Guerra tecnológica: os ataques da China à Lei de Chips dos EUA continuam

- SOUTH CHINA MORNING POST - Che Pan - TRADUÇÃO CÉSAR TONHEIRO - 30 AGO, 2022 -

Bandeira dos Estados Unidos vista em um microchip em uma placa de circuito. O US Chips Act foi criticado por grupos chineses. Foto: Shutterstock

Guerra tecnológica: os ataques da China à Lei de Chips dos EUA continuam, embora Pequim tenha poucas contramedidas, dizem analistas


A Lei de Chips interromperá a cooperação e o investimento em semicondutores entre a China e os EUA e prejudicará os interesses das empresas globais de chips, diz o CCPIT


A China depende muito de tecnologias importadas para projeto e fabricação de chips, tornando difícil para o país fazer avanços tecnológicos por conta própria


Os ataques da China ao US Chips and Science Act, que oferece subsídios de até US$ 53 bilhões para investimentos em semicondutores em solo americano, continuaram nesta semana, mas observadores dizem que Pequim tem poucas opções em termos de contramedidas realistas.


Grupos comerciais apoiados pelo Estado, incluindo o Conselho da China para a Promoção do Comércio Internacional (CCPIT) e a Câmara de Comércio Internacional da China, juntaram-se ao coro da mídia estatal chinesa e às vozes do governo para condenar a Lei de Chips.


A nova lei interromperá a cooperação e o investimento “normal” em semicondutores entre a China e os EUA, prejudicará os interesses das empresas globais de chips – incluindo as americanas, prejudicará a cadeia global de fornecimento de semicondutores e intensificará os riscos geopolíticos, disse o porta-voz do CCPIT, Sun Xiao, em uma entrevista coletiva na segunda-feira.


Separadamente, Li Yong, que lidera um comitê de especialistas da Associação de Comércio Internacional da China, chamou a lei dos EUA de uma forma de “hegemonia de semicondutores”, em entrevista à Xinhua na terça-feira. Li disse que as cláusulas que impedem os beneficiários de subsídios dos EUA de usar o financiamento para expandir a fabricação de semicondutores avançados em países como a China são “venenosas”.


A Lei de Chips reduzirá a capacidade geral de silício da China em 180.000 wafers de 12 polegadas por mês até 2025, de acordo com uma nota de pesquisa da ICWise, uma empresa de consultoria de semicondutores com sede em Xangai.


As críticas renovadas repetem amplamente o tom de uma declaração anterior da Associação da Indústria de Semicondutores da China, o grupo comercial apoiado pelo Estado que representa a indústria de circuitos integrados do país, que denunciou o ato como uma violação do comércio justo, enquanto alertava que a lei poderia levar o “caos” nas cadeias de suprimentos globais.


A Lei de Chips, sancionada pelo presidente dos EUA, Joe Biden, no início deste mês, também fornece US$ 200 bilhões para pesquisas em inteligência artificial, computação quântica e outras tecnologias avançadas – áreas que Pequim designou como prioridades nacionais.


O Fundo de Investimento da Indústria de Circuitos Integrados da China, também conhecido como “Big Fund”, alocou 343 bilhões de yuans (US$ 50 bilhões) em capital para o setor de chips do país. Os governos locais, incluindo Pequim e Xangai, também criaram fundos para a indústria de semicondutores, com capitalização total de 32 bilhões de yuans e 50 bilhões de yuans, respectivamente.

[Big Fund da Farra — gastos principalmente em viagens e lazer]


As reclamações da China são emblemáticas ante a inexistência de contramedidas eficazes, disseram analistas, porque tais críticas não diminuirão os esforços dos EUA para retardar o avanço da China em tecnologias fundamentais, incluindo semicondutores.


A China depende muito de tecnologia, equipamentos e materiais importados para o projeto e fabricação de chips, tornando difícil para o país fazer avanços tecnológicos por conta própria.


Os EUA também convidaram Japão, Coreia do Sul e Taiwan para se juntarem à chamada aliança Chip4, vista por Pequim como um complô para marginalizar o papel da China nas cadeias de fornecimento de semicondutores.


Em particular, Seul está equilibrando a necessidade de proteger os interesses sul-coreanos na China com as vantagens de uma importante aliança de semicondutores, dado seu papel fundamental na produção de chips de memória global.


Yang Hyang-ja, presidente de um comitê parlamentar especial sobre semicondutores, disse que a China não pode retaliar a Coreia do Sul por se juntar ao grupo, já que a participação do país em uma aliança de semicondutores liderada pelos EUA é inevitável, de acordo com um relatório do Korea Times.


Os comentários de Yang vieram antes de uma reunião preliminar dos potenciais membros do Chip4 para negociar termos e apresentar planos de ação. Seul confirmou seus planos de participar da reunião prevista para o início de setembro.


Yang conheceu anteriormente o embaixador chinês na Coreia do Sul, Xing Haiming, que lhe disse que a China e a Coreia deveriam “excluir interferência externa” quando se trata de cooperação na indústria de semicondutores.


Os gigantes sul-coreanos de memória Samsung Electronics e SK Hynix investiram pesadamente em fábricas de wafer na China. A principal prioridade de Seul era ajudar as empresas a evitar conflitos geopolíticos que possam prejudicar seus interesses comerciais na China, segundo analistas.


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https://www.scmp.com/tech/tech-war/article/3190703/tech-war-chinas-attacks-us-chips-act-continue-although-beijing-has?module=perpetual_scroll_0&pgtype=article&campaign=3190703



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