Com crise e pandemia, crescem furtos de carnes em supermercados

- DIÁRIO DO COMÉRCIO - Fátima Fernandes - 19 OUT, 2021 -

Na rede Coop, indicador de perdas no açougue aumentou 33% neste ano. Desvios feitos por funcionários e clientes estão entre as principais causas

Se tem um indicador que os supermercadistas querem que seja o mais próximo de zero possível é o que se refere às perdas sobre o faturamento.


O último dado da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), de 2020, identificou um índice médio de 1,79% sobre a receita bruta das redes, um dos menores da história.


Mas tudo indica que em 2021 o cenário vai ser diferente. Este número pode ultrapassar 2%, de acordo com supermercadistas e especialistas em prevenção de perdas de empresas.


Nos últimos quatro meses, redes identificaram um aumento expressivo nos furtos de produtos de maior valor, especialmente na linha de carnes mais nobres, como a picanha.

A alta do preço da carne, que supera os 30% somente no primeiro semestre, e a queda de renda, são os principais motivos, de acordo com supermercadistas, para o aumento de furtos.

Com 31 lojas no Estado de São Paulo, a rede Coop informa que o indicador de perdas no açougue aumentou 33% de janeiro a setembro deste ano sobre igual período de 2020.


“Parte deste incremento está relacionada ao aumento de furtos internos e externos”, afirma Gernaldo Gomes dos Santos, Coordenador de Riscos, Compliance e Prevenção de Perdas da Coop.


No ano passado, o índice médio de perda nos açougues no país, de acordo com a Abras, foi de 2,62% sobre a receita bruta, já acima do dado médio geral de perdas do setor.


Se este aumento de 33% verificado pela Coop valesse para todo o setor, diz Gomes dos Santos, o indicador de perda dos açougues das redes brasileiras chegaria perto de 3,5% neste ano.


Perdas superiores a 2% em qualquer rede de supermercado já deveriam acender um sinal de alerta dentro das empresas, de acordo com especialistas em prevenção.


Num setor de grande concorrência como o de supermercados, quanto menor a perda, maior o lucro, já que as perdas geram prejuízo.


Há dois tipos de perda nos supermercados, a conhecida e a não-conhecida.


A conhecida é aquela que, por alguma razão, o produto não passou pelo caixa porque estava com prazo de validade vencido ou estragado, por exemplo.


A desconhecida, quando o produto some da loja, é aquela identificada somente por meio do processo de inventário, de contagem de mercadorias nas lojas.


Nos supermercados, geralmente, a perda conhecida é maior do que a desconhecida, numa proporção de 60% e 40%, respectivamente.


Neste momento, a causa principal do aumento da perda desconhecida é o furto, de acordo com informações de supermercadistas e especialistas em prevenção de perdas.


“A carne sempre foi um produto desviado, só que, com a crise e a alta de preços, a situação se agravou”, afirma Vanessa Urbieta, gerente de negócios da Inwave, empresa que desenvolve e produz equipamentos para a prevenção de perdas.


O consumo de carne bovina no Brasil deve cair 14% neste ano em relação a 2019, o menor nível em 26 anos, de acordo com previsão da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).


Com mais de 15 anos na área, Vanessa diz que um levantamento recente da Gatecash, sistema de monitoramento de frente de caixa, que pertence à Gunnebo, com cerca de dez redes e aproximadamente 180 caixas, revelou alta de 1.000% no valor nominal das perdas dos açougues.


‘PICANHEIROS’


De acordo com ela, o que tem ocorrido com frequência é o consumidor colocar peças de carnes embaixo ou dentro da roupa, além de invasões de quadrilhas nas lojas de madrugada.


Uma cliente foi pega recentemente em uma grande rede de supermercado, conta ela, com cinco peças de carne no corpo. A intenção era vender os produtos no mercado paralelo.


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