China, o outro comunismo

PEDRO CORZO - Aug 12, 2020 -




Não parece ter sentido uma discussão sobre os avanços da República Popular da China no âmbito econômico, como seria absurdo debater sobre a desigualdade social existente e a férrea autoridade que o governo possui sobre a população, conseqüência natural do controle absoluto que o Partido Comunista exerce sobre o país, embora se estime que alguns admiradores desse sistema, tal e como ocorreu com a extinta União Soviética, se esforcem por escapar dessa realidade.

Não compreendo o que motiva cidadãos livres a viajar para a China para fazer turismo. Os que conhecemos esse sistema sabemos a plenitude que o indivíduo, por correto que seja, inclusive os visitantes, “estão de favor na rua” e que as autoridades, não a justiça, sempre têm razão, senão que se informem o que aconteceu a vários cubanos que visitaram seu país e a mais de um investidor estrangeiro na Ilha.

Certamente os que menos entendo são os cubanos contrários ao castrismo que viajam para o gigante asiático. Uma férrea ditadura aliada ao regime de Havana, um mundo paralelo ao da ilha caribenha onde não há liberdade de expressão nem de pensamento, e tampouco existe o estado de direito. Tanto em Cuba quanto na China e Coréia do Norte, o Partido é o árbitro supremo na resolução de conflitos.

O comunismo chinês será outro comunismo como o traçou o jornalista e escritor Lewes S. Karol, porém a essência, a natureza desse regime corresponde à do escorpião que, como conhecemos, está disposto a morrer para destruir a vida dos outros. Pequim auspicia uma política imperialista e seus operadores políticos fazem  todo o possível por forjar alianças que promovam uma agenda que não está precisamente associada à defesa dos direitos dos cidadãos e o respeito à condição humana.

O expansionismo chinês é multilateral e um aspecto a destacar é que condiciona o estabelecimento de relações diplomáticas com um país em que este não tenha vínculos com a República Chinesa, leia-se Taiwan, impondo assim desde o princípio sua vontade imperial. Recentemente o embaixador de Pequim na Costa Rica manifestou seu descontentamento porque o deputado do povo, Dragos Dolanescu, criticou o governo chinês.

Por outra parte, vários dos vizinhos da China continental expressaram preocupação pela construção da parte de Pequim de ilhas artificiais que poderiam ser usadas militarmente, ao mesmo tempo em que amplia seus direitos sobre o mar, afetando tanto a pesca como a navegação.

O PCCh (Partido Comunista Chinês) não só gosta dos mares, como também lhe apetecem as regiões fronteiriças, como a disputa que sustenta com a Índia onde recentemente houve um enfrentamento militar com um saldo trágico, não obstante seus conflitos mais pontuais sejam com a República Chinesa que quer manter sua identidade e forma de vida e Hong Kong, onde a maioria dos cidadãos está a favor da auto-determinação.

A China, com marxismo ou sem ele, é uma nação muito importante tal como assinalou Napoleão Bonaparte há mais de 200 anos quando disse: “A China é um gigante adormecido. Deixem-na dormir porque quando acordar, sacudirá o mundo”, uma sacudida que em minha modesta opinião seria benéfica para todos se não fosse que o marxismo é a doutrina que alenta suas atuações que, mesmo sem a ortodoxia econômica, seu objetivo é subverter os valores e normas sobre os quais se assentam nossas vidas.

Há alguns dias um destacado acadêmico latino-americano comentou que o Partido Comunista Chinês é o mesmo que ordenou os ataques à Praça Tianamen e o que agride os cidadãos que em Hong Kong lutam para conservar seus direitos e, acrescento, que igualmente é o mesmo da Revolução Cultural e quem respalda a ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela, e o principal padrinho das dinastias abusivas da Coréia do Norte, Nicarágua e Cuba.

A liderança chinesa tem uma visão muito particular de suas funções e recorre a diversos meios para impor sua vontade, uma conduta que se repete na história, porém que nestas circunstâncias existe o agravante de que está inspirado pelo marxismo, e essa ideologia sempre quis dominar o mundo, nunca se conformaria em não ser a primeira potência mundial.

Tradução: Graça Salgueiro


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