Colômbia: Em direção à guerra civil?

Eduardo Mackenzie - 5 Ago, 2020 -



A jornalista Vicky Dávila disse várias coisas importantes em seu artigo de ontem sobre o ex-presidente Álvaro Uribe. Ou melhor, sobre as intrigas que a subversão urde contra ele, disfarçando-as de contenda “judicial”. Algumas afirmações de Vicky são inatacáveis, embora sejam um pouco tímidas, como aquela de que “se os magistrados se equivocaram, farão um dano irreparável à credibilidade da justiça”. Farão, diria eu, um dano imenso não só à justiça mas à Colômbia toda e ao continente. Uma decisão aberrante, injusta, motivada politicamente, como é o que se perfila no horizonte, que acabe no encarceramento do senador Álvaro Uribe, com avalanche de ódio vagabundo como os comunistas sabem montar em questão de horas, poderia desembocar em uma divisão rotunda do país e no começo de uma verdadeira guerra civil. Esse é o risco, senhores.

Não há por quê empregar eufemismos. Por que transformar a grave explosão que vem, em um trivial escândalo a mais sobre a ação de um grupo de magistrados? Não, a situação que os inimigos de Álvaro Uribe estão criando é mil vezes mais dramática que isso. E será um ataque não só contra Uribe senão contra a sociedade e contra o sistema sócio-político da Colômbia.

Embora o artigo de Vicky Dávila tenha uma evidente motivação altruísta e não oculte sua aversão pelas manobras abjetas da subversão contra o ex-presidente Uribe, Vicky se equivoca ao dar as costas à presunção de inocência. Ela diz: “Não quero entrar na opção de se Uribe é inocente ou culpado. Isso dirá a Corte”. Errado. Como jornalista ela devia dizer (pois o jornalista respeita os direitos humanos e os princípios universais de direito): “Presumo que Uribe é inocente, até que um tribunal legítimo demonstre o contrário”.

Essa presunção de inocência é a que um punhado de extremistas trata de destruir desde há anos.

Obviamente, o “processo” que existe na Corte Suprema de Justiça (CSJ) contra Uribe é uma sacanagem, um saco de nós, que não se pode esmiuçar em umas poucas linhas. Entretanto, a opinião pública tem à sua disposição, se procurar, os argumentos jurídicos completos que demonstram, de modo claro, a inocência do senador Uribe. Também há inúmeros artigos de imprensa que resumem esse pleito e os pontos de vista das partes.

O problema não é jurídico. Se o fosse, o pronunciamento que a CSJ anuncia para a quinta-feira da próxima semana não causaria esse mal-estar e essa atmosfera de injustiça que se expande no país e que o artigo de Vicky Dávila reflete bem. O problema é político, e sempre foi. É político, pois põe em jogo a continuidade do Estado que construímos. A gestão de Álvaro Uribe como homem público e líder de partido frustrou os planos muito avançados de Cuba para subjugar a Colômbia, simultaneamente com a Venezuela. Havana ganhou na Venezuela mas não pôde com a resistência do povo colombiano, pois este contou com a liderança forte de Uribe nos momentos mais cruciais. Cuba e os outros poderes depredadores procuram liquidar esse obstáculo. Eles pensam que nada mudou na Colômbia desde abril de 1948.

O processo de Uribe por suposta “manipulação de testemunhas” é, desde o começo, anômalo. Nenhum magistrado profissional daria um peso pelas provas que a claque de Iván Cepeda Castro apresentou. Vicky Dávila diz que são cinco os magistrados que discutem nesse momento a sorte que correrá o ex-presidente Uribe. O caso é tão absurdo que deles, três rechaçam essa infâmia ou vacilam sobre o fundo do assunto.

O criador dessa situação inaudita é Iván Cepeda, um homem a serviço dos piores interesses e de visão totalitária. Ele vem de uma família que não havia feito outra coisa senão isso: golpear a Colômbia mediante uma força para-militar que combinava todo tipo de crimes, para instaurar, por ordem de Moscou, a miséria coletivista. Se ocorrer algo irremediável ao senador Uribe, se a Colômbia entrar em uma dinâmica de defesa obrigatória de seus valores e de suas instituições, na qual seus melhores filhos terão que acudir a todos os meios possíveis, esse indivíduo terá que ser visto como o responsável pela catástrofe.

Tradução: Graça Salgueiro

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