"Caro Sr. Presidente: O senhor não pode destruir a economia turca, como ameaçou -

- porque seu falso aliado, o Catar, novamente salvará a Turquia das suas sanções"

11/10/2019


- www.memri.org -

Tradução Sonia Bloomfield




"Como já afirmei antes, e apenas para reiterar, se a Turquia fizer algo que eu, em minha grande e inigualável sabedoria, considere estar fora dos limites, destruirei e obliterarei totalmente a economia da Turquia (já fiz isso antes! ) ... " -Presidente Donald Trump, 7 de outubro de 2019


[1] Em vista do aviso do presidente Trump à Turquia de que, se "fizer qualquer coisa" que ele "considere estar fora dos limites", ele "destruirá e obliterará totalmente a economia da Turquia", vale a pena considerar a análise abaixo, que explica por que o presidente é, de fato, incapaz de fazer isso. A seguir, é apresentada a análise publicada pelo MEMRI em 15 de janeiro de 2019, [2] na época da crise anterior entre EUA e Turquia:


Há aguns anos existem fenômenos inexplicáveis no Oriente Médio. Qualquer tentativa de explicá-los logicamente chega a um beco sem saída e dá lugar a teorias de conspiração. Como explicar logicamente o rastejamento humilhante de Israel e dos EUA frente ao Catar? As teorias vão desde a conspiratória, como a infiltração do Catar nos dois governos, até a suposição aparentemente implausível de que esses governos e suas agências são simplesmente ingênuos, tolos e ignorantes (escolha uma ou mais opções).


Vamos listar alguns exemplos: Os EUA são o único país que ultrapassa Israel no rastejamento frente ao Catar, apesar dos seus intermináveis incitamentos anti-EUA, particularmente contra a atual administração americana. No que diz respeito ao canal de TV Al-Jazeera, de propriedade do emir do Catar, os democratas são o único partido legítimo nos EUA, e os poucos republicanos dignos de cobertura são o senador Rand Paul - apresentado como um peso pesado políticamente - e o ex-senador Bob Corker, cuja decisão de não buscar a reeleição em 2018 foi ocultada aos telespectadores como se fosse algo sem nenhum interesse.


Durante anos, os EUA sentiram-se em dívida com o Catar por aquele país hospedar a base aérea Al-Udeid e a sede do CENTCOM. Os chefes do Pentágono e os líderes políticos americanos vão e vêm, e ninguém se lembra de que é o Catar que tem uma dívida com os EUA por eles manterem lá a mencionada base. O Catar originalmente a construiu, a um custo de US $ 2 bilhões, para garantir a presença americana no local, pois sem tal presença o regime do Catar já teria sido destruído há muito tempo. Hoje, diante da ameaça de uma oferta da Arábia Saudita ou dos Emirados Árabes Unidos para suplantar o Catar nos EUA, o Catar está comprando a boa vontade do Pentágono através da construção de uma cidade inteira para hospedar os dependentes dos militares americanos que lá vivem, e também está expandindo Al-Udeid. Mas este acordo, que garante a sobrevivência do Catar, exigiu um alto preço dos bombardeiros norte-americanos envolvidos na sísifa tarefa de levantar vôo de Al-Udeid para atacar os mesmos terroristas islâmicos alimentados pela propaganda do próprio Catar - propaganda que cria uma nova colheita de jihadistas para os americanos bombardearem - e o ciclo assim continua.


A TV do Catar deu cobertura favorável ao Irã e à Turquia, embora a primeira seja uma meta política declaradamente negativa da política dos EUA; e a segunda, sob o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan, espalha implacavelmente propaganda demonizando os EUA e pintando-o como um inimigo jurado de morte. Mas ninguém disse isto ao secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, sobre isso. Em sua atual viagem ao Oriente Médio, Pompeo saudou o Catar como um "grande amigo". [3] Ele insistiu em promover uma política autodestrutiva da unidade do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) - incluindo o Catar - contra o Irã, enquanto a TV estatal do Catar, que é de propriedade do regime local. trabalha incessantemente para derrubar os regimes de outros países do CCG, tais como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Então, de que unidade o Secretário Pompeo está falando e como ele pode considerar o Catar um aliado? Enquanto ele tenta montar uma frente anti-Irã para conter a expansão daquele país, seu "grande amigo" Catar insiste que "o Irã, como qualquer outro país, tem interesses legítimos" na Síria, desde que não se desconsidere os interesses do povo sírio. [4] Curiosamente, a TV Al-Jazeera, de propriedade do "grande amigo", assinou um acordo de cooperação com a agência de notícias oficial iraniana IRNA - cujo diretor-gerente, Mohammad Khoddadi, visitou Doha neste verão, a convite do Comitê de Direitos Humanos do Catar, para falar sobre liberdade de expressão em uma conferência na qual o principal violador de direito de expressão, tornando assim o Irã em uma estrela. [5]


Além disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, diz que quer impedir a Turquia de atacar os curdos, e está avisando-a de que ele destruirá sua economia caso isto aconteça. Erdogan telefonou para ele como uma tentativa de acalmá-lo, mas, caso seja necessário, o presidente Trump descobrirá que não pode levar Erdogan a ajoelhar-se frente aos EUA. Isso ocorre porque o falso aliado dos EUA, o Catar, salvará a Turquia mais uma vez das sanções de Trump, assim como o fez em 2018 quando lançou para Erdogan uma corda salva-vidas no valor de US$ 18 bilhões, interrompendo assim a queda da Lira turca, garantindo a Erdogan os fundos para desembolsar antes da realização das eleições locai,s e prolongando o sofrimento do pastor cativo Brunson. Outro problema é que Trump e Pompeo ignoram o pacto militar de Doha-Ancara, sob o qual a Turquia pode construir bases no Catar e pode usar livremente o espaço aéreo do Catar. Como o pacto concede à Turquia o direito de operar livremente no espaço aéreo do Catar, a liberdade da Força Aérea dos EUA em Al-Udeid será limitada. É este o comportamento de um "grande amigo" que depende dos EUA para sua própria sobrevivência?


O apoio do Catar ao terrorismo, fingindo ser oposição, tem sido um elemento fundamental da conduta política do Catar desde que o clã Al-Thani assumiu o poder naquele país. O MEMRI já expôs essa duplicidade em vários relatórios. A seguir, apresentamos apenas alguns exemplos: em uma transmissão ao vivo, em novembro de 2014, a Al-Jazeera TV permitiu que o erudito islâmico Hussein Muhammad Hussein prometesse lealdade ao líder do ISIS Abu Bakr Al-Baghdadi (veja o erudito islâmico prometer lealdade ao Emir do ISIS Abu Bakr Al-Baghdadi ao vivo na TV Al-Jazeera). Uma década antes, a Al-Jazeera permitiu que a operadora terrorista Anis Al-Naqqash, filiada ao Irã, incitasse ataques às instalações de petróleo dos EUA, também ao vivo (veja o terrorista Anis Al-Naqqash pedir na TV da Al-Jazeera ataques contra as instalações de petróleo dos EUA).


Em setembro de 2017, Omã deportou o clérigo indiano e apoiador do ISIS Salman Al-Nadwi por incitar contra o presidente dos EUA Trump e o rei saudita Salman, e o Qatar o acolheu. Na manhã seguinte, ele se encontrou no Qatar com o grande anti-semita anti-estadunidense, o ideólogo da Irmandade Islâmica (MB) Sheikh Yousuf Al-Qaradawi, que há muito desfruta de refúgio lá, juntamente com a facilidade para espalhar seu veneno pelo mundo muçulmano através da Al-Jazeera (veja Omã deporta o clérigo indiano Salman Al-Nadwi para o Catar depois de amaldiçoar o rei saudita e o presidente dos EUA; veja também a carta em que o maior estudioso islâmico da Índia, Maulana Salman Al-Nadwi, felicita Abu Bakr Al-Baghdadi por assumir o papel de califa: "Você está bravamente de pé, como uma rocha").


Dois meses antes do 11 de setembro, a Al-Jazeera transmitiu um programa de homenagem a Osama bin Laden e à Al-Qaeda. [6] - e um membro supostamente aleatório na platéia, que na realidade era o porta-voz da Al-Qaeda, Suleiman Abu-Gheit, fez um discurso de recrutamento [de jihadistas]. Anos mais tarde, em 2014, a Al-Jazeera publicou uma entrevista longa e detalhada com Abu Muhammad Al-Joulani, comandante de Jabhat Al-Nusra, afiliado da Al-Qaeda na Síria. (Veja Joulani discute a jihad na Síria, declara: nosso conflito com o ISIS foi resolvido). A lista continua e continua (veja Catar, o Emirado que Engana Todos e Seus Facilitadores).


A prostração dos EUA frente ao Catar foi compreensível, embora injustificada, durante o mandato do Secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson, já que ele era conhecido como “homem do Catar”. Alegadamente, durante seu tempo como CEO da Exxon-Mobil, ele promoveu o projeto de GNL do Catar, o qual transformou o liliputiano Catar na área do gás no Gulliver que é hoje. Mas agora que ele foi substituído pelo secretário Pompeo, a continuação dessa política pró-Doha é tão inexplicável quanto o namoro do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu com o Catar.


A ligação de Israel com o Catar permite que este contorne uma lei dos EUA que proíbe transferências bancárias para o Hamas - uma organização designada como terrorista pelos EUA e Israel - enviando dinheiro diretamente dentro de malas para Gaza. Os representantes israelenses justificam isso insistindo em que Israel determine os destinatários desses fundos e que o Catar cumpra as instruções israelenses. Mas isso é mais do que patético. Gaza está nas garras do Hamas, e as remessas de dinheiro do Catar podem ir apenas para os destinatários designados pelo Hamas - e, indiretamente, para o próprio Hamas. [7] Há apenas alguns dias atrás, em 11 de janeiro de 2019, o Hamas ofereceu US$ 1 milhão a quem revelasse a identidade dos soldados israelenses que participaram da abortada operação de novembro de 2018 ao sul da cidade de Gaza. De onde vem esse US$ 1 milhão? A ingenuidade do governo Netanyahu supera até a credulidade do governo trabalhista que o precedeu – o qual confiava em Yasser Arafat. Hoje, até o centro político de Israel reconhece que Arafat estava enganando Israel desde o primeiro dia.


Além disso, o governo israelense permite que o diplomata do Catar Muhammad Al-Imadi se mova livremente entre Israel e Gaza, sem exigir reciprocidade diplomática - mesmo que uma delegação israelense em Doha já tenha sido fechada pelos catarianos. Israel não apenas permite que a Al-Jazeera opere em Israel e na Cisjordânia – também concede a ela privilégios especiais, como entrada nas bases do exército israelense e entrevistas com comandantes do exército, novamente sem qualquer exigência de reciprocidade. E tudo isso acontece enquanto a Al-Jazeera, o canal de propaganda do Catar, continua seu incitamento incessante e demonização de Israel, vomitando veneno sobre as tentativas dos EUA de conseguir uma conciliação entre Israel e os estados do Golfo. [8]


É inconcebível que, na luta contra o anti-semitismo, o próprio Israel esteja mostrando favoritismo a um emirado e a um canal de TV que proporcionou refúgio e exibiu um dos líderes espirituais mais notórios da Irmandade Islâmica, que denominou o Holocausto como “castigo divino” contra os judeus e ainda acrescentou: "Se Deus quiser, a próxima vez estará nas mãos dos crentes" - ou seja, os muçulmanos (Veja Sheikh Yousuf Al-Qaradhawi: Deus impôs Hitler aos judeus para puni-los - "Se Deus quiser, da próxima vez estará na mão dos crentes ").


Esse fenômeno de ações ilógicas por parte dos EUA e de Israel em relação ao Catar propicia a existência de teorias baseadas na reputação do Catar como um país que pode comprar qualquer um ou qualquer coisa - incluindo, supostamente, a FIFA. [9] Vale ressaltar que o Catar prometeu investir US$ 45 bilhões nos EUA nos próximos dois anos. [10] Será que isso pode induzir os EUA a ignorar seus próprios interesses estratégicos?


Seja por ignorância ou venalidade, os EUA se apegam ao Catar apesar de suas ações anti-EUA. As ações catarianas condenam ao fracasso a política para o Oriente Médio do governo Trump - assim como a fixação do governo Obama pelo Irã condenou ao fracasso sua política no Oriente Médio. Da mesma forma, Netanyahu descobrirá o que é claro como o dia para todos os demais - que sua atução em apoio ao Qatar ao Hamas levará a um tiro-pela-culatra na próxima guerra de Gaza, a qual custará as vidas de muitos israelenses.


* Yigal Carmon é presidente do MEMRI.


[1] Twitter.com/realdonaldtrump/status/1181232249821388801, 7 de outubro de 2019. [2] Resumo diário do MEMRI, Prezado Sr. Presidente: Você não pode devastar a economia turca, como advertiu - porque seu aliado de Bogus no Catar salvará a Turquia novamente de suas sanções, 15 de janeiro de 2019. [3] The New Arab, 13 de janeiro de 2019. [4] Interfax.com, 5 de janeiro de 2019. [5] IRNA, 25 de julho de 2018. [6] Os Catar afirmam que isso era simplesmente jornalismo profissional, no estilo da CNN, sem verdade. Há uma diferença crítica entre a cobertura concisa da mídia ocidental dos discursos de Bin Laden para o público ocidental e a exibição do Catar dos vídeos de Bin Laden que visavam ganhar o apoio muçulmano à Al-Qaeda e promover a jihad. [7] Israel revela que seu apoio ao Hamas é um golpe maquiavélico destinado a reforçar o cisma entre Gaza e a Autoridade Palestina, impedindo indiretamente um acordo envolvendo retiradas de Israel. Esse argumento mostra apenas que o governo do Likud, como seus antecessores, não conseguiu concluir que nenhum acordo é possível porque os palestinos não estão dispostos a renunciar ao direito de retorno palestino que é rejeitado até pela esquerda israelense. Assim, o cisma permanecerá sem a intervenção de Israel. [8] O argumento dos representantes do governo israelense de que Israel está usando a Al-Jazeera como um canal para as mensagens israelenses e, assim, servir aos interesses de Israel não faz sentido. O produto final mostra que a Al-Jazeera está aproveitando esse privilégio para produzir mais uma peça de propaganda anti-Israel, especificamente anti-Netanyahu. [9] Theguardian.com/football/2017/nov/14/fifa-bribery-corruption-trial-qatar-2022-world-cup, 14 de novembro de 2017. [10] Alaraby.co.uk, 13 de janeiro de 2019. Também de acordo com esta fonte, o fundo soberano do Catar comprou grandes participações no Deutsche Bank, Credit Suisse, London Stock Exchange e Volkswagen.


Artigo original:

https://www.memri.org/reports/dear-mr-president-you-are-unable-destroy-turkish-economy-you-warned-%E2%80%93-because-your-bogus-0

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