Diplomacia lobo guerreiro pode por fim ao acordo UE-China

- THE EPOCH TIMES - 28 Mar, 2021 -

FRANK FANG - TRADUÇÃO CÉSAR TONHEIRO


Um importante acordo de investimento entre a União Europeia e a China foi questionado depois que a China recorreu à diplomacia agressiva em resposta às sanções da UE.


A União Europeia, os Estados Unidos, o Reino Unido e o Canadá em 22 de março divulgaram sanções coordenadas contra as autoridades chinesas responsáveis pela política opressora do Partido Comunista Chinês (PCC) na região do extremo oeste de Xinjiang. A UE sancionou quatro autoridades chinesas sob o novo Regime Global de Sanções de Direitos Humanos da UE, que entrou em vigor em dezembro do ano passado.


O PCCh está cometendo genocídio contra os uigures em Xinjiang, sujeitando-os à esterilização forçada, aborto forçado, tortura, trabalho forçado e remoção de crianças de suas famílias. Além disso, mais de um milhão de uigures estão sendo detidos em campos de internamento - instalações que o regime comunista defendeu como “escolas de treinamento vocacional”.


A China reagiu com sanções contra parlamentares canadenses, autoridades de direitos religiosos dos EUA, legisladores do Reino Unido e políticos da UE - incluindo cinco membros do Parlamento Europeu.


A aparente retaliação do regime chinês irritou os governos europeus, com pelo menos nove países - incluindo Bélgica, Dinamarca, França e Suécia - convocando embaixadores da China em seus países para protestar.


As embaixadas chinesas na União Europeia também tomaram medidas defensivas. De acordo com a mídia estatal chinesa Guancha, embaixadas chinesas em 15 países europeus apresentaram queixas sobre as sanções de Xinjiang nos ministérios das Relações Exteriores dos países a partir de 25 de março.


As tensas relações entre a China e a UE agora colocam o acordo de investimento bilateral - que foi assinado em dezembro do ano passado, após sete anos de negociações - à beira do colapso. O acordo, que ainda não foi ratificado pelo Parlamento Europeu e aprovado pelo Conselho da UE, há muito é criticado pelos constantes abusos dos direitos humanos e pelas más condições de trabalho na China.


Em 27 de março, Norbert Röttgen, presidente do Comitê de Relações Exteriores do Bundestag, o parlamento da Alemanha, disse que o acordo de investimento não está indo a lugar nenhum no momento, de acordo com o jornal diário alemão Augsburger Allgemeine.

Röttgen disse que não poderia imaginar que haveria consenso no Parlamento Europeu para ratificar o acordo de investimento, desde que a China puniu os membros do Parlamento Europeu simplesmente por “exercerem sua liberdade de expressão”.


“A UE e os Estados membros devem deixar isso claro para Pequim”, disse Röttgen.

Röttgen não é o único a expressar preocupações sobre o acordo de investimento. De acordo com um artigo de 26 de março no diário alemão Merkur, três dos quatro maiores partidos no Parlamento Europeu disseram que são contra a ratificação do acordo de investimento, enquanto as sanções chinesas vigorarem.


Jörg Wuttke, presidente da Câmara de Comércio Europeia na China, disse a Merkur que o acordo de investimento não seria discutido no Parlamento Europeu no futuro próximo.