Ambições Neo-otomanas de Erdoğan Miram o Leste

- GATESTONE INSTITUTE - Burak Bekdil - Tradução Joseph Skilnik - 18 ABR, 2022 -

Obcecado em ressuscitar os dias de glória imperial dos turcos, o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan está se voltando para o leste com o propósito de criar uma aliança estratégica pan-turca/islâmica constituída pela Turquia estado membro da OTAN, Azerbaijão com seus valiosos recursos de hidrocarbonetos e crescente infraestrutura militar e Paquistão armado com ogivas nucleares. Foto: encontro de Erdogan (direita) com o primeiro-ministro paquistanês Imran Khan em Ankara, Turquia, em 4 de janeiro de 2019. (Foto: Adem Altan/AFP via Getty Images)

O ambicioso cálculo político neo-otomano do presidente turco Recep Tayyip Erdoğan rendeu à Turquia um isolamento internacional sem precedentes. A Turquia emplacou o título de único país do planeta a ser sancionado por não menos que Estados Unidos, Rússia e União Europeia nos últimos cinco anos. As negociações da Turquia para a plena adesão à UE foram suspensas e a Comissão Europeia deu início a procedimentos de transgressão contra o único estado membro muçulmano da OTAN. Obcecado em ressuscitar os dias de glória imperial dos turcos, Erdoğan está se voltando para o leste da Turquia com o propósito de criar uma aliança estratégica pan-turca/islâmica composta pela Turquia, Azerbaijão e Paquistão, com alianças táticas de meio expediente com Irã, Catar e Bangladesh.



A ideia é reunir três nações muçulmanas: Turquia, estado membro da OTAN, Azerbaijão com seus valiosos recursos de hidrocarbonetos e crescente infraestrutura militar e Paquistão armado com ogivas nucleares.


O slogan "uma nação, dois estados" ganhou força principalmente após o apoio militar e logístico da Turquia ao Azerbaijão na guerra Nagorno-Karabakh em 2020, que terminou em grande vantagem dos azerbaijanos em cima da Armênia. O Azerbaijão virou um cliente cada vez mais exigente de sistemas de armas fabricadas na Turquia. A Turquia convidou o Azerbaijão e o Paquistão a participarem de seu programa TF-X, um plano ambicioso cujo propósito é construir uma nova geração de caças autóctones.


A venda de armas da Turquia para o Azerbaijão decolou nos últimos anos. Em 2020, as exportações relacionadas a sistemas de defesa e aeroespacial fabricadas na Turquia e enviadas para o Azerbaijão aumentaram seis vezes. Da mesma forma, entre 2016 e 2019, a Turquia se tornou o quarto maior fornecedor de armas do Paquistão, superando os EUA, enquanto o Paquistão virou o terceiro maior mercado de armas da Turquia.


Em 1988, a Turquia e o Paquistão formaram um Grupo Consultivo Militar cujo objetivo era fortalecer as relações de aquisições de sistemas militares e de defesa. À medida que a cooperação se aprofundava, o grupo se expandiu e evoluiu para o Conselho de Cooperação Estratégica de Alto Nível (HLSCC). No início de 2020, Erdoğan e o primeiro-ministro paquistanês Imran Khan copresidiram a sexta sessão do HLSCC e assinaram 13 memorandos de entendimento (MOUs), cinco deles relacionados à indústria bélica.


Segundo um dos contratos, a Turquia construirá e venderá quatro corvetas multifuncionais para a Marinha do Paquistão. Anteriormente, em 2018, a Turkish Aerospace Industries (TAI) assinou um contrato de US$1,5 bilhão para vender um lote de 30 helicópteros de ataque T129 para o Paquistão.


Não é nenhuma coincidência o fato de Erdoğan ter visitado o Azerbaijão mais de 20 vezes ao longo de sua presidência. Em setembro de 2021, as forças armadas do Azerbaijão, Turquia e Paquistão realizaram um exercício militar conjunto de oito dias em Baku, apelidado de "Três Irmãos - 2021". Ao longo de 2021, Ancara, Baku e Islamabad discutiram maneiras de incrementar comércio, investimento, transporte, bancos e turismo após a assinatura da Declaração de Islamabad que visa aprofundar a interação econômica das três nações muçulmanas.


Para poder exercer influência política no futuro do Afeganistão, a Turquia atua em estreita colaboração com seu fiel aliado do Golfo, Catar. No início de dezembro, Erdoğan e o emir do Catar, Xeque Tamim bin Hamad Al Thani assinaram 12 MOUs em diversas áreas, entre elas, nos setores militar, saúde, turismo e educação. O ministro das relações exteriores do Catar, Xeque Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, explicou: "o Catar atuará juntamente com a aliada Turquia e com oficiais de alto calibre do Talibã para assegurar que o aeroporto internacional de Cabul, local de cenas caóticas após a tomada de poder do Talibã, continue operando".


Ancara, ao que parece, está esperançosa de que a saída dos EUA do Afeganistão tenha criado espaço para que a Turquia e o Paquistão ocupem o papel de liderança. Alguns especialistas concordam.


"Durante 20 anos, os EUA vem atuando na região como força estrangeira, in loco, no campo de batalha. E agora que eles saíram, deixaram um vácuo político... O dinamismo geopolítico existe", salientou Rabia Akhtar, que lidera o Centro de Estratégia para a Segurança e Pesquisa de Políticas (CSSPR) da Universidade de Lahore. "E bem no centro se encontra o Paquistão. Não só o Paquistão, como também o Irã e a Turquia."


Em 23 de dezembro, após um hiato de 10 anos, partiu o primeiro trem de carga do Paquistão para a Turquia através do Irã, chamado de serviço ferroviário Islamabad/Istambul. Foi um grande impulso para o potencial comercial dos três fundadores da Organização de Cooperação Econômica. A medida veio depois de vários anos em que os EUA enveredaram por uma política de "pressão máxima" contra o Irã cujo objetivo era isolar o país cortando todos os modos de transação internacional com a República Islâmica.


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