China: Arrematando a Europa

- GATESTONE INSTITUTE - Judith Bergman - Tradução: Joseph Skilnik - 14 FEV, 2022 -

Por mais de uma década, a China vem comprando sorrateiramente empresas europeias de setores estratégicos, principalmente no âmbito da tecnologia e energia. Sistemas eficientes destinados a bloquear investimentos estrangeiros com base em apreensões de segurança nacional parecem não existir ou simplesmente não estarem sendo utilizados o suficiente. (Imagem: iStock)
  • Impressionantes 40% dos 650 investimentos chineses na Europa entre os anos de 2010 e 2020, segundo Datenna (uma empresa holandesa que monitora os investimentos chineses na Europa), tiveram "alta ou moderada participação de empresas estatais ou controladas pelo Estado".

  • Quando o presidente da Comissão de Assuntos Estrangeiros do parlamento britânico, Tom Tugendhat, escreveu que a compra pelos chineses da fábrica britânica de microchips Newport Wafer Fab "representava uma ameaça significativa para a economia e segurança nacional", o Secretário de Negócios do Reino Unido, Kwasi Kwarteng respondeu que o negócio tinha sido "considerado tim-tim por tim-tim". Somente após uma considerável pressão, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson concordou em realizar uma reavaliação de segurança nacional em relação à venda.

  • Sistemas eficientes destinados a bloquear investimentos estrangeiros com base em apreensões de segurança nacional parecem não existir ou simplesmente não estarem sendo utilizados o suficiente.

  • As "mais rigorosas estruturas de monitoramento" indubitavelmente não estão contendo as aquisições chinesas.

  • O que ao que tudo indica ser urgentemente necessário na Europa agora é uma compreensão mais aprofundada da ameaça que a China representa, bem como a vontade política de agir frente a esta ameaça. A tomada de medidas é urgentemente necessária para que se bloqueie dar de mão beijada investimentos que proveem os ativos estratégicos da Europa para as empresas estatais da China, que o Partido Comunista Chinês usa para promover seus objetivos expansionistas.

Por mais de uma década, a China vem comprando sorrateiramente empresas europeias de setores estratégicos, principalmente no âmbito da tecnologia e energia. Ao que tudo indica, a China está fazendo uso desses bens europeus no sentido de facilitar as ambições do Partido Comunista Chinês (PCC) de se tornar uma potência global, tecnologicamente independente do Ocidente e, em última análise, suplantar os EUA como a superpotência econômica, política e militar do planeta.


A China vem acobertando as aquisições europeias, ostensivamente fazendo de conta que são investimentos comerciais. Ela oculta as empresas estatais envolvidas nos investimentos atrás de "níveis de propriedade, complexas estruturas acionárias e negócios executados por meio de subsidiárias europeias", de acordo com a Datenna, uma empresa holandesa que monitora os investimentos chineses na Europa. Impressionantes 40% dos 650 investimentos chineses na Europa entre os anos de 2010 e 2020, segundo Datenna, tiveram "alta ou moderada participação de empresas estatais ou controladas pelo Estado, incluindo algumas de tecnologia avançada".


A título exemplificativo, quando os chineses assumiram o controle da fabricante italiana de drones Alpi Aviation, a Força Aérea Italiana já tinha revelado a importância estratégica dos drones da Alpi ao usá-los no Afeganistão. Em 2018, uma empresa registrada em Hong Kong, a Mars Technology, adquiriu 75% de participação da Alpi Aviation. As autoridades italianas não tinham nenhum conhecimento da venda e só ficaram sabendo da transação em 2021 e subsequentemente abriram uma sindicância para apurar qualquer irregularidade. As autoridades italianas descobriram que a Mars Technology era só uma empresa de fachada que poderia ser rastreada até duas empresas estatais chinesas. Uma era a China Railway Rolling Stock Corp, a maior fornecedora de equipamentos ferroviários do mundo. O objetivo da aquisição, ao que parece, foi a apropriação da tecnologia de drones da Alpi pela estatal chinesa, que, logo após a venda, começou a ser transferida para a China. "É um caso clássico", salientou Jaap van Etten, presidente da Datenna. "Esta é a estratégia do estado chinês, impulsionada pelo governo chinês."


Mais recentemente, os chineses assumiram a Newport Wafer Fab, a maior fabricante de semicondutores do Reino Unido, também conhecidos como microchips, indispensáveis para aparelhos eletrônicos, de smartphones a armas de alta tecnologia. Em julho de 2021, a Nexperia, ao que consta, uma empresa holandesa, comprou a Newport Wafer Fab. A Nexperia, no entanto, é de propriedade da Wingtech Technology, uma empresa chinesa com estreitos laços com o governo chinês. Segundo a Datenna, 30% da Wingtech Technology pertence a entidades governamentais chinesas. O governo do Reino Unido, não obstante, pareceu não entender a ameaça. A venda, apesar dos protestos do Secretário de Negócios do Reino Unido, Kwasi Kwarteng, foi em frente. Quando o presidente da Comissão de Assuntos Estrangeiros do parlamento britânico, Tom Tugendhat, escreveu que a compra chinesa da fábrica britânica de microchips "representa uma ameaça significativa para a economia e segurança nacional", Kwarteng respondeu que o negócio tinha sido "considerado tim-tim por tim-tim". Somente após uma considerável pressão, o primeiro-ministro britânico Boris Johnson concordou em realizar uma reavaliação de segurança nacional em relação à venda.


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