Elites empresariais americanas se tornaram lobistas para a China, diz especialista

- THE EPOCH TIMES - Michael Washburn - TRADUÇÃO CÉSAR TONHEIRO - COMENTÁRIO HEITOR DE PAOLA - 15 JUN, 2022 -

O líder chinês Xi Jinping e o vice-primeiro-ministro Liu He (E) participam de uma sessão de fotos em grupo com o ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger, o ex-secretário do Tesouro dos EUA Henry Paulson (D) e membros de uma delegação do Fórum da Nova Economia de 2019 antes de uma reunião no Grande Salão do Povo em Pequim, China, em 22 de novembro de 2019. (Jason Lee-Pool/Getty Images)

É impressionante como a história se repete! Não que Hegel e Marx tivessem razão, porque só se repete quando as pessoas não conhecem a história ou lhes parece melhor repetí-la. Quando Lenin viu que a Rússia Bolchevista ia soçobrar, inventou a NEP (Nova Política Econômica) e o dinheiro que já jorrava de Wall St. decuplicou. Veio Stalin e acabou com a farra.

COMENTÁRIO HEITOR DE PAOLA -


As práticas comerciais abusivas bem documentadas de Pequim, os abusos dos direitos humanos e a agressão territorial têm sido difíceis de conter, por um lado, de certo modo, se deve à falta de alinhamento entre a liderança política e militar das nações democráticas, e por outro lado, as elites empresariais ocidentais envolvidas comercialmente com a China, disseram os palestrantes em uma audiência realizada pelo think tank American Enterprise Institute em 14 de junho.


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Executivos americanos e europeus tendem a permitir que os líderes de Pequim os acalmem no sentido de que o governo da China é [mui] amigo, e mudar essa falsa sensação é de suma importância para tomar medidas efetivas contra a agressão do Partido Comunista Chinês (PCC) e proteger a segurança nacional, além dos interesses econômicos e políticos das potências ocidentais, disseram os especialistas.


Intitulada “Defendendo as economias ocidentais contra práticas injustas chinesas”, a audiência contou com um longo depoimento do deputado Darin LaHood (R-Il.), que emitiu um alerta severo sobre o que ele vê como um perigo que a China representa para o mundo.


“A China, do meu ponto de vista, é uma ameaça existencial de várias maneiras – do ponto de vista da segurança nacional, do ponto de vista econômico, do ponto de vista comercial, do ponto de vista cibernético. Digo isso com frequência: a China tem um plano para nos substituir, economicamente, militarmente, e você pode verificar”, disse LaHood.


Mas mesmo que os governantes de Pequim tenham ambições contrárias aos interesses dos Estados Unidos, os estreitos laços econômicos entre as potências muitas vezes impedem que algumas pessoas vejam a questão com clareza, argumentou LaHood. No 18º distrito congressional no centro de Illinois que ele representa, disse LaHood, os meios de subsistência de seus eleitores dependem fortemente do comércio com a China.


“Temos o oitavo maior distrito agrícola do país. Cerca de 1/3 do milho e da soja que nossos agricultores cultivam vão para a China todos os dias. Temos a maior concentração de trabalhadores da Caterpillar em todo o mundo. Em nosso distrito, fabricamos muitos motores, tratores e escavadeiras”, disse LaHood.


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A Caterpillar tem 29 fábricas e quatro instalações de P&D na China, ressaltou. Dadas essas realidades, há uma desconexão óbvia entre grande parte da retórica ouvida no Congresso, onde os legisladores estão pedindo uma mentalidade da Guerra Fria para combater a ameaça do PCC e a realidade cotidiana de uma estreita parceria econômica entre trabalhadores americanos e empresas chinesas.


Se os argumentos apresentados na época em que a China entrou na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001 se provassem verdadeiros, e a admissão no órgão deu início a um sistema comercial mais baseado em regras e ao estilo ocidental para a China, então a desconexão entre as posições políticas e econômicas não seria tão severa, argumentou LaHood. Mas as promessas feitas na época em que Pequim buscou entrar na OMC se mostraram vazias, disse ele.


“No geral, eles não se adaptaram ao sistema baseado em regras. Eles continuam a roubar nossa propriedade intelectual, continuam a não cumprir as mesmas regras e padrões que todos os países industrializados do mundo fazem”, comentou LaHood.


A Dimensão Psicológica


As elites da China tornaram-se altamente hábeis em lisonjear os egos dos líderes e representantes empresariais americanos e manter a relação econômica profundamente arraigada e em desacordo com os objetivos políticos dos EUA, disse James Palmer, vice-editor da Foreign Policy, para uma revista com sede em Washington.


Os empresários americanos se sentem atraídos pela “atração gravitacional” de um mercado chinês de 1,3 bilhão de consumidores e o enorme potencial comercial que veem lá, a atração de tremendos lucros silencia a reação dos líderes empresariais dos EUA sobre os abusos desenfreados, como roubo de propriedade intelectual (PI), disse.


O roubo de propriedade intelectual por entidades chinesas custou aos Estados Unidos cerca de US$ 225 bilhões a US$ 600 bilhões por ano nos últimos anos, segundo a Comissão sobre o Roubo de Propriedade Intelectual Americana.


“Vimos uma relutância em cooperar com o roubo, mas nada disso realmente dissuade as empresas de querer entrar no mercado [chinês], que obtém os benefícios de mão de obra barata e mão de obra barata livre de sindicatos, porque se há uma coisa o PCC odeia, são os sindicatos”, disse Palmer.


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Quando empresários americanos viajam para a China, muitas vezes se mostram suscetíveis a garantias sobre a centralidade da parceria econômica EUA-China e a elogios sobre seu próprio papel em sustentá-la, sugeriu Palmer. É importante observar atentamente a forma como o PCC tem como alvo os executivos ocidentais para esses tipos de manobras psicológicas, disse ele.


“Você chega a Pequim e se hospeda no Shangri-La Hotel ou no Mandarin Oriental — padrão cinco estrelas — e se vê cercado de jovens chineses agradáveis que lhe dizem o quanto você é importante, e quão importante é o relacionamento EUA-China, o quanto os negócios são críticos para eles e que existem extremistas em ambos os lados, mas você pode ser aquele que fala com moderação, e que se torna a ponte”, disse Palmer.


“E então você volta e diz em [Washington] DC, oh, os chineses são realmente pessoas bem razoáveis. E você efetivamente se transforma em um lobista” para o PCC, acrescentou.


Palmer descreveu esse tipo de ofensiva branda direcionada a empresários americanos como difícil de combater porque é claro que não é possível ou, objetivamente falando, desejável impedir conversas amigáveis entre chineses e americanos visitantes. Os líderes empresariais e políticos devem usar táticas eficazes. Palmer citou o exemplo das sanções dos EUA impostas à fabricante de smartphones e equipamentos de alta tecnologia Huawei em 2019 como um exemplo de um meio eficaz de responder a práticas chinesas abusivas.


“A Huawei nos forneceu alguns modelos muito úteis de sanções e ferramentas de sanção que foram revitalizadas e usadas contra a Rússia”, disse Palmer.


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A dissociação econômica também pode ocorrer como resultado das próprias iniciativas de Pequim, acrescentou. Isso acontece quando as autoridades chinesas sofrem “paranóia interna” sobre a influência dos EUA, ou o que os líderes do PCC consideram como “infiltração cultural e econômica americana”, continuou ele. Um exemplo disso está evidente na indústria do entretenimento, onde os filmes feitos nos Estados Unidos têm dificuldade em passar pelos censores que exibem produtos cinematográficos.


“Hollywood durante anos foi um excelente exemplo de uma indústria americana que faria tudo o que Pequim dissesse para obter acesso, mas tão poucos filmes estão obtendo permissão para entrar agora na China, uma vez que essa paranóia está começando a afetar Hollywood”, disse Palmer.


Michael Washburn é um repórter de Nova York que cobre tópicos relacionados aos EUA e à China. Ele tem formação em jornalismo jurídico e financeiro, e também escreve sobre arte e cultura. Além disso, ele é o apresentador do podcast semanal Reading the Globe. Seus livros incluem “The Uprooted and Other Stories”, “When We’re Grownups” e “Stranger, Stranger”.


PUBLICAÇÃO ORIGINAL >

https://www.theepochtimes.com/american-business-elites-have-become-lobbyists-for-china-expert-says_4533198.html


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