Endividados, lojistas têm dificuldade até para fechar o negócio

- DIÁRIO DO COMÉRCIO - 17 Mar, 2021 -

Fátima Fernandes -


Para reduzir ou quitar débitos, comerciantes recorrem à Justiça, especialmente para a troca do IGPM pelo IPCA em contratos de locação

Se já estava ruim, a relação entre lojistas e administradoras de shoppings piorou ainda mais com as novas medidas do governo que fecharam praticamente todo o comércio no Estado de São Paulo.


Uma enxurrada de ações está sendo levada à Justiça por lojistas. O objetivo é reduzir as dívidas com os donos dos centros comerciais, que se arrastam desde o ano passado.

O endividamento dos comerciantes chegou a tal ponto que os impede até de encerrar as suas atividades.


“Se eu tivesse condições, fecharia hoje as quatro lojas que tenho em shoppings. Não faço isso porque não consigo quitar as dívidas”, afirma Rodrigo Sillos Gomes, sócio da Quadros e Cia.


De 2017 a 2019, Sillos Gomes estava animado com o seu negócio, período em que pulou de uma para cinco lojas em shoppings na região metropolitana de São Paulo.


O plano era continuar crescendo. “Com a pandemia, mudou tudo. Todo o capital financeiro que tinha acabou, assim como os recursos obtidos por meio de empréstimos”, diz ele.

O lojista acaba de entrar com uma ação na Justiça para a troca do índice IGPM pelo IPCA no contrato de locação feito com o shopping Grand Plaza, onde fechou uma loja.


“Em um ano difícil, quando o faturamento caiu pela metade, como pagar um aluguel 25% maior do que o de antes da pandemia. Não faz sentido”, afirma Sillos Gomes.


Guilherme Nalon, sócio da Giftsmart, loja de acessórios para telefones, conseguiu uma liminar da Justiça para a redução de 30% no valor dos aluguéis de março e dezembro de 2020 e janeiro deste ano em contrato com o shopping Santa Cruz, onde fechou um quiosque.

“Chegamos a propor acordo quando decidimos sair, mas o shopping não aceitou, e ainda cobrou mais 30 dias de aviso prévio. Por isso, decidimos ir à Justiça”, diz Nalon.


O restaurante Piadina, localizado no shopping Morumbi, também conseguiu liminar para a suspensão do pagamento do 13º aluguel e de 50% do aluguel mensal por seis meses, a partir de dezembro de 2020.


Os casos dos lojistas citados acima são corriqueiros desde que começou a pandemia. O comerciante quer a redução de despesas, e o shopping quer seguir à risca os contratos.


“Estamos preparando umas 50 ações de lojistas para entrar na Justiça somente para a troca do IGPM por outro índice de reajuste de aluguel”, diz o advogado Daniel Cerveira.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) de fevereiro subiu 2,53%, acumulando alta de 5,17% no ano e de 28,94% em 12 meses.


“O argumento é que este índice é influenciado por câmbio, preços de commodities, sendo muito volátil, não refletindo o cenário do varejo”, diz Cerveira.



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