Cuba é o centro do serviço de inteligência para o movimento totalitário mundial

- THE EPOCH TIMES - Ella Kietlinska e Joshua Philipp - TRADUÇÃO CÉSAR TONHEIRO - 20 FEV, 2022 -

Orlando Gutierrez-Boronat, coordenador da Assembleia da Resistência Cubana. (Zheng Wang/The Epoch Times)

Cuba é um importante centro de um movimento totalitário mundial e sua rede de inteligência espalhou sua influência por todo o hemisfério ocidental, disse Orlando Gutierrez-Boronat, coordenador da Assembleia da Resistência Cubana.


Os cubanos comunistas forneceram a estrutura de inteligência e a estrutura organizacional para o regime chinês expandir seu poder no hemisfério ocidental, disse Gutierrez-Boronat ao programa “Encruzilhada” da EpochTV.


Cuba, com sua localização estratégica chave, tem sido uma plataforma ideal para influenciar os Estados Unidos e a América Latina, disse o ativista. “Eles são um inimigo muito considerável para os Estados Unidos e o hemisfério ocidental.”


Gutierrez-Boronat citou Herbert Marcuse, um proeminente estudioso marxista da Escola de Frankfurt associado à Universidade de Columbia em Nova York, que disse que “a revolução comunista em Cuba foi essencial para a revolução comunista nos Estados Unidos”.


O partido comunista cubano está muito confiante de que está ganhando terreno na América Latina e nos Estados Unidos, disse o ativista. Os comunistas acreditam que “embora [a nação americana] seja mais forte, culturalmente, está mais fraca”, acrescentou.


“Então eles têm uma visão de longo prazo de como corroer nossas instituições, como penetrá-las de baixo para enfraquecer a determinação de resistir à tirania.”


Os comunistas cubanos percebem a polarização e divisão interna nos Estados Unidos como o momento certo para uma luta de classes, que disfarça como uma luta racial (Teoria Crítica da Raça), disse Gutierrez-Boronat.


“Todas essas fraquezas facilitam a prosperidade da ideologia totalitária. E para muitos jovens, isso torna sua determinação de resistir a essa tirania totalitária muito mais fraca.”


Embora Cuba seja um país pequeno, é muito influente na América por sua história e cultura, destacou o ativista.


Os comunistas cubanos desenvolveram uma presença de longo prazo da inteligência comunista cubana em todo o hemisfério durante 63 anos de seu governo, explicou o ativista. Eles identificaram, recrutaram e colocaram em posições centrais – ativos-chave do comunismo, continuou ele, e é com isso que contribuem para suas relações com o Partido Comunista Chinês (PCC).


“Os chineses estão estabelecendo uma presença muito forte na América Latina e o que os cubanos lhes fornecem é uma inteligência muito boa sobre quem é quem na América Latina.


“A China não apenas investiu em uma estrutura insular, ela investiu em um serviço de inteligência que está operando há muitos e muitos anos. E esse serviço de inteligência é muito claro que seu inimigo são os Estados Unidos e estão derrubando a cultura americana e a vida americana.


O regime comunista cubano influenciou a Venezuela, disse Gutierrez-Boronat, acrescentando que o líder venezuelano Nicolás Maduro foi recrutado por comunistas cubanos, treinado em Cuba, apoiado e ajudado a alcançar o poder pelo regime cubano e agora está em dívida com o regime.


O regime também influenciou a Nicarágua, teve um papel muito ativo na subversão da Colômbia e na queda de sua economia e tem uma aliança muito próxima com o governo do México e o presidente de Honduras, explicou Gutierrez-Boronat. “O governo da Argentina também é simpatizante desse regime.”


O presidente da Argentina, Alberto Fernández, assinou um acordo com o regime chinês nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim em 6 de fevereiro, escreveu o analista político Anders Corr para o Epoch Times.


O acordo estipula que a Argentina se juntará à Iniciativa do Belt & Road [Cinturão e Rota da China] (BRI), reconhecerá as reivindicações da China sobre a Taiwan democrática, tomará outros US$ 23,7 bilhões em empréstimos para o desenvolvimento de infraestrutura chinesa e deixará de reconhecer Taiwan.


Em dezembro, a Nicarágua tomou a antiga embaixada de Taiwan para entregá-la a Pequim, depois que o estado da América Central encerrou unilateralmente as relações diplomáticas com a ilha autônoma em favor da China e declarou Taiwan como parte do território chinês.


A nova presidente hondurenha Xiomara Castro lançou a ideia de abandonar os laços diplomáticos com Taiwan em favor do regime chinês durante sua campanha eleitoral. No entanto, depois que o vice-presidente taiwanês William Lai compareceu à posse de Xiomara Castro no final de janeiro, a presidente recém-eleita decidiu manter relações diplomáticas com Taipei.


Nova fase do comunismo


Forças de segurança cubanas posam ao lado de seus treinadores chineses em uma escola de treinamento do governo cubano em 2016. (Cortesia de ADN Cuba)

Em julho, a ADN Cuba, uma rede de notícias cubana independente que publica em espanhol, divulgou a história sobre a Polícia Armada do Povo, a força de segurança interna paramilitar chinesa, treinando os boinas negras cubanas, um grupo militar de elite dedicado à repressão de protestos antigovernamentais.


Acredita-se que a Polícia Armada do Povo tenha sido enviada por Pequim para reprimir os manifestantes do movimento pró-democracia de Hong Kong em 2019.


“Acredito que esses estados totalitários: Irã, Rússia, China, Cuba, Venezuela, têm um comando conjunto onde analisam, estudam e implementam políticas para reprimir as revoltas populares. Há um padrão semelhante que eles repetiram em todos os países a partir do que aprenderam sobre como esmagar a revolta de um povo. Antes do início da década de 1990, os comunistas não conseguiam impedir as revoltas populares; agora eles aprenderam como fazer isso”, disse Gutierrez-Boronat.


Esse tipo de guerra assimétrica usada pelo comunismo inclui o armamento das mídias sociais, cultura e tecnologia de maneira coordenada, acrescentou Gutierrez-Boronat.


Os ativistas chamaram isso de “a nova geração do comunismo”. Para lidar com esta nova fase do comunismo, é necessário o mesmo tipo de estratégia que foi usada para derrotar a União Soviética, disse ele.


“A menos que cheguemos ao mesmo nível com uma estratégia coerente, seremos derrotados a longo prazo”, alertou Gutierrez-Boronat.


“A União Soviética caiu como resultado de uma combinação de forças que se aglutinaram e foram canalizadas de forma muito eficaz por uma estratégia proativa implementada pelos Estados Unidos. E isso reuniu tanto desafio político, organização de base, como aconteceu na Polônia, mas também por meios militares. Os EUA não se esquivaram de se armar e se proteger. E também, a pressão exercida sobre os regimes pós-soviéticos no Afeganistão, na Nicarágua, e em Angola foi essencial para derrubar o comunismo.”


Ocidente apoia regime comunista cubano


O Ocidente, no entanto, muitas vezes oferece apoio financeiro ao regime comunista de Cuba.


Embora as sanções contra o regime cubano implementadas pelo ex-presidente Donald Trump e mantidas pelo presidente Joe Biden tenham esgotado a base monetária dos militares cubanos, alguns países ocidentais, como França, Itália e Espanha, firmaram acordos de cooperação com Cuba, Gutierrez-Boronat disse. Esses acordos despejaram dinheiro nas forças armadas cubanas porque essas forças controlam a economia cubana, acrescentou.


Pessoas participam de uma manifestação contra o regime comunista do presidente cubano Miguel Diaz-Canel em Havana, em 11 de julho de 2021. (Yamil Lage/AFP via Getty Images)

O Clube de Paris, um grupo informal de credores internacionais, “estendeu uma tábua de salvação ao regime em Cuba” nos meses após o protesto de 11 de julho contra o regime comunista eclodir no país, disse Gutierrez-Boronat


Em outubro, o Clube de Paris, cuja função é ajudar os países devedores incapazes de pagar suas dívidas, concordou em adiar o pagamento anual da dívida cubana com vencimento em novembro para o próximo ano, segundo a Reuters.


Em 2015, o Clube de Paris perdoou ao regime cubano US$ 8,5 bilhões de US$ 11,1 bilhões em dívida soberana que Cuba deu calote em 1986. Cuba concordou em pagar o restante em parcelas anuais até 2033, mas cumpriu apenas parcialmente suas obrigações em 2019 e entrou em default no ano seguinte, informou a Reuters.


“As elites do mundo livre perderam sua espinha dorsal… para resistir ao autoritarismo”, disse Gutierrez-Boronat.


A economia centralmente planejada de Cuba é rigidamente controlada pelo regime comunista. A maioria das empresas cubanas são de propriedade do Estado. O Estado controla “o comércio atacadista, o crédito, o comércio exterior e o investimento estrangeiro”, de acordo com um relatório da Coface for Trade, uma seguradora de crédito.


“A renda per capita de Cuba na década de 1950 era uma das mais altas do hemisfério ocidental. Hoje é uma das mais baixas”, escreveu Jorge Salazar-Carrillo, professor de economia da Florida International University.


“Em grande parte, isso é resultado de décadas de políticas fracassadas e reformas prometidas que nunca se concretizaram”, escreveu Salazar-Carrillo para The Conversation.


O professor, que trabalhou no governo cubano nos primeiros dias após a revolução comunista, disse que a crise econômica de Cuba não é resultado das sanções americanas impostas aos bens cubanos – como muitos analistas, ativistas e o governo cubano afirmaram – mas foi causada pelo governo cubano que administra “insustentavelmente” a economia do país.


Cuba foi governada por mais de seis décadas pelos irmãos Fidel e Raúl Castro, que lideraram uma revolução de 1959 na ilha caribenha de 11 milhões de habitantes, instalando um país comunista às portas dos Estados Unidos.


Em 2021, Raúl Castro como chefe do partido foi sucedido por Miguel Diaz-Canel como chefe do partido comunista, líder de fato do país, encerrando assim a era Castro, embora tenha dito que continuaria a consultar seus antecessores sobre decisões estratégicas.


Frank Fang, Rita Li e Reuters contribuíram para este relatório.


Ella Kietlinska é repórter do Epoch Times com foco na política dos EUA e do mundo.


Joshua Philipp é um repórter investigativo premiado do Epoch Times e apresentador do programa "Crossroads" da EpochTV. Ele é um especialista reconhecido em guerra irrestrita, guerra híbrida assimétrica, subversão e perspectivas históricas sobre os problemas atuais. Seus mais de 10 anos de pesquisa e investigações sobre o Partido Comunista Chinês, subversão e tópicos relacionados lhe dão uma visão única sobre a ameaça global e o cenário político.


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