COVID-19, coerção e a perda da liberdade

- THE EPOCH TIMES - John Mac Ghlionn - Tradução César Tonheiro - 25 JAN, 2022 -

Pessoas são vistas na fila para entrar em um centro de vacinação em massa da COVID-19 em Sydney, Austrália, em 10 de maio de 2021. (Mark Kolbe/Getty Images)

O primeiro-ministro australiano Scott Morrison mirou recentemente o Partido Comunista Chinês (PCC), acusando-o de se envolver em atos de “coerção econômica” e interferência estrangeira.


Claro, Morrison está correto. A China comunista, o lar da diplomacia do lobo guerreiro, é especializada em coerção econômica. Em caso de dúvida, deixe-me orientá-lo na direção da Lituânia, um pequeno país que causa grandes impressões. Ao contrário da grande maioria dos países do mundo que assinaram a perigosa Iniciativa Belt & Road da China (BRI, também conhecida como “Um Cinturão, Uma Rota”), a Lituânia se recusa a entrar em uma barganha faustiana [Fausto, personagem legendário alemão que fez um pacto com o diabo e que se tornou universal por meio do célebre drama de Goethe].


Os lituanos não apenas evitaram a China, como também abraçaram abertamente Taiwan. Em novembro do ano passado, a Lituânia permitiu que Taiwan abrisse um escritório de representação em Vilnius, capital do país. Ainda este ano, a Lituânia planeja abrir seu próprio escritório comercial em Taiwan. O PCC, envergonhado e enfurecido, revidou, rebaixando seus laços com a Lituânia e bloqueando várias exportações lituanas. O PCC também pediu a algumas das maiores empresas do mundo que cortem os laços com o estado báltico.


Como mostra o último relatório publicado pelo Center for a New American Security (CNAS), esse tipo de coerção é uma prática comum para o PCC. Com pouca consideração pelo estado de direito, Morrison estava certo ao criticar o PCC.


No entanto, quando se trata de qualquer conversa sobre coerção, devemos olhar para quem exatamente está apontando o dedo. Afinal, Morrison é, sem dúvida, o homem mais poderoso da Austrália, um país que se tornou sinônimo da palavra coerção.


Coerção é a prática de persuadir alguém a fazer algo usando força ou ameaças. Na Austrália, até muito recentemente, se alguém se recusasse a cumprir as rígidas políticas COVID-19 do país, poderia ser levado para um campo de internamento.


O governo australiano vem coagindo seus próprios cidadãos há muito tempo. Em novembro, o Dr. Chris Perry, chefe da Associação Médica Australiana em Queensland, alertou aqueles que recusaram a vacinação contra a COVID que eles levariam uma vida mais solitária e miserável.


Em suas próprias palavras: “A vida será miserável sem ser vacinado. Você não será capaz de se esconder. Há uma série de questões, um monte de problemas se você tentar contornar o sistema.”


Em outras palavras, a resistência é inútil.


Claro, quando se trata de táticas coercitivas, a Austrália não está sozinha. Na verdade, várias outras nações supostamente liberais tornaram-se cada vez mais iliberais. Como a Bloomberg informou no mês passado, as autoridades da Grécia e da Espanha estão ativamente atacando os não vacinados, atingindo-os com multas bastante altas.


Na Grécia, um país que lançou as bases para a civilização moderna, cidadãos e residentes permanentes com mais de 60 anos que ainda não foram vacinados agora são obrigados a pagar multas mensais, com um preço inicial de € 50, cerca de US$ 57. A taxa deve dobrar em fevereiro.


Na Áustria, o parlamento acaba de aprovar vacinas obrigatórias, apesar de um grande número de cidadãos se opor à medida dura. Sob a nova lei, aqueles que se recusarem a ser vacinados poderão em breve receber uma multa de € 3.600, cerca de US$ 4.000 (R$ 22.000,00).


Curiosamente, os comentários de Morrison acima mencionados vieram em Davos, sede do Fórum Econômico Mundial (sigla em inglês WEF) – você sabe, os caras que prometem que você não possuirá nada e será feliz (Klaus Schwab). Como já expus anteriormente, o WEF é composto por políticos poderosos e grandes players de tecnologia. O WEF é responsável pelo Great Reset (Grande Reinicialização), que enfatiza a necessidade de mais justiça social e distribuição de riqueza. Em sua essência, o Great Reset é o socialismo disfarçado de progresso, e a coerção disfarçada de cooperação.


Nas palavras de Klaus Schwab, chefe do WEF: “Todos os países, dos Estados Unidos à China, devem participar” e “todas as indústrias, de petróleo e gás à tecnologia, devem ser transformadas”. O que é necessário é “uma 'Grande Reinicialização' do capitalismo”, argumenta.


Lembre-se, o oposto do capitalismo é o comunismo, que está inextricavelmente ligado à coerção e à miséria absoluta.


Em todo o mundo, o autoritarismo está em ascensão. Desde que a pandemia entrou em cena, as liberdades pessoais foram abandonadas, com cada vez mais poder sendo colocado nas mãos de uma pequena minoria de pessoas altamente influentes. Quando o autoritarismo reina supremo, a voz do povo é sempre silenciada.


O que nos traz de volta aos comentários de Morrison. A China, para que não nos esqueçamos, é um país governado por um regime tirânico. Como mostra o assassinato de pessoas inocentes em Xinjiang, o PCC é culpado de algo muito pior do que coerção, seja econômica ou não.


No entanto, muitas pessoas que estão lendo isso não moram na China. Eles vivem num mundo “livre”, um lugar que está se tornando cada vez mais não-livre. É claro que não devemos parar de acusar o PCC por seus graves abusos. Nem devemos parar de falar de nossos próprios líderes pelos seus excessos. Faríamos bem em lembrar o seguinte: uma vez que os líderes experimentam o gosto pelo poder absoluto, eles ficam muito relutantes em desistir dele.


As opiniões expressas neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.


John Mac Ghlionn é pesquisador e ensaísta. Seu trabalho foi publicado, entre outros, pelo New York Post, The Sydney Morning Herald, Newsweek, National Review e The Spectator US. Ele cobre psicologia e relações sociais, e tem um grande interesse em disfunção social e manipulação de mídia.


PUBLICAÇÃO ORIGINAL >

https://www.theepochtimes.com/covid-19-coercion-and-the-loss-of-freedom_4229467.html


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