Apple puniu funcionário por aprovar aplicativo que criticava Pequim

- THE EPOCH TIMES - Jan 4, 2021 -

Cathy He - TRADUÇÃO CÉSAR TONHEIRO -


Um ex-funcionário da Apple alega em uma ação judicial que a empresa o puniu por aprovar um aplicativo crítico ao regime chinês, a fim de apaziguar as autoridades de Pequim.



As alegações foram feitas por Trieu Pham, ex-revisor de aplicativos da gigante da tecnologia, em uma ação por discriminação e rescisão injustificada movida no Tribunal Superior de Santa Clara, Califórnia, em dezembro de 2019.


Em sua reclamação, Pham afirma que, em 2018, ele foi criticado por seus gerentes da Apple por aprovar um aplicativo da Guo Media porque era "crítico ao governo chinês". Guo Media é um site criado por Guo Wengui, um empresário chinês dissidente exilado nos Estados Unidos e procurado por Pequim por supostos crimes econômicos, que é conhecido por fazer alegações sobre corrupção massiva nos escalões mais altos da liderança do Partido Comunista Chinês (PCC).


As alegações iluminam como a gigante da tecnologia navega em seu relacionamento com o regime chinês, que notoriamente força as empresas ocidentais a cumprir os requisitos de censura e vigilância como condição de acesso ao mercado. A Apple depende muito do mercado chinês, seu terceiro maior mercado em receita.


O ex-funcionário disse que seus gerentes intensificaram o escrutínio de seu trabalho depois que ele apresentou uma queixa de discriminação interna em setembro de 2017, de acordo com a queixa judicial. Posteriormente, eles conduziram uma auditoria de uma amostra das análises de aplicativos de Pham de julho a setembro de 2018 e deram a ele um "Plano de treinamento documentado", que incluía análises que supostamente foram feitas por engano.

O plano identificou o erro mais grave de Pham na aprovação do aplicativo Guo Media, que foi proibido na versão chinesa do App Store da Apple , de acordo com o processo.


A Apple retira regularmente aplicativos de seu App Store na China a pedido das autoridades chinesas e também bloqueia de forma proativa centenas de aplicativos que são politicamente sensíveis a Pequim, de acordo com uma análise do Tech Transparency Project, uma organização sem fins lucrativos com sede nos Estados Unidos.


Pham alega que, depois que o aplicativo foi aprovado, as autoridades chinesas contataram a Apple e exigiram que ele fosse removido do App Store. Em resposta, a empresa conduziu uma investigação interna e descobriu que Pham foi o revisor que aprovou o aplicativo, afirmou a queixa do tribunal.


Ele foi convocado para uma reunião com vários gerentes para discutir o aplicativo Guo Media em setembro de 2018, durante a qual os gerentes disseram que o aplicativo deveria ser removido do App Store por criticar o regime chinês. Pham argumentou que o aplicativo não violou nenhuma das políticas da Apple com relação ao conteúdo do aplicativo, pois apenas publicou alegações de corrupção no PCC e, portanto, deve permanecer na loja por uma questão de liberdade de expressão.


Pham também disse aos gerentes na reunião que remover o aplicativo devido à pressão do regime chinês estaria cedendo à censura, de acordo com a denúncia. Ele perguntou repetidamente se os gerentes poderiam fornecer uma justificativa para bloquear o aplicativo com base nas próprias políticas e procedimentos da empresa, mas não podiam.


Mais tarde, ele teve uma reunião com seu supervisor sobre o mesmo assunto, durante a qual Pham reiterou por que o aplicativo deveria permanecer na loja. Pham também disse a colegas de trabalho sobre essas reuniões e que a Apple estava tentando censurar um dissidente chinês sob pressão de Pequim, afirmou a queixa.


O ex-funcionário acreditava que a verdadeira razão pela qual a Apple criou o plano de coaching era "apaziguar" o governo chinês. O plano era “a mensagem da Apple para a China de que na verdade não aprovava um aplicativo criado por Guo”, dizia a denúncia. A empresa então tentou punir Pham por se manifestar contra a censura, acrescentou.


Pham foi despedido em março de 2019.


A Apple não respondeu imediatamente a um pedido do Epoch Times para comentar o assunto.


Em novembro, um juiz decidiu que o processo poderia prosseguir depois que a Apple buscou que algumas das causas de ação de Pham fossem descartadas.


A Apple já havia recebido críticas por se curvar às demandas de censura do regime chinês.

No ano passado, a empresa retirou HKmap.live , um aplicativo usado por manifestantes pró-democracia de Hong Kong para rastrear a atividade policial da cidade, de seu App Store. Os manifestantes denunciaram a ação como um exemplo de a empresa ceder à pressão de Pequim, embora a Apple tenha dito que o aplicativo foi removido por representar um risco à segurança pública.


Naquela época, a Apple também removeu o aplicativo de notícias Quartz de seu App Store chinês após receber reclamações de Pequim sobre a cobertura dos protestos em Hong Kong.


Siga Cathy no Twitter: @CathyHe_ET


ARTIGO ORIGINAL:

https://www.theepochtimes.com/apple-punished-employee-for-approving-app-that-was-critical-of-beijing-lawsuit-alleges_3629317.html

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