HISTÓRIA DE UM MEDICAMENTO

Heitor De Paola

19/05/2020




Ao escrever o titulo veio-me à memória o conto de Hoffmann “História de um Quebra-Nozes” (“Nussknacker und Mausekönig”), magnificamente musicada por Tchaikovsky. Não pela genialidade de Hoffmann, a quem não ouso me comparar, mas sim por se tratar de uma ficção surreal como a que estarei tratando aqui.

O uso ou não de um medicamento e como usá-lo discutido na imprensa e nas redes sociais e não, como é praxe, entre médicos, técnicos, farmacêuticos. Não duvido que alguém já tenha tido a ideia de realizar um plebiscito para haver uma decisão democrática. As discussões atingem níveis tão apaixonados que confirmam o velho ditado:“de médico e louco todos nós temos um pouco”. Discutem-se efeitos colaterais como se todos fossem profundos conhecedores do assunto. Ao mesmo tempo em que políticos e juristas – os mais perigosos! – julgam-se tão conhecedores que se sentem no direito de, a seu bel prazer, indicar, proibir, o diabo!

A esta altura o leitor já sabe que estou falando do princípio ativo hidroxicloroquina (HCQ), antes mais conhecido por suas formas comerciais Reuquinol, Plaquenil e outras.

Bolsonaro recomendou, portanto é uma droga de direita! A esquerda, em si mesma uma droga, não tem nenhuma droga a não ser ela própria para apresentar. Em não tendo, tem que derrubar a da direita e apela aos Supremos e aí a coisa assume o ápice do ridículo: os Supremos, que deveriam não aceitar por não conhecerem o assunto, certamente a aceitarão, pois não são Supremos? Ipso facto, sabem de tudo!

Pode-se suspeitar de que só no Brasil tais coisas aconteçam. Sinto decepcionar os que assim pensam, pois nos EUA ocorre exatamente o mesmo: Trump recomendou a HCQ? Para o Partido Democrata a droga não serve.Trump chamou o tratamento de "promissor"? A imprensa engajada e sua costumeira necessidade de ser contra tudo que Trump diga, faça ou pense, logo condenou. A lógica é simples: se Trump gosta, tem que ser ruim.Nada que não conheçamos por aqui quanto a Bolsonaro.

Temos, portanto, a definição altamente científica da HCQ: é uma droga de direita e, portanto, não pode ser usada!Não parece tão surreal como a briga do Quebra-Nozes com o Rei Rato?

Satisfatoriamente financiada por fundações bilionárias, como a de Bill & Melinda Gates, as esquerdas, lá e cá, acenam com a criação de uma vacina mágica a sair sabe-se lá quando, de onde e o que conterá, e nos ameaçam de ficar em confinamento até a chegada da mesma, uma espécie de messias de quinta categoria.

VAMOS AOS FATOS

Tanto a Cloroquina como a HCQ são vastamente usadas há décadas para prevenção e tratamento de alguns tipos de malária, doença causada por um protozoário (Plasmodium, sp.) transmitido pela fêmea infectada do mosquito Anopheles. Também são usadas em doenças autoimunes como lúpus e em artrites reumatoides. Não existem grandes diferenças entre elas, sendo que a HCQ têm menos efeitos colaterais.

No Brasil a HCQ era vendida sem restrições e necessidade de receita médica, mas como era pouco conhecida e com indicações específicas, geralmente a primeira compra era com receita comum e posteriormente não eram necessárias novas receitas. Passou a ser exigida prescrição em Receituário de Controle Especial com retenção depois que foi amplamente divulgado seu uso para o COVID-19, um uso chamado off-label: fora das prescrições usuais constantes da bula. Outro motivo que me informou uma Farmacêutica foi a compra de quantidades exageradas que indicavam que pessoas mal intencionadas poderiam estar fazendo estoques para vender mais caro quando a busca se intensificasse e desaparecesse das farmácias.

Nos EUA sempre foi exigida prescrição médica. O conselho de farmácia do Texas, p. ex., está exigindo que os médicos revelem os diagnósticos dos pacientes antes de permitir que as farmácias dispensem prescrições de HCQ. Segundo as Texas PharmacyRules “a ordem de prescrição do medicamento deve apresentar um diagnóstico por escrito do médico consistente com as evidências para seu uso”.

Por causa de sua preocupação com a privacidade do paciente que parecia incompatível com a regra sem precedentes, a Dra. Ivette Lozano declarou em entrevista com Laura Ingraham(The IngrahamAngle) que entrou em contato com o senador estadual Bob Hall para pedir ajuda para chegar ao Conselho Estadual de Farmácia do Texas. “Hall estava preocupado com a regra que parecia inibir a administração dessas prescrições potencialmente capazes de salvar vidas.Além disso, ele está preocupado com "conluio entre o conselho de farmácia e as empresas farmacêuticas que desejam impedir o uso de um medicamento barato enquanto desenvolvem um novo medicamento caro".

“Não foi apenas o establishment político que a explodiu; pareceque o establishment médico também. Isso levanta questões sobre se interesses financeiros podem estar envolvidos”.

Do ponto de vista exclusivamente médico tenho sempre opinado que os pacientes deveriam antes de tomar HCQ consultar um cardiologista e um oftalmologista. Eletrocardiograma e exame de fundo de olho afastariam os riscos dos mais perigosos efeitos colaterais: alterações do ritmo cardíaco e lesões de retina, principalmente maculares, pré-existentes.

Por outro lado, existem aqueles casos nos quais a HCK é o recurso heroico, como ocorreu no Texas também, quando o Dr. Robin Armstrong, de Galveston, viu-se frente a um desafio que todo médico gostaria de evitar: tomando conta de uma nursing home com muitos pacientes idosos e se instalou o COVID-19. Ele já tinha lido sobre os Estados de NY e Washington nos quais Coronavirus + Nursing Homes = sentença de morte certa!No desespero usou a HCK em todos, sem restrição e obteve sucesso em todos os casos, sem efeitos colaterais significativos. Um ato de heroísmo que deveria ser elogiado, mas o que recebeu foram ataques: má medicina, tratamento sem comprovação científica! Os pacientes melhoraram? Pouco importa!

A histeria anti-HCQ se instalou, tomando quase por inteiro o Partido Democrata. Uma Deputada Estadual foi contra seu partido e foi expulsa por ter defendido o mesmo que Trump”! Para os democratas, odiar Trump é uma prioridade maior; portanto, se Trump gostasse do tratamento, seria importante não apenas gritar sobre isso, mas mantê-lo longe dos pacientes - mesmo que eles tivessem que intimidá-los.

Muitos laboratórios a produzem, como Teva, Sanolfi, Novartis e outros. No momento em que o Instituto Nacional de Saúde emitiiu sua não recomendação de HCQ, estavam sendo levantadas questões sobre se isso realmente era apenas odiar Trump, pois o Painel de Tratamento COVID-19 do NationalInstituteofHealth evitou a divulgação dos enormes vínculos financeiros de seus membros com a GileadSciences, fabricante do concorrenteRemdesivir. Mas o fato é que o NIH não condenou, como muitos dizem, a HCK, apenas fez uma exposição sobre vários métodos terapêuticos propostos e ainda em estudo. Em momento algum condenou ou proibiu o uso de nenhuma droga.

Creio que nem todos os médicos pertencem a este conluio, mas não nego sua existência. Big Pharma + Médicos + Planos de Saúde + políticos corruptos metidos a ditadores. Realmente o bombardeio é muito grande para ser apenas por causas exclusivamente médicas.

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