Canalhocrata completo (e Dona Fernanda)

10/10/2019



- Ipojuca Pontes -





O douto “Aurélio” define a figura do canalha, entre outras designações, como gente vil, infame, velhaca e reles. Muito bem. E o canalhocrata? O canalhocrata, claro, é o adepto da canalhocracia que, por sua vez, significa o sistema em que prepondera o canalha.


Vamos aos fatos. Recentemente, tivemos a pomposa declaração do presidiário Lula da Selva em que ele disse rejeitar a progressão da sua pena para o regime semiaberto concedida pelo Ministério Público. Diante de 15 asseclas na sala do SPA da Polícia Federal, em Curitiba, Lula blefou que não trocava “liberdade pela sua dignidade”. Bonito!


Mas a dignidade invocada por Lula parece com a valentia do coronel Zeca Nitão do Ingá do Bacamarte, na Paraíba, coiteiro de Antonio Silvino, cangaceiro que morreu em odor de Santidade numa penitenciária de Pernambuco. O coronel Zeca, querendo se antepor à entrada da volante militar na sua fazenda, vociferou, determinado: “Alto lá, tenente Salgado! Aqui o sr. só passa dessa porteira por cima do meu cadáver!”


O tenente avaliou o falso obstáculo, deu-lhe um bom piparote e antes de se fazer porteira adentro, completou:


- “Conversa, coiteiro safado. Tu tem lá cadáver!”


Dignidade em qualquer indivíduo pressupõe decência, honestidade, honradez, virtude, integridade moral, ou seja, tudo aquilo que Lula não possui. De fato, o chefão do PT vive encharcado num oceano de manobras ilícitas, artimanhas, cambalachos, mentiras e maracutaias sem fim. Já se disse que, uma vez aberto o Código Penal, o “honrado líder carismático” corre o risco de ser enquadrado na maior parte de seus artigos. Aliás, Lula está hoje por trás das grades justamente por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, sem falar nos oito processos em que se vê arrolado e que circunscrevem a autoria de expressivo número de delitos considerados graves, entre eles a compra fraudulenta do sítio de Atibaia pela qual foi condenado pela juíza Gabriela Hartd a cumprir a pena de 12 anos e 11 meses de prisão.


De fato, o velho Chacal tem um largo prontuário que registra vasta soma de erros, equívocos e delitos, dentro e fora do poder. Em 2006, escrevi um livro, já esgotado, sobre o assunto (“ A Era Lula – Crônica de um desastre anunciado”, Girafa Editora, São Paulo). Nele, fiz o levantamento diário do primeiro mandato do ex-sindicalista do ABC, motivado pela trágica imolação de José Antonio de Souza, o pedreiro que ateou fogo no próprio corpo depois de passar dez dias defronte ao Palácio do Planalto sob os olhares de Lula, a segurar um cartaz em que expunha sua condição de desempregado a pedir apoio nunca efetivado pelo então presidente, que se dizia “pai dos pobres”.


À margem a “Era Lula”, em que analisei com detalhes aspectos políticos, econômicos, culturais e diplomáticos de gestão totalitária e corrupta, há também um livro a merecer registro, de autoria do esquerdista Mário Morel, “Lula, o Metalúrgico”, publicado em 1981 (Nova Fronteira – Rio de Janeiro). Ele tem o mérito de flagrar o ovo da serpente em plena gestação, delineando, por exemplo, as promíscuas relações negociais do líder sindical com o ministro do trabalho do governo Figueiredo, Murilo Macedo, num sítio em Atibaia; as sórdidas práticas de Lula para arrancar dinheiro dos patrões via horas extras que nunca foram trabalhadas; as sujas manobras do “operário relâmpago” para passar a perna em Paulo Vidal, o eficiente presidente que o acolheu no Sindicato do ABC, e, entre outras preciosidades, os arranjos dos intelectuais comunistas da USP e dos frades da Teologia da libertação para fazer de Lula um fantoche engajado (aqui, não esquecer breve “cursilho” frequentado por Luiz Inácio, segundo noticiário da época, na Alemanha Oriental).


Há quem diga, talvez por malícia, que o presidiário não aceita a pena em regime semiaberto porque, no frigir dos ovos, a prisão da PF em Curitiba é na verdade, um autêntico SPA, em que Lula tem direito a pouso, roupa lavada, comida extra, frigobar, jornais, TV, esteira rolante, assistência médica, visitas a toda hora, mesa e cadeiras para reuniões com advogados, políticos e companheiros de partido etc. – tudo às custas da Viúva. Então, por que sair do pouso grátis e estratégico?


A hipótese levantada é viável, mas não acredito nela. Lula está mais interressado - sobretudo quando dispõe da fidelidade canina de bom número ministros que ele colocou dentro do STF - em jogar por terra a legitimidade da prisão em segunda instância e, com isso, soltar dezenas de bandidos contumazes que estão presos. Mais que isso: tentar desmoralizar o juiz Sérgio Moro e, em especial, criar um clima de instabilidade objetivando inviabilizar o governo de Jair Bolsonaro – a única força viva da nação capaz de se interpor ao pretendido retorno dos comunistas ávidos por meter a mão no dinheiro da população.


Ou seja, aposta na inimaginável volta da canalhocracia ao poder.


2 – A atitude do diretor do Centro de Artes Cênicas da Funarte, Roberto Alvim, de classificar Fernanda Montenegro como uma pessoa “sórdida” (por, entre outras coisas, posar como mártir de uma falsa inquisição cultural), além de corajosa, me parece bastante adequado.


Fernanda, conhecida intramuros como a “Chanceler da Mamata”, há muito deixou de ser uma unanimidade (“burra”, como toda unanimidade, segundo Nelson Rodrigues). Há pouco, por exemplo, um núcleo de internautas que foi atacado pela vestal no programa do boquirroto Faustão, da TV Globo, exigiu dela respeito e acusou-a de ser desonesta por usufruir de grossas verbas repassadas por governos esquerdistas reconhecidamente corruptos.


Outro dia, em solenidade artística transmitida pela TV, a Fernandona apareceu e narrou para a plateia que ouvira de um secretário de Cultura palavras de elogios, afirmando ele, em seguida, que afora a cultura oficial o governo tinha outras prioridades, tais como investir em saúde, educação e segurança. A “Chanceler da Mamata”, irônica, disse que respondeu à tola autoridade, mais ou menos, o seguinte: “Olha, quando chegar a nossa vez, nos chama. A gente aqui só está interessada em verba”.


Na mosca! Os governos, em qualquer escala, precisam saber que o “beautiful people” da corporação artística só está interessada em dinheiro fácil para consecução de projetos pessoais, a maioria deles comprometidos com a subversão ou a pornografia. (Sei do que estou falando, porque já estive pela frente e por trás do balcão, quando ajudei Collor de Melo fechar a Embrafilme, ninho de cobras falido pela corrupção comunista).


Agora, o mais curioso: ao longo dos anos Fernanda Montenegro foi consolidando o mito de grande atriz sem nunca ter enfrentado o desafio de interpretar nos palcos teatrais, que eu saiba, os grandes dramaturgos, tais como Ésquilo, Sófocles, Eurípedes ou Aristófanes, criadores da tragédia grega, ou autores do teatro clássico espanhol do porte de Calderón de La Barca, Quevedo e Lope de Vega. Ou mesmo dramaturgos modernos complexos como Ibsen, além do maior de todos, William Shakespeare. Não é estranho?


Avaliada como atriz, ela perde no cantar para Bibi Ferreira, na dança para Marília Pêra, em vigor interpretativo para Cacilda Becker, em beleza física para Tonia Carrero, em elegância e leveza cênica para Maria Della Costa, em comicidade para Dercy Gonçalves, em energia e pioneirismo teatral para Dulcina de Moraes, em personalidade e substância artística para Madame Morineau, todas de sua geração, para não mencionar a excepcionalidade de voz e a força dramática de Tereza Rachel, segundo Paulo Autran a única atriz brasileira credenciada para representar as grandes personagens da tragédia grega.


E tem mais o seguinte: nos tempos da “ditadura” militar, enquanto atrizes como Odete Lara, Norma Benguel e Tonia Carrero saiam às ruas para protestar contra os arbítrios vigentes, e Tereza Rachel enfrentava no braço a polícia de Carlos Lacerda na noite de estreia da peça “Berço do Herói”, de Dias Gomes, Dona Fernanda posava ao lado do Marechal Castelo Branco, 1º ditador do “golpe” de 64.

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