Apoio de Pequim a Moscou é complexo

- THE EPOCH TIMES - James Gorrie - TRADUÇÃO CÉSAR TONHEIRO - 14 MAR, 2022 -

O presidente russo, Vladimir Putin, cumprimenta o líder chinês Xi Jinping durante uma cerimônia de assinatura após as conversas russo-chinesas à margem do Fórum Econômico do Leste em Vladivostok, em 11 de setembro de 2018. (Sergei Chirikov/AFP/Getty Images)

Pequim fala da boca para fora ao Ocidente enquanto continua a permitir as operações militares da Rússia


Pequim está tentando jogar um jogo inteligente ao apoiar a guerra da Rússia na Ucrânia enquanto equilibra suas ações e retórica, à luz da reação surpreendentemente forte do Ocidente à invasão.


Não se engane sobre isso, embora o progresso tenha sido mais lento do que o previsto, salvo qualquer desenvolvimento imprevisto, a Rússia prevalecerá neste conflito com a Ucrânia. Além disso, Pequim não condenará seu parceiro russo depois de descrever a parceria entre as duas nações como “sólida como uma rocha”.


Pequim está, portanto, tentando manter a credibilidade no Ocidente, onde seus interesses econômicos são enormes, e com sua aliança expansiva e voltada para o futuro com a Rússia.


Uma aliança de pacotes mistos


Dito isso, o apoio de Pequim a Moscou é complexo, com uma mistura de vantagens e desvantagens.


Por exemplo, Pequim quer minimizar o impacto econômico das sanções sobre a Rússia, mas não vai tão longe a ponto de sacrificar seus próprios interesses econômicos para ajudar Moscou a enfrentar as sanções. Isso é compreensível. Com suas reservas de moeda estrangeira cada vez menores e mercados cada vez menores na Europa, a própria China está se tornando economicamente mais vulnerável.


Além disso, não importa o quanto tente jogar em ambos os lados, Pequim perdeu muito de sua complascência com a Europa e o Ocidente por meio de suas políticas comerciais tóxicas, roubo tecnológico desenfreado, bem como seu apoio à invasão da Rússia.


Ninguém acredita seriamente nas afirmações de Pequim de que deseja coexistência pacífica ou ir além de uma “mentalidade de Guerra Fria”, pois apoia totalmente uma guerra não provocada na Ucrânia. O objetivo do Partido Comunista Chinês (PCC) é substituir a América e governar o mundo, e todos sabem disso.


Rússia abraça a China


Ao mesmo tempo, a invasão levou a Rússia ainda mais fundo nos braços da China. Isso não deveria surpreender ninguém, muito menos as nações. Elas formaram sua aliança bem antes da invasão e provavelmente a planejaram juntas como uma reação contra o poder dos EUA.


Mas agora que está sob extensas sanções econômicas do Ocidente, a Rússia precisa da China mais do que nunca. Mais de 300 corporações ocidentais se retiraram da Rússia nas últimas duas semanas – de companhias aéreas a fast food, empresas de internet – esmagando a economia russa.

Uma mulher passa por uma loja Chanel fechada em Moscou em 10 de março de 2022. (AFP via Getty Images)

Por exemplo, Moscou está contando com a gigante chinesa de telecomunicações Huawei para preencher a lacuna de isolamento digital deixada pelos provedores de serviços de internet ocidentais. A Rússia praticamente não tem a quem recorrer para serviços de internet e outros recursos digitais necessários.


Possíveis resultados na Ucrânia


Em um contexto geopolítico, o resultado na Ucrânia pode seguir alguns caminhos diferentes. Uma Europa desestabilizada, com relações tensas com os EUA e influência diminuída dos EUA, por exemplo, pode ser uma grande vitória tanto para Pequim quanto para a Rússia. Poderia tornar a OTAN irrelevante se não inexistente.


Se, no entanto, a OTAN de alguma forma se fortalecer e ajudar a Ucrânia a repelir a Rússia, poderá expandir rapidamente a guerra. De fato, o presidente russo Vladimir Putin já pode estar fazendo isso com até 16.000 combatentes sírios a caminho da Ucrânia. Mas se a Ucrânia de alguma forma permanecer independente, isso levaria a mais perdas para Pequim e Moscou em termos de acesso ao mercado europeu e influência em todo o mundo.


Tal resultado pode depender do desejo ou capacidade da Europa de reagir contra Moscou e da capacidade dos Estados Unidos de fortalecer a relação atlântica em vez de parecer fraco no cenário mundial.


Um terceiro resultado muito favorável seria a Rússia consolidar seus ganhos na Crimeia, estabelecer estados clientes em Luhansk e Donetsk e impor a neutralidade do que resta da Ucrânia. Isso daria à Rússia uma grande vitória sem desencadear um conflito mais amplo e a OTAN uma saída.


Vantagens acumuladas para Moscou e Pequim


Uma vantagem que a invasão dá à China, no entanto, é uma visão de como Pequim pode se preparar para, ou mesmo evitar, os problemas com os quais a Rússia está lidando, caso o regime chinês invada Taiwan. A extensão dessa vantagem, no entanto, não está clara.


Outra vantagem é o fato de que o comércio entre os dois disparou quase 40% em relação ao ano passado, para cerca de US$ 147 bilhões. É um relacionamento crucial e mutuamente benéfico. Como o maior importador mundial de alimentos, a China precisa de alimentos russos e de seus recursos. Acordos comerciais recentes incluem a China importando petróleo, gás, carvão e grãos russos. Como o maior exportador de trigo do mundo, é mais crítico do que nunca para a Rússia.

Uma colheitadeira colhe trigo em um campo perto da vila de Suvorovskaya, na região de Stavropol, na Rússia, em 17 de julho de 2021. (Eduard Korniyenko/Reuters)

Por outro lado, a Rússia precisa da assistência financeira da China, bem como de sua experiência em alta tecnologia e produtos de consumo. Por exemplo, o sistema de pagamento UnionPay da China, que concorre com Mastercard e Visa, está sendo adotado pela Rússia.


Ao mesmo tempo, o eixo Rússia-China tem alcance estratégico, destinado a desafiar a atual ordem liberal liderada pelos Estados Unidos na Europa e na região Ásia-Pacífico, tanto militar quanto economicamente. O sistema de pagamentos interbancários transfronteiriços da China (CIPS) foi projetado para substituir o sistema SWIFT. Isso daria imunidade às sanções financeiras dos EUA. Outras nações que desejam evitar o controle dos EUA sobre suas economias também receberão uma alternativa ao SWIFT.


Objetivos conflitantes


Conforme observado anteriormente, por um lado, a China está tentando equilibrar suas relações com os atuais líderes globais e, por outro, alavancar sua parceria com a Rússia. Alguns vêem a Rússia como a parte mais poderosa da aliança, mas a agressão da Rússia desmente seu desespero, não sua superioridade.


Um ponto fundamental no que diz respeito à relação de poder é considerar na aliança China-Rússia onde estão os interesses de cada parceiro, tanto no curto quanto no longo prazo.


No curto prazo, os interesses da Rússia incluem conquistar a Ucrânia, ressuscitar sua economia e possivelmente conquistar antigos satélites da antiga URSS. Os interesses da China estão destituindo o controle financeiro global dos EUA e possivelmente assumindo o controle de Taiwan.


No longo prazo, a Rússia quer dominar a Europa, enquanto a China quer empurrar os Estados Unidos para fora da região Ásia-Pacífico, além de dominar a Europa. Isso incluiria, a propósito, a Rússia.


Enquanto isso, ambas as nações enfrentam alguns desafios semelhantes.


Por exemplo, no nível macro, ambos estão enfrentando fortes desafios econômicos. A China precisa desesperadamente mudar sua economia do desenvolvimento imobiliário baseado em dívidas para o consumo doméstico. A implosão econômica da Rússia é muito mais dramática e a torna a mais fraca das duas.


No nível micro, ambos os governos governam essencialmente seus respectivos países por meio de ditaduras.


Talvez não tão coincidentemente, ambos ficaram mais isolados no cenário mundial. Conforme observado em um post anterior, o líder chinês Xi Jinping não deixa Pequim há mais de dois anos. Ele pode estar enfrentando desafios internos dentro do PCC. Enquanto isso, Putin está escondido em um bunker na montanha.


Como em todas as guerras, há resultados antecipados e inesperados. Mas, em última análise, parece que a China – não a Rússia – tem mais a ganhar do que a perder com a guerra na Ucrânia.


As opiniões expressas neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.


James R. Gorrie é o autor de “The China Crisis” (Wiley, 2013) e escreve em seu blog, TheBananaRepublican.com. Ele mora no sul da Califórnia.


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