Cadeia de suprimentos da China seriamente comprometida, just in time na berlinda

- THE EPOCH TIMES - 28 AGO, 2021 - Antonio Graceffo - Tradução César Tonheiro -

Um navio cargueiro carregando contêineres é visto próximo ao porto de Yantian em Shenzhen, após o surto de COVID-19, na província de Guangdong, China, em 17 de maio de 2020. (Martin Pollard / Reuters)

Uma pesquisa da Jabil, uma empresa de serviços de manufatura com sede na Flórida, descobriu que 78% das cadeias de suprimentos foram interrompidas pela pandemia.

Dezoito meses depois, as cadeias de abastecimento permanecem interrompidas devido a bloqueios contínuos, escassez de contêineres, clima de inverno, furacões, incêndios florestais, inundações, incêndios em fábricas, o bloqueio do Canal de Suez e uma série de outros motivos.


Essas interrupções causaram escassez global de semicondutores e polietileno (PE), polipropileno (PP) e monoetileno (MEG) que são usados para fazer plásticos. Os plásticos estão contidos em quase todos os produtos que usamos e a falta de plástico levou ao fechamento de fábricas, aumentos de preços e atrasos na produção em inúmeras indústrias. A escassez está afetando a fabricação de tudo, desde EPIs, embalagens de alimentos, eletrodomésticos, móveis, smartphones, peças de automóveis, e até equipamentos esportivos.


A escassez de materiais precursores (insumos químicos) causou uma escassez de vacinas vindas da China. O neodímio (Nd), refinado na China, é insumo para a fabricação de ímãs usados nos AirPods e nos motores de veículos elétricos. A China fechou muitas dessas refinarias, causando escassez em todo o mundo. A escassez de motores para veículos elétricos faz com que as fábricas de veículos elétricos em outros países interrompam a produção, o que leva ao desemprego, à escassez e à inflação de preços.


Antes da pandemia, as cadeias de abastecimento globais foram criadas para manter os custos de fabricação baixos e manter o investimento em estoque no mínimo. Com uma cadeia de suprimentos confiável instalada, as empresas poderiam manter um pequeno estoque, solicitando novos produtos ou insumos com frequência, sendo reabastecido rapidamente.


A pandemia fez com que empresas em todo o mundo repensassem suas cadeias de abastecimento. Agora que experimentaram interrupções em primeira mão, eles querem planejar de forma a evitá-las no futuro, construindo capacidades de resiliência da cadeia de suprimentos. Para muitos, isso significa não depender mais da China. Dos 150 fabricantes pesquisados pela National Law Review, 43% já mudaram suas manufaturas para fora da China.


A produção de mão-de-obra intensiva feita na China pode ser prejudicada, já que os bloqueios regionais da COVID na China muitas vezes impedem os trabalhadores de chegar às fábricas, ao mesmo tempo que evitam que os motoristas carreguem mercadorias para os portos. E os próprios portos às vezes são fechados. Consequentemente, a manufatura com mão de obra intensiva tornou-se um alvo de reestruturação, em face do planejamento pós-pandêmico de muitas empresas internacionais.


Nos estágios iniciais de desenvolvimento econômico, países como Japão, Taiwan e Cingapura se envolveram em manufaturas de baixo custo e com uso intensivo de mão de obra. Esses países investiram pesadamente na melhoria de seu capital humano e, por fim, ascenderam na cadeia de valor, fazendo manufatura intensiva em tecnologia, elevando drasticamente o padrão de vida de seus cidadãos. Embora a China tenha tentado subir na cadeia de valor, sua participação nas exportações com mão de obra intensiva aumentou de 13,9% em 2000 para 26,9% em 2018. Para se manter competitiva, a China manteve os salários de manufatura artificialmente baixos, mas os salários na China agora são um múltiplo dos salários de manufatura no Vietnã, Tailândia ou Indonésia.


A China é o maior exportador mundial, mas muitas das mercadorias exportadas da China são, na verdade, fabricadas por empresas de outros países. A guerra comercial EUA-China impõe as mesmas tarifas sobre produtos vindos da China, independentemente do país cuja fábrica chinesa os fabrica. As altas tarifas, as sanções econômicas sobre os produtos de Xinjiang, o aumento do custo de mão de obra, a alta rotatividade da equipe, os bloqueios da COVID e as preocupações sobre a dependência excessiva da China estão levando os fabricantes estrangeiros a deixar a China.


Uma pesquisa da Câmara de Comércio Americana descobriu que 29% das empresas americanas disseram que estavam transferindo parte ou toda a sua manufatura para fora da China. Outros estudos descobriram que os fabricantes de Taiwan, Coréia do Sul e Japão estão saindo em números ainda maiores. O Financial Times relatou que centenas de milhares de empresas de Taiwan planejavam deixar a China. O governo japonês ofereceu incentivos financeiros para atrair empresas japonesas a deixar a China, por preocupações de segurança por serem muito dependentes da China. Consequentemente, indústrias sensíveis, como farmacêuticas e semicondutores, foram fortemente encorajadas a se mudar para o Japão ou sudeste da Ásia.


Os Estados Unidos impuseram sanções aos produtos importados de Xinjiang por causa de relatos de trabalho escravo. Consequentemente, os compradores dos EUA estão procurando outros mercados de onde importar. A fabricante de eletrônicos taiwanesa Delta reduziu seu quadro de funcionários em 90%, dizendo que a China não era mais um bom lugar para fabricar. As fábricas estrangeiras na China estão agora pagando salários chineses muito mais altos, ao mesmo tempo em que enfrentam tarifas e sanções dos EUA. Enquanto isso, o regime chinês continua fechando a produção ou o transporte devido à COVID.


A China adotou uma abordagem de tolerância zero em relação a COVID, bloqueando cidades inteiras quando apenas alguns casos foram detectados. Isso está fazendo com que os investidores se afastem das ações chinesas. Também torna os fabricantes relutantes em confiar nas cadeias de abastecimento chinesas.

Devido aos surtos de COVID, a China, em vários momentos, cancelou voos, bloqueou cidades e regiões e suspendeu o comércio ao longo da costa. O porto de Yantian, a cerca de 80 quilômetros ao norte de Hong Kong, foi fechado por quase uma semana. Quando o porto foi reaberto, operou abaixo da capacidade, criando um enorme acúmulo de contêineres, que se espalhou para os portos de contêineres em Shenzhen e Guangzhou. As empresas de navegação alertaram seus clientes que os preços aumentaram drasticamente, já que o tempo de espera nesses portos pode chegar a 16 dias.

As taxas de envio aumentaram dramaticamente em todo o mundo. Um dos aumentos mais chocantes é a rota de Xangai a Rotterdam, na Holanda, que disparou 534%. O acúmulo de navios porta-contêineres na Ásia refletiu nos portos dos EUA, principalmente na Califórnia, que ficaram inundados de contêineres. Todos esses problemas levaram à escassez de estoque e aumento de preços.

Para se protegerem de interrupções futuras, as empresas estão adotando uma estratégia de “China mais um”, mudando pelo menos parte de sua manufatura na China para o Sudeste Asiático ou Índia. As empresas americanas também estão avaliando quais manufaturas podem ser realocadas para o México e depois importadas pelos Estados Unidos, sem tarifas, sob o Nafta. Seja no Sudeste Asiático ou no México, novas estratégias de logística terão que ser desenvolvidas, já que essas economias não são tão desenvolvidas quanto a China. No Vietnã, por exemplo, pode ser necessário construir estradas ou pagar por energias elétricas e redes de água para serem estendidas às fábricas.

As conexões com os portos podem ser problemáticas e a tecnologia dentro dos portos não estaria no mesmo nível que na China. Os portos chineses são eficientes e de alta capacidade, capazes de movimentar os maiores navios porta-contêineres. Além disso, a China oferece serviços de transporte marítimo direto para mercados em todo o mundo. Por outro lado, algumas empresas já passaram por 18 meses de interrupção da cadeia de suprimentos, o que não é bom para os resultados financeiros de uma empresa.

Embora alguns possam acreditar que os bloqueios e restrições da COVID irão acabar, os altos salários, sanções e tarifas provavelmente não irão. Além disso, dependendo de um estado potencialmente beligerante para semicondutores ou medicamentos que salvam vidas, isso deve ser visto como uma preocupação de segurança para países como os Estados Unidos ou o Japão. Consequentemente, parece prudente que as empresas mudem a manufatura da China, recompensando aliados confiáveis no Sudeste Asiático, como o Vietnã, ajudando esses países a se desenvolverem, enquanto reduzem os custos de manufatura a longo prazo. Em última análise, isso aumentaria a confiabilidade da cadeia de suprimentos. As opiniões expressas neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.

Antonio Graceffo, Ph.D., passou mais de 20 anos na Ásia. Ele é graduado pela Shanghai University of Sport e possui MBA na China pela Shanghai Jiaotong University. Antonio trabalha como professor de economia e analista econômico da China, escrevendo para vários meios de comunicação internacionais. Alguns de seus livros sobre a China incluem "Além do Belt & Road: a expansão econômica global da China" e "Um curso rápido sobre a economia chinesa". PUBLICAÇÃO ORIGINAL: https://www.theepochtimes.com/challenges-to-the-china-supply-chain_3968483.html


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