Falta diesel na Argentina: logo pode faltar pão

- GAZETA DO POVO - Mariana Braga - 7 JUN, 2022 -

Presidente argentino, Alberto Fernández, na apresentação do projeto que prevê nova tributação no país, em 06 de junho de 2022.| Foto: EFE/Juan Ignacio Roncoroni Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/falta-diesel-na-argentina-logo-pode-faltar-pao/?utm_source=whatsapp&utm_medium=midia-social&utm_campaign=gazeta-do-povo Copyright © 2022, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.

Caminhões carregados de alimentos estão nas filas dos postos de gasolina da Argentina, aguardando o abastecimento de diesel. Há dois meses, a falta do combustível prejudica principalmente o setor agropecuário, que é a maior fonte de divisas do país. Agora, a grande preocupação é o risco de faltar trigo para consumo interno e para a exportação.


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Segundo a Federação Argentina de Entidades Empresariais de Transporte de Carga (Fadeeac), entre 25 de maio e o último domingo (5), 19 dos 24 distritos argentinos apresentaram problemas de abastecimento de diesel. Além disso, na semana passada, 26% dos caminhoneiros que usam esse combustível na Argentina chegaram a esperar mais de 12 horas nos postos para conseguir abastecer e 31% aguardaram entre 6 e 12 horas na fila.


"O panorama está cada dia mais complicado. A produção agrícola e industrial, que já sofre com atrasos, será ainda mais afetada se a situação atual não for revertida", alerta o presidente da Fadeeac, Roberto Guarnieri. "Não podemos cumprir nossos compromissos em tempo hábil e empregos são perdidos devido à incerteza gerada pela falta de abastecimento normal”, completa.


O presidente da Confederação Argentina de Médias Empresas (Came), Alfredo González, ressalta que a falta de diesel "está colocando em xeque as economias regionais". González também pediu solução urgente das autoridades para evitar que a crise afete ainda mais a alta inflação na Argentina.


Diferença de preços  


Em algumas regiões do país, o problema é ainda maior devido à demanda de motoristas de países vizinhos que abastecem em solo argentino. Isso acontece porque a YPF, empresa privada com controle estatal que abastece 55% dos postos da Argentina, tomou como política atrasar os aumentos de preços necessários. Por isso, há uma diferença de valores em relação ao preço internacional, que, na última semana variou de 35 a 100%.


O país importa 1/3 do diesel que consome. A maioria das refinadoras compra de fora do país apenas o mínimo necessário para cumprir contrato. Já os postos sem bandeira precisam importar de atacado, que especialmente neste momento custa 30% mais. Nesses postos, que representam 20% do mercado, fica mais caro abastecer, então as filas se formam em torno dos estabelecimentos mais baratos.


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