As violações dos direitos humanos dos palestinos apoiadas pelos EUA

- GATESTONE INSTITUTE - 23 JUN, 2021 - Khaled Abu Toameh - Tradução: Joseph Skilnik -

O governo Biden deu luz verde à Autoridade Nacional Palestina (ANP) para que retomasse severas medidas repressivas contra usuários de redes sociais, ativistas políticos e rivais na Cisjordânia? Logo depois da visita do Secretário de Estado Antony Blinken, a Ramala em maio, as forças de segurança da ANP prenderam ou notificaram dezenas de palestinos a comparecerem perante os tribunais para serem interrogados. O grupo palestino de direitos humanos Lawyers for Justice revelou que alguns dos detidos confirmaram que foram espancados e torturados na prisão em Jericó controlada pela Autoridade Nacional Palestina. (Imagem: iStock)
  • Ao que tudo indica, Abbas está animado com a decisão da Administração Biden de retomar incondicionalmente a ajuda financeira aos palestinos. A ajuda, sem nenhuma restrição ou condição, sequer um requisito para que a Autoridade Nacional Palestina ponha fim às violações dos direitos humanos e aos ataques contra as liberdades individuais e direitos fundamentais.

  • O Lawyers for Justice assinalou em uma declaração separada que fazia parte das formas de tortura na prisão de Jericó, controlada pela ANP: pendurar detidos pelo teto, espancamentos, abusos verbais... e choques elétricos.

  • "A Lista do Futuro convoca todas as legendas aprovadas pela Comissão Central das Eleições, todos os órgãos de direitos humanos e todas as pessoas de honra deste país a formarem uma frente única para resistir às arbitrárias prisões políticas que visam silenciar toda e qualquer voz livre que se levantar em face da tirania e da corrupção praticada pela Autoridade Nacional Palestina." — A Lista do Futuro, Shfanews.com, 26 de maio de 2021.

  • Tudo indica que os diplomatas estão pouco se lixando se a ANP está prendendo, torturando e intimidando usuários de redes sociais e ativistas políticos.

  • Estes diplomatas e jornalistas ocidentais levantam suas vozes em alto e bom som quando se trata em dizer algo condenatório em relação a Israel. O silêncio da comunidade internacional e do apoio cego e irrestrito do governo Biden à ANP encoraja a liderança palestina a intensificar as medidas repressivas contra a população palestina.

  • Quando os palestinos ficam desesperados para que haja alguma melhora na liderança da ANP, eles convergem em direção ao Hamas e a outros grupos terroristas vistos por muitos palestinos como melhor alternativa do que Abbas e sua facção Fatah.

  • Não deveria causar espécie, então, que a mais recente pesquisa de opinião tenha mostrado uma dramática escalada na popularidade do Hamas entre os palestinos. O que deveria sim ser surpreendente e inquietante, é o fato que o mundo ocidental está ajudando e estimulando diretamente essa sangrenta mudança de lealdade.

O governo Biden deu luz verde à Autoridade Nacional Palestina (ANP) para que retomasse severas medidas repressivas contra usuários de redes sociais, ativistas políticos e rivais na Cisjordânia?

Logo depois da visita do Secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, a Ramallah no final do mês de maio, a capital de fato dos palestinos, as forças de segurança da ANP prenderam ou notificaram dezenas de palestinos a comparecerem perante os tribunais para serem interrogados.

Muitos desses palestinos foram acusados de "insultar" líderes palestinos em plataformas de redes sociais ou de manifestarem apoio aos rivais da ANP, Hamas e demais facções palestinas.

Ao que tudo indica, Abbas está animado com a decisão da Administração Biden de retomar incondicionalmente a ajuda financeira aos palestinos. A ajuda, sem nenhuma restrição ou condição, sequer um requisito para que a Autoridade Nacional Palestina ponha fim às violações dos direitos humanos e aos ataques contra as liberdades individuais e direitos fundamentais.

Em suma, a Administração Biden parece estar sinalizando aos palestinos de que os EUA apoiam as ditaduras árabes que oprimem e encarceram ativistas políticos e opositores, que barram o surgimento de novos e jovens líderes.

A Administração Biden também está ventilando aos palestinos, embora indiretamente, que os Estados Unidos continuarão apoiando um líder árabe que lhes negou a chance de realizarem as já atrasadíssimas eleições para o parlamento e à presidência palestinas.

O grupo palestino de direitos humanos Lawyers for Justice salientou em um comunicado publicado em 5 de junho que "a campanha de encarceramentos de políticos e notificações a comparecimentos perante os tribunais... atingiu inúmeros cidadãos de diferentes backgrounds, incluindo prisões baseadas em filiações políticas e detenções por exercerem a liberdade de opinião e de expressão nas redes sociais ou de participarem de qualquer entretenimento, após o cessar-fogo de 21 de maio" entre Israel e o Hamas.

O grupo revelou que alguns dos detidos confirmaram que foram espancados e torturados no centro de detenção palestino do Comitê de Segurança da ANP em Jericó. O grupo emitiu o seguinte comunicado:

"o Lawyers for Justice acredita que o continuado encarceramento dos detidos acima mencionados, sem provas nem justificativas reais faz com que sua contínua detenção resulte em prejuízo dos seus direitos e depreciação das suas garantias na obtenção dos direitos integrais de um julgamento transparente... o que é considerado uma violação das liberdades individuais, liberdade de expressão e liberdade de filiação política... as prisões e detenções destas pessoas foram realizadas sem qualquer fundamento..."

Tariq Khudairi, um ativista político de Ramallah, foi preso pelas forças de segurança da ANP sob a acusação de amaldiçoar o ex-líder da OLP Yasser Arafat durante uma manifestação em Ramala. Khudairi foi acusado de "instigar conflitos sectários", uma acusação normalmente feita pela ANP contra qualquer um que ouse criticar o presidente da ANP, Mahmoud Abbas ou outros altos funcionários.

O Lawyers for Justice assinalou em uma declaração separada em 29 de maio, que fazia parte das formas de tortura na prisão de Jericó, controlada pela ANP: pendurar detidos pelo teto, espancamentos e abusos verbais. "Entre os detidos se encontrava Mahdi Abu Awad, que confirmou ter sido submetido a tortura durante o interrogatório pela Promotoria de Jericó", salientou o grupo. "O grupo Lawyers for Justice solicita ao governo palestino... que impeça os serviços de segurança de continuarem a violar os direitos e liberdades individuais..."

Yassin Sabah, ativista político preso no mês passado pelas forças de segurança da ANP sob a acusação de participar de uma manifestação em solidariedade aos palestinos na Faixa de Gaza, disse a seu irmão que foi brutalmente torturado. A tortura, revelou ele, incluía choques elétricos e outras formas de abuso físico. "Devido à tortura e às péssimas condições na prisão, o peso de Yassin despencou de 85 para 50 quilos", de acordo com seu irmão. "Além disso, a ANP impediu que ativistas de direitos humanos o visitassem na prisão".

Em 16 de junho, a Força de Segurança Preventiva da ANP deteve Amir Abu Sharar, de 16 anos, por conta de um comentário que ele publicou no Facebook durante as hostilidades entre Israel e o Hamas. Abu Sharar sofre de diabetes e precisa de duas injeções de insulina por dia.

"Não vamos aceitar esta injustiça",