Escroque da política

- IPOJUCA PONTES - 15 Set, 2020 -




EDUARDO Paes, em processso que corre em sigilo no STF por crimes de corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, é o que se pode chamar de um escroque da política (ou um político escroque, pois a ordem dos fatores não altera o produto).

Sua trajetória política é a de um genuíno carreirista obcecado por cargos executivos de mando e desmandos. Levado à atividade pelo repudiado César Maia, o carreirista Paes transitou do PFL (antiga Arena, partido da “ditadura militar”) para o PSDB de FHC, depois para o PMDB de Zé Sarney e agora está no DEM da dupla César e Rodrigo Maia. Mas, na verdade, convém lembrar ao leitor que Paes começou “na vida” como figurante das novelas tóxicas da Globolixo (queria, seguindo se diz, ser reconhecido pela vizinhança).


Depois de mil peripécias, Paes saltou do PFL para o PSDB melancia do vasilinoso FHC, legenda onde, na Câmara Federal, na dança do V-8, cuspia fogo contra Lula da Selva, então presidente de República, a quem tachava de ladrão confesso. Fazendo hora e vez no parlamento, o carreirista esperava que o PSDB o indicasse candidato a prefeito do Rio de Janeiro. Mas não deu pé. FHC, o Vasilinoso, não confiava em Paes e guardava outros planos.

Então, em busca de melhor pouso, o antigo figurante da Globolixo procurou o “honrado” Sérgio Cabral para ingressar no ardiloso PMDB e, uma vez inscrito na legenda, fazer-se candidato a Prefeito do Rio.


Por sorte, Cabral - antigo leitor (segundo ele próprio) de “Estado e Revolução”, de Lenin, e governador do Estado bafejado pela mídia amestrada – também tinha seus planos de enriquecimento ilícito e permanência ad eternum no poder: queria ser presidente da República. Sim, se Lula, analfabeto de pai e mãe, tinha chegado ao topo, por que ele não?


Enfim, o leninista Cabral facilitou o ingresso de Eduardo Paes no PMDB e, para viabilizar a candidatura do novo aliado, foi procurar apoio do “chefão” Lula, parceiro de noitadas na orgíaca mansão de Mangaratiba, litoral fluminense. De início, o “chefão” resistiu às investidas, pois tinha o ex-deputado do PSDB na conta de um grande fdp. Mas Cabral, lembrando a conveniência de se ter um aliado tomando conta da cidade, sobretudo diante das futuras obras da Copa e das Olimpíadas, teria insistido:


- O homem é dos nossos, Lulão!


O Lulão talvez tenha ficado vacilante em dar apoio ao seu desafeto. Todavia, calculando os bilhões que seriam despejados nas obras faraônicas do Rio, exigiu que o carreirista beijasse sua mão e se retratasse em carta assinada.


E foi o que Eduardo fez. Depois de acusar Lula de “mentiroso e chefe da quadrilha do mensalão” durante a CPI dos Correios, em 2005, e de denunciar repasse ilegal de R$ 5 milhões feito pela Telemar a empresa do hoje milionário Lulinha, filho do capeta, o pusilânime Paes, diante do chefão esporrento, pediu desculpas pelos “erros cometidos” e entregou carta clamando pelo perdão de D. Mariza e familiares pelas “acusações precipitadas”.


Barba, cabelo e bigode. Com o apoio decisivo de Lula, o Chacal, e de Sérgio Cabral, o leitor de Lenin, Eduardo Paes formou o Trio da Pesada, capaz de cometer qualquer tipo de falcatrua para ter acesso aos milhões dos cofres públicos, via propinas e achaques.


O prontuário delituoso de Paes não é mole. Façamos breve relato: em 2008, o STF abriu inquérito para apurar denúncia de caixa 2 no montante de R$ 650 mil para sua campanha à Prefeitura do Rio. Segundo delatores da Odebtecht, o trato era a empreiteira vencer contratos de obras nas futuras concorrências da prefeitura.


Em 2010, Eduardo Paes achacou Benedicto Junior, executivo da Odebrecht, para levar R$ 2 milhões para o campanha de seu parceirinho Pedro Paulo, então candidato a deputado federal. Ele pediu e foi atendido.


Em 2012, na campanha de reeleição para a prefeitura, Paes levantou R$ 15 milhões, via caixa 2, do Grupo Odebrecht. Segundo o mesmo Benedico Junior, a empreiteira tinha interesse na facilitação das obras dos Jogos Olímpicos de Verão. No esquema fraudulento, a grana, em espécie, foi paga à Prole Propaganda, conforme recomendação do amigo Pedro Paulo.


Em 2014, o prefeito Paes teria facilitado novas transações com a Odebrecht objetivando levantar R$ 300 mil para a campanha de reeleição do amigo dileto Pedro Paulo.


Por sua vez, em delação homologada pelo STJ, o ex-presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros (Fetranspor), Lélis Teixeira, declarou que Eduardo Paes e o amigo Pedro Paulo teriam recebido ao menos R$ 50 milhões, via caixa 2, para a campanha eleitoral. Em troca, a Fetranspor receberia benefícios fiscais e tarifários no setor de transportes.


No mesmo tom, o marqueteiro do MDB, Renato Pereira, em acordo fechado com a PGR, afirmou que Eduardo Paes, Pedro Paulo, Pezão e Sérgio Cabral negociaram pagamento em dinheiro do caixa 2 nas campanhas entre 2010 e 2016. A grana, em malas e sacolas, era repassada pela Andrade Gutierrez, Odebrecht e Jacob Barata, dono de empresas de transportes no Rio.


Na trajetória política de Paes, onde se apertar sai pus. Em data recente, ele foi denunciado pelo MP-RJ e se tornou réu por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido na sua casa da Barra da Tijuca para levantar provas. As investigações concluíram que o ex-prefeito recebeu “vantagens indevidas” no valor de R$ 10,8 milhões, “cash”.


Outra coisa que chama atenção é o curioso relacionamento de Paes com o parceiro Pedro Paulo. Tido como um homem violento, o amigo de Paes, em 2008, agrediu a socos e pontapés a mulher, Alexandra, diante da própria filha. Ela alegou o ter flagrado em adultério. Depois do exame de corpo de delito, foi aberto um inquérito. Estranhamente, após seis anos, a mulher, pressionada, mudou a conversa. E aceitou que tudo não havia passado de “briga de casal”.


Mais estranho ainda, senão criminoso, é o fato de que Paes, com semelhante prontuário, além de processado em ação pública por improbidade administrativa e de ter bens bloqueados em juízo em mais de R$ 7 milhões e, em suma, de ser um ficha sujíssima, permaneça livre, leve e solto. E, pior, candidato a prefeito do fatídico Rio.


Tal fenômeno, nem a permissiva Justiça Eleitoral explica.

Voltaremos ao assunto.

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