Em torno do vírus chinês

Ipojuca Pontes

21/05/2020



1 - “Diário do Poder”, bem informado site político editado em Brasília, noticiou que o ministro Ernesto Araújo, do MRE, estuda a possibilidade de se juntar a ministra dos Negócios Exteriores da Austrália, Marise Payne, em defesa de uma investigação independente sobre a probabilidade de o vírus chinês ter sido (ou não) desenvolvido em laboratório de manipulação biológica instalado em Wuhan, epicentro da pandemia que tomou conta do mundo. Os dois diplomatas conversaram longamente sobre o tema, a despeito da recusa veemente do ditador Xi Jinping em admitir tal hipótese. A consequência imediata da proposta foi a elevada taxação sobre a compra da cevada australiana, além da suspensão de importação da carne de quatro frigoríficos de Camberra, capital da Austrália, dois deles da brasileira JBS. Quem falou em retaliação?


(O conflito entre China e Austrália é antigo. Há bom tempo, o governo australiano acusou a China de apropriar-se de ilhas em disputa no Mar do Norte para ocupá-las com contingentes militares, armas e mísseis. No litígio, o governo da Austrália pediu apoio dos Estados Unidos, ao tempo em que os chineses ironizaram a denúncia afirmando que a ocupação militar das ilhas é coisa antiga. Em 2017, atravessando crise política profunda, o parlamento da Austrália aceitou a renúncia de um senador acusado de receber suborno chinês. Em seguida, o governo promulgou lei que impedia qualquer investimento da China nos negócios estratégicos ou em partidos políticos australianos).

2 – A cada 15 dias, à medida que cresce a ação devastadora do vírus chinês. exterminando milhares de pessoas (mais de 320 mil até maio) enquanto a economia mundial é detonada, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, aparece acusando a China de ocultar os efeitos letais do coronavírus. Ele acentua o fato de que em dezembro passado a peste virótica já grassava em Wuhan, epicentro da pandemia, matando médicos e hospedeiros do vírus.


Nas suas falas sobre o coronavírus, Pompeo - ex-diretor da Agência Central de Inteligência (CIA) – insiste em ter acesso aos laboratórios do Instituto Nacional de Biologia instalados na capital de Hubei. Inutilmente.


Para o secretário Pompeo, tido como um “falcão exemplar”, há mais do que evidências nas conjecturas levantadas. Uma delas pode ser o trabalho de um casal de agentes chineses infiltrado no Laboratório Nacional de Microbiologia da Unipeg, no Canadá. Em março de 2019, descobriu-se que um perigoso lote do coronavírus havia desaparecido. Com efeito, o desvio foi atribuído ao cientista Keding Cheng e sua esposa, a Dra. Xaingguo Qiu, especialista em guerra biológica.


Uma vez na China, Qiu passou a frequentar o Laboratório Nacional de Biosegurança de Wuhan, diretamente ligado ao programa de guerra biológica da China, tais como o Instituto de Virologia de Wuhan, a Academia de Ciências Médicas Militares de Chang Chun e outras instituições semelhantes.


No contexto, James Giordano, especialista senior em guerra biológica do Comando de Operações Especiais dos EUA, acredita que a China integrou militares e acadêmicos de biociências trabalhando para que tenham capacidade de liberar agentes biológicos ofensivos através de armas como foguetes de artilharia, bombas aéreas, pulverizadores e mísseis de curto alcance. (Ver dados do portal Greatgameindia, especializado em geopolítica e relações internacionais).

3 – A revista alemã “Der Spiegel” (“O Espelho”) noticiou que Xi Jinping telefonou em janeiro ao comunista etíope Tedros Abhanom solicitando que o chefe da OMS segurasse a informação de que o vírus chinês não era um agente transmissor da pandemia. Tedros contestou a informação da revista afirmando que ela era falsa, pois não costumava falar com Xi Jinping por telefone, embora, à época, a OMS garantisse que o vírus chinês nada tinha de contagioso ou letal.


É difícil acreditar na palavra de Tedros. Sua biografia comporta, além de denúncia de corrupção, o fato comprovado de ter ocultado epidemias de cólera quando de sua passagem pelo ministério da Saúde da Etiópia - razão pela qual foi alvo de violentos protestos por parte da população do país.


Semana passada, porta-voz do governo chinês aventou a possibilidade de a OMS levantar uma investigação transparente nos laboratórios de biologia de Wuhan acusados de produzir o coronavírus. Mas, segundo o informe, só depois de debelada a expansão da pandemia.

4 – Xi Jinping assumiu a liderança do Partido Comunista Chinês em 15 de novembro de 2012. Na ocasião, jurou cumprir a grande missão do partido em expandir a obra do Timoneiro Mao Tze-tung pelo mundo até 2049, ano em que a revolução popular chinesa completará 100 anos de existência. Posteriormente, reunindo países como Rússia, Coreia do Norte, Índia e Iran na Cimeira de Xangai, em 2018, Xi ressaltou seu empenho em criar um novo sistema alternativo ao modelo ocidental desestabilizado. Nas palavras dele, o destino da China será o de se transformar na principal potência militar, econômica e política do planeta.


O ditador chinês, embora acredite piamente na força das armas, adota como estratégia para consolidar o Império da China, recuperar as novas “rotas das sedas”, o que consiste, como já disse, em financiar pelo mundo afora construção de estradas, portos, aeroportos, obras de infraestrutura, bancos, fábricas, empresas de telefonia, informática, plantações de grãos etc. – tudo para estabelecer a liderança da China na Europa, Ásia, Estados Unidos, Oriente Médio e América do Sul.


Só no Brasil, a China detém o controle de pelo menos 8% de terras úteis para o cultivo do milho, da soja e criação de gado. Na África, onde já despejou US$ bilhões na expansão da “nova rota das sedas”, o Império Vermelho domina quase metade do

continente – o que Xi, com certo eufemismo, aponta como a “solução chinesa”, o que compreende, quase sempre, a perda da soberania dos países ocupados.

5 – Para finalizar, em meio ao terror disseminado pela pandemia, uma notícia promissora: a empresa farmacêutica Moderna, dos Estados Unidos, anuncia uma vacina que poderá combater a infecção causada pelo coronavírus. A aplicação de reforço da vacina excedeu os níveis de anticorpos encontrados nos pacientes que se recuperaram do vírus. E há outra vacina testada com êxito por cientistas da Universidade de Oxford, superada a fase de testes com cobaias . Mas tudo demanda algum tempo.


Enquanto espera, o presidente Donald Trump toma um comprimido diário da Cloroquina, que considera medicamento eficiente, bom e barato.

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