EUA - Infiltração comunista chinesa atinge escala histórica

04/03/2020


- THE EPOCH TIMES -

Tradução César Tonheiro



Batalha do DOJ contra a infiltração comunista chinesa atinge escala histórica

4 de março de 2020 por Ivan Pentchoukov


A campanha do Departamento de Justiça (DOJ) para combater o ataque multifacetado do Partido Comunista Chinês aos interesses dos EUA subiu para um nível sem precedentes, segundo autoridades e documentos do governo.


Em fevereiro, o FBI conduzia cerca de 1.000 investigações sobre a tentativa de roubo de segredos comerciais pela China, apenas uma das muitas frentes da ampla campanha do regime comunista contra os Estados Unidos. Todas as delegações do FBI estavam trabalhando em casos de roubo de segredos comerciais envolvendo a China, com possíveis vítimas em quase todos os setores e indústrias, de acordo com o diretor do FBI, Christopher Wray.


Com o DOJ e o FBI sob incansável incursão partidária devido às investigações domésticas politicamente carregadas que remontam às eleições presidenciais de 2016, a iniciativa de neutralizar a ofensiva do Partido Comunista Chinês (PCC) subiu para uma escala histórica, mas passou despercebida. De acordo com uma revisão dos comunicados de imprensa do DOJ, o departamento trouxe mais acusações relacionadas à infiltração chinesa desde 2019 do que durante os oito anos inteiros do governo Obama.


"Acreditamos que nenhum país representa uma ameaça maior que a China comunista", disse John Brown, diretor assistente do FBI, durante uma conferência em 6 de fevereiro. “Do nosso ponto de vista, os Estados Unidos não enfrentam uma ameaça semelhante como essa desde a União Soviética e a Guerra Fria.


"Hoje, as investigações relacionadas ao governo da China representam uma porcentagem maior de nossa carga de trabalho em contrainteligência do que em qualquer outro momento da história do FBI."


Em novembro de 2018, o então procurador-geral Jeff Sessions lançou o esforço — formalmente conhecido como Iniciativa China — pouco antes dele deixar o cargo. Os esforços do governo Trump no assunto já haviam aumentado antes do lançamento formal. 

Sessions observou que durante os últimos quatro anos do governo Obama ninguém foi cobrado para investigar a China e que o governo Trump indiciou quatro supostos espiões apenas em 2017.


Sessions orientou o DOJ a se concentrar em uma série de prioridades relacionadas à infiltração chinesa, incluindo a identificação dos principais casos de roubo de segredo comercial, desenvolvendo uma estratégia para ir atrás de coletores de inteligência não tradicionais cooptados pelo regime comunista, e aplicar a Lei de Registro de Agentes Estrangeiros contra agentes não registrados que estivessem promovendo os interesses do regime chinês.


Desde então, as autoridades federais aplicaram acusações em vários casos históricos. As acusações mais recentes como parte da iniciativa, vislumbram a variedade de métodos que o regime comunista está usando para roubar dos Estados Unidos. Em 28 de janeiro, o DOJ acusou um professor sênior de Harvard, um estudante chinês na Universidade de Boston e um pesquisador chinês que trabalhava em um centro médico em Boston. As acusações exemplificaram como o regime chinês está usando uma variedade de abordagens para atingir as instalações acadêmicas e de pesquisas dos EUA.


O professor de Harvard, Charles Lieber, foi acusado de mentir às autoridades federais sobre o pagamento de US $ 50.000 por mês através do programa da China Mil Talentos. O estudante da Universidade de Boston supostamente mentiu sobre ser membro do Exército de Libertação Popular da China. O pesquisador supostamente roubou frascos contendo pesquisa de câncer do Beth Israel Deaconess Medical Center (BIDMC) e tentou contrabandear para a China.


"O governo chinês está adotando uma abordagem com todas as ferramentas e em todos os setores — e em resposta isso exige nossa própria abordagem com todas as ferramentas e em todos os setores", disse Wray em 6 de fevereiro.


“Para ser claro: essa ameaça não é sobre o povo chinês como um todo, e certamente não sobre os americanos de origem chinesa como um grupo. Mas é sobre o governo chinês e o Partido Comunista Chinês.”


O Partido Comunista Chinês divulgou suas ambições há cinco anos após o anúncio do plano "Made in China 2025", um esforço para toda a sociedade tornar a China a líder mundial em tecnologia da informação, robótica, energia verde, aeroespacial e outras indústrias. Segundo altos funcionários dos EUA, o progresso da China em direção à meta se baseou principalmente no roubo de inovação dos Estados Unidos.


“O governo chinês está travando uma luta geracional para superar nosso país em liderança econômica e tecnológica. Mas não através da inovação legítima, não através da concorrência justa e lícita, e não dá a seus cidadãos a liberdade de pensamento, expressão e criatividade que valorizamos aqui nos Estados Unidos”, disse Wray. "Em vez disso, eles mostraram que estão dispostos a subir a escada econômica às nossas custas."


Desde o anúncio de 2015 do plano Made in China 2025, o DOJ trouxe casos de roubo de segredo comercial em 8 dos 10 setores de tecnologia que a China aspira dominar. O planejamento central sob o regime comunista sufoca a inovação [no comunismo nada cria, tudo se copia], impossibilitando os rápidos avanços exigidos pelo plano Made in China 2025 sem o roubo sistemático de segredos comerciais. O foco do DOJ na questão corta, portanto, o âmago do plano central do regime chinês para dominação global.


Embora o número de casos de roubo de tecnologia do FBI envolvendo a China esteja aumentando desde 2003, as investigações renderam apenas nove processos nos oito anos do governo Obama, de acordo com uma revisão das acusações do DOJ. Em comparação, o governo Trump já apresentou acusações em 12 casos de roubo de segredo comercial.


"No passado, as administrações anteriores e muitas do setor privado estavam amiúde dispostas a aceitar as duras táticas [predatórias] competitivas da China", disse o procurador-geral William Barr em 6 de fevereiro. "Foi esta administração que finalmente se moveu para confrontar e neutralizar a cartilha da China."


A China está envolvida em cerca de 80% de todas as acusações de espionagem econômica apresentadas pelo DOJ e está atrelada em 60% de todos os casos de roubo de segredo comercial.


Embora o número total de processos seja relativamente pequeno, o FBI e o DOJ vêem os casos como uma ferramenta para motivar o setor privado a agir. De acordo com o advogado dos EUA, Andrew Lelling, dos cinco advogados dos EUA designados para a Iniciativa China, os recentes processos no campo acadêmico destinam-se a sacudir as universidades do setor privado para despertar a ameaça da China e reforçar as medidas internas.


A Iniciativa China aumentou ao lado de outros esforços do governo Trump para combater a China, incluindo a guerra comercial e a escalada na luta contra as falsificações chinesas.


Muitos dos casos que o FBI está investigando são baseados em leads de empresas do setor privado. Segundo altos agentes da lei, as empresas privadas relutam em declarar publicamente que foram vítimas do regime chinês, por temerem repercussões em seus negócios na China. As táticas de retaliação incluem acusações antitrustes contra empresas americanas na China.


Segundo Trevor Loudon, especialista em infiltração comunista dos Estados Unidos, a campanha do DOJ para combater a ameaça da China é sem precedentes, mesmo em comparação com a atividade de investigação durante a Guerra Fria com a União Soviética. O número de casos do FBI contra agentes soviéticos e os chamados companheiros de viagem foram espalhados por muitos anos e consistiam em grande parte de vigilância que raramente resultava em acusações formais.


“Isso é deveras sem precedentes. Mesmo no auge da Guerra Fria, nunca houve mais do que algumas dezenas de casos”, disse Loudon.


Marc Ruskin, um ex-agente especial do FBI, apontou que 1.000 casos espalhados por 56 delegações do FBI não é um número impressionante. Mas ele sugeriu que o número total pode ser maior, considerando a necessidade do FBI de proteger a integridade das investigações e evitar que elas cheguem ao conhecimento dos suspeitos.


“Pode haver 5.000 casos. As declarações públicas que a Wray poderá fazer são influenciadas por considerações estratégicas e de segurança”, afirmou Ruskin.


As acusações desde 2018 sugerem que o DOJ ampliou o leque de acusações que está disposto a dar encaminhamento de casos relacionados à infiltração chinesa. Casos de espionagem e segredos comerciais são relativamente difíceis de provar, e o governo dos EUA mostrou que está disposto a contornar a questão, conduzindo acusações de colarinho branco. Lieber, o professor de Harvard, foi acusado de mentir sobre sua afiliação a uma universidade chinesa. No ano passado, um professor associado da Universidade do Kansas foi acusado de fraude eletrônica e fraude do programa por supostamente esconder o fato de que ele estava trabalhando para uma universidade chinesa.


"O departamento passou a usar ferramentas não tradicionais para investigar e mitigar as atividades de serviços de inteligência hostis", disse Ruskin.


Diana West, especialista dos Estados Unidos em sabotagem comunista, disse que, embora o aumento das investigações e processos seja grande, muito mais precisa ser feito para combater a China da perspectiva da política.


"Eu acho que a prova está sempre nas acusações, nas prisões, que nunca parecem realmente resolver o problema na escala que está em andamento", disse West, referindo-se às muitas investigações de espionagem atômica que datam de décadas que não foram executadas.


"Quando você realmente vê a política de governo mudando ou casos indo parar no tribunal, isso se torna mais uma medida de governo levando as coisas a sério."


De acordo com o procurador dos EUA Jay Town, uma das mudanças legislativas que o DOJ pode se beneficiar é uma alteração na Lei de Registro de Agentes Estrangeiros que expandiria a definição de agentes estrangeiros além da atividade política para incluir pesquisas em nome de governos estrangeiros.


“Eu acho que seria importante ter pelo menos um ponto, onde isso não se aplicaria apenas à atividade política, mas talvez se aplicasse à atividade de pesquisa e outras coisas que permitam ao governo sanções reais e significativas. O DOJ está tentando realizar uma ação judicial contra essas pessoas que estão recebendo esses dinheiros e talvez usando-os para um propósito nefasto ”, disse Town em 6 de fevereiro.



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