitado".


Testado com sucesso, o míssil balístico hipersônico Avangard, é capaz de contornar, qualquer sistema de defesa. Outro míssil de longo alcance, anti navios, o Zircon, hipersônico, pode voar a até 8 vezes a velocidade do som. Em desenvolvimento, drone subaquático, de longo alcance, lançado de submarinos. Os Estados Unidos desenvolvem poderoso míssil nuclear supersônico bem como a China.


O nosso atraso é maior quando enfocamos a corrida armamentista pela IA (Inteligência Artificial), já aplicada no emprego de viaturas, aeronaves, em sistemas de armamento autônomos e em auxílio à logística e à administração de recursos, realizando estimativas diversificadas. Há necessidade premente do estabelecimento de uma Estratégia Nacional de Inteligência Artificial, a semelhança da China e dos Estados Unidos, os dois principais atores nessa área, seguidos pela Rússia, focando o desenvolvimento de armamentos autônomos e de suas implicações sociais e éticas.


Os recentes avanços tecnológicos na área de IA contribuíram para o surgimento de novos sistemas de armamentos autônomos gerando verdadeira corrida pela IA, com semelhança à corrida espacial da década de 60. Há que levar em consideração extrema a capacidade da IA para influenciar o comportamento humano. A inteligência artificial irá trazer objetos inertes à vida, tal qual a eletricidade, há um século. Tudo o que se havia eletrizado agora será cognitivado. Não existe uma definição plenamente aceita de IA. Podemos citar: pensar como seres humanos, pensar racionalmente, agir como seres humanos ou agir racionalmente. Uma definição simplificada: são sistemas artificiais inteligentes que devem funcionar, isto é, satisfazer os requisitos para os quais foram projetados. Caso contrário, seriam classificados como sistemas não inteligentes, mas “ineptos”. A definição de uma “IA forte” se dá em um sistema com capacidades de resolver ampla gama de problemas tal qual, ou ainda melhor que um ser humano, generalizando o conhecimento adquirido. Já a “IA fraca” é capaz de resolver apenas um conjunto restrito de problemas, uma tarefa específica, como um jogo de xadrez ou dirigir um carro, não sendo capaz de generalizar o seu conhecimento para outras tarefas. Até hoje, ainda, não foi desenvolvida nenhuma IA forte, sendo esse campo de pesquisa considerado o “Santo Graal” da computação. As Estratégias Nacionais de Inteligência Artificial estabelecem os objetivos, as prioridades, os incentivos e os padrões que uma nação se comprometerá a desenvolver em prol de seu crescimento tecnológico em IA.

Do ponto de vista estratégico, a inteligência artificial pode ser vista como uma tecnologia de propósitos gerais para melhorar a precisão, a velocidade e a escala de tomadas de decisão autônomas em ambientes variados. Dessa forma, substituem ou melhoram a capacidade humana em tarefas de reconhecimento de padrões, de predições e de otimizações de objetivos, Em termos militares, os EUA já desenvolveram duas estratégias assimétricas baseados respectivamente em armamentos nucleares e em armamentos de alta precisão e de invisibilidade a radares. Assim, a terceira estratégia americana se baseia no uso de novas doutrinas organizacionais e também no desenvolvimento de sistemas autônomos e de IA . Ficaremos voltados para o atraso como País de segunda categoria?

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