Entendendo o básico sobre o homeschooling - e respondendo às três críticas mais comuns

- MISES BRASIL - Daniel Chaves Claudino - 21 MAI, 2022 -


"Criamos um arranjo educacional no qual as crianças devem suprimir seus instintos naturais — os quais as estimulam a estar no controle do próprio aprendizado — para, em vez disso, simplesmente seguirem automaticamente métodos e caminhos criados para elas por adultos, e os quais não levam a lugar nenhum."- Peter Gray, autor de Livre para Aprender.


Para a grande maioria da população, o homeschooling (ensino domiciliar) é algo tão estranho e radical que nem sequer é cogitado como uma possibilidade, quiçá como algo que possa ser viável e benéfico.


Apesar de ter relevância estatística ainda muito pequena em termos da porcentagem da população que o pratica ou o defende, o homeschooling tem crescido em visibilidade no Brasil. Do ponto de vista mais prático, esse crescimento, mesmo que perceptível, ainda esbarra em diversos obstáculos como, por exemplo, a escassez de recursos pedagógicos e a falta de uma cultura e de uma mentalidade favoráveis ao homeschooling. Acima de tudo, esbarra nas questões legais e até mesmo em sua interpretação equivocada.


Seria uma tarefa hercúlea tentar escrever algo abrangente e detalhado sobre homeschooling em formato de artigo. Assim sendo, o objetivo aqui é tentar esclarecer os pontos que são mais frequentemente distorcidos ou que geram confusão.


Fundamentos da educação convencional


O atual paradigma educacional é fundamentado em algumas premissas gerais, resumidas a seguir:


a) existe uma idade ótima a partir da qual o aluno deve ser ensinado;


b) tal ensino deve ser ministrado por profissionais qualificados e munidos de ferramentas e teorias pedagógicas;


c) esse arcabouço pedagógico é inacessível ao "cidadão comum";


d) alunos da mesma idade têm (aproximadamente) a mesma capacidade e bagagem intelectual e, portanto, este passa a ser um parâmetro natural de segregação;


e) essa forma de divisão é a ideal e a única que permite a "socialização" dos alunos.


É importante explicitar essas características do sistema educacional vigente porque muitos dos equívocos que rondam o homeschooling têm a ver com uma visão romantizada do funcionamento desse sistema, de modo que qualquer tentativa de se distanciar desse padrão é vista como uma atitude retrógrada e incapaz de atender às necessidades educacionais básicas das pessoas em formação.


Com isso em mente, abaixo são listados os três pontos de maior contenda quando se trata do homeschooling.


O homeschooling não é um experimento educacional alternativo à educação praticada nas escolas


Apesar de diversos relatos de educação coletivizada compulsória ao longo da história, a origem do sistema educacional atual em quase todos os países do mundo pode ser rastreada até o século XVIII, na Prússia, um dos inúmeros pequenos estados que viriam a se unificar sob a atual Alemanha.


A característica notória que colocava a Prússia separada das demais nações da época era a exacerbada tendência militarista, normalmente sob pretextos nacionalistas. Após ser subjugada durante a expansão napoleônica, a Prússia passou por profundas reformas com o objetivo de evitar novas subjugações.


As primeiras mudanças notáveis foram no campo da educação. Dada a atmosfera militarista na Prússia, o objetivo da escola prussiana era formar soldados, independentemente do setor da sociedade em que fossem atuar. Como disse Murray Rothbard em suas pesquisas sobre o tema:

Com o sistema de escolas obrigatórias surgiram renascimento e a grande expansão do exército, em particular a imposição do serviço compulsório militar universal.

Um dos objetivos do método prussiano era a formação de uma sociedade altamente "educada", que nada mais era do que um sistema pedagógico em que o individualismo daria espaço à uniformidade e à padronização. A espontaneidade deveria ser substituída pela obediência. Tudo isso era supervisionado por uma seleta casta de intelectuais com o aval do monarca.


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