DÍVIDA PÚBLICA CHEGANDO 100% EM 2020

- DIÁRIO DO COMÉRCIO - 8 Fev, 2021 -

Flávio Esteves Calife


O benefício contribuiu para redução da inadimplência do consumidor no segundo semestre. Foi uma surpresa, porque se esperava uma explosão do endividamento com as restrições ao trabalho e a redução da renda

Auxílio emergencial e os pagamentos no mercado de crédito



Os efeitos nocivos do novo coronavírus sobre a população e a economia tomaram as manchetes no ano de 2020. Dada a alta velocidade de propagação do vírus, a procura por uma vacina eficaz no combate ao mesmo se tornou prioridade e, em tempo recorde, diversas alternativas surgiram. Contudo, mesmo com a imunização da população, prevista para os próximos meses, o tempo de recuperação da economia como um todo deverá ser mais longo.

Evidentemente, vacinar a população é o primeiro e mais importante passo na tentativa de reverter o cenário caótico deixado até aqui e, a partir de então, a economia deverá receber cuidados especiais.


Uma das discussões agora se concentra na continuidade ou não do programa de auxílios emergenciais, que com sucesso, aliviou a situação financeira de muitas famílias. E essa não é uma discussão somente nacional. Embora o auxílio tenha sido fundamental durante a pandemia, seria, no mínimo, imprudente desprezar o efeito disto sobre o resultado fiscal.

Em 2019, a relação entre a dívida pública e o PIB era de aproximadamente 76%, mas esse número pode ter atingido a marca de 96% em 2020 (a se confirmar nas próximas mensurações do BCB e do IBGE).


A tabela ao lado deixa claro o efeito do auxílio emergencial sobre as contas do governo, com forte aumento do déficit de abril a setembro. Diante disto, ainda que a situação não seja totalmente favorável à população, a continuidade do programa de auxílios emergenciais, no molde atual, também não seria saudável à economia como um todo, dado que o processo de reversão do impacto da pandemia sobre as contas públicas é demasiadamente longo, como mostram os dados projetados pela Secretaria do Tesouro Nacional, Fazenda e Ministério da Economia.


A título de comparação, a economia estimada com a reforma da previdência seria de R$ 800 bilhões em 10 anos e, desde o início da pandemia, já foram gastos aproximadamente R$ 700 bilhões.


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