A nova cisão entre a OMS e a China

- THE EPOCH TIMES - Jeffrey A. Tucker - TRADUÇÃO CÉSAR TONHEIRO - 15 MAI, 2022 -


Desde o início da pandemia, a Organização Mundial da Saúde e o PCC da China trabalharam de mãos dadas e falaram em uníssono, culminando na viagem à Vila Potemkin (algo apenas fachada) em meados de fevereiro de 2020. O relatório dessa viagem patrocinada pela OMS — de quão maravilhosamente a China se apresentou! — foi escrito e assinado por autoridades de saúde pública americanas que recomendaram bloqueios ao estilo de Wuhan, uma política desastrosa que inspirou ainda mais a maioria dos governos do mundo a fazer o mesmo.



Vinte e seis meses depois, verifica-se que a China, de fato, não havia “eliminado totalmente o vírus dentro de suas fronteiras”, ao contrário das alegações exageradas da especialista em TV Devi Sridhar em seu novo livro “Prevenível”. Eles apenas empurraram os casos para o futuro, como o PCC descobriu quando testes positivos apareceram em toda Xangai, levando a 7 semanas de bloqueios brutais.


Este movimento por parte da China foi um desastre para o país e para a economia mundial, e atualmente põe em risco o futuro financeiro e tecnológico de todo o país.


Para Xi Jinping, os bloqueios e a covid-zero foram sua maior conquista, que foi comemorada em todo o mundo, fazendo com que seu orgulho político aumentasse além de todos os limites. Agora, ele não pode recuar para não enfrentar possíveis perdas nas próximas eleições do partido.


Apenas no fim da semana passada, ele deixou claro para todo o governo que não haveria recuo na política de Covid-zero: o PCC "adotará inabalavelmente à política geral de 'dinamismo Covid-zero' e lutará resolutamente contra quaisquer palavras e atos que distorcem, duvidam ou negam as políticas de prevenção de epidemias do nosso país”.


O problema é agudo: um grande número na China provavelmente precisa adquirir imunidade natural por meio da exposição. A política de bloqueio provavelmente prejudica a conquista da endemicidade. Isso significa danos de longo prazo para o futuro da China.

Percebendo esse problema, o chefe da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, fez uma leve crítica: “Considerando o comportamento do vírus, acho que uma mudança será muito importante”, acrescentando que discutiu esse ponto com cientistas chineses.


O que aconteceu a seguir é realmente fascinante: os comentários de Tedros foram censurados em toda a China e as buscas pelo nome Tedros foram imediatamente bloqueadas no país. De maneira implausível, apenas afirmando o ponto incrivelmente óbvio, Tedros se tornou um inimigo do Estado. Enquanto isso, outro partidário da OMS/China, Bill Gates, tem dito timidamente algo muito semelhante em entrevistas, ou seja, que o vírus não pode ser erradicado.


Não são apenas Tedros e Gates que estão tentando fugir de sua defesa dos bloqueios. O próprio Anthony Fauci negou que os Estados Unidos tivessem “bloqueios completos” – o que é tecnicamente correto, mas não porque ele não os exigiu.


Em 16 de março de 2020, Fauci enfrentou a imprensa nacional e leu uma diretiva do CDC: “Em estados com evidências de transmissão comunitária, bares, restaurantes, praças de alimentação, academias e outros locais internos e externos onde grupos de pessoas se reúnem devem ser fechados.”


Na verdade, tem-se a forte sensação de que os governos de todo o mundo estão fingindo que todo o caso patético e terrível nunca aconteceu, mesmo quando estão tentando reservar o poder de fazer tudo de novo, caso seja necessário.


Em 12 de maio de 2022, muitos governos ao redor do mundo se reuniram para uma videochamada e concordaram em despejar muitos bilhões a mais no trabalho da covid e reafirmar sua dedicação a uma abordagem de “toda a sociedade” e “todo o governo” para doença infecciosa. O governo dos EUA sob a administração (Biden) prontamente concordou com essa ideia.


É um progresso ver essas pessoas jogando em torno da linguagem muito criticada, mas agora totalmente justificada Declaração do Great Barrington? Discutível. Não se pode melhorar uma política ruim com jogo de palavras. Há todas as indicações dessa declaração de que não haverá desculpas, arrependimentos e mudanças na posição padrão de que os governos devem sempre e em todos os lugares ter o poder máximo para controlar qualquer patógeno de sua escolha.


Apesar das palavras censuradas de Tedros, não é de admirar que Xi Jinping continue se sentindo justificado e afirmado, e não veja nenhum perigo político real em escolher seu próprio poder sobre a saúde e o bem-estar de seu povo. Governos de todo o mundo ainda não conseguem reunir coragem para fazer um ataque a todo vapor e sólido contra o Covid-zero, por medo das implicações de tal concessão. Empurrões e sugestões, mesmo da OMS, não vão fazer isso.


Do Instituto Brownstone


As opiniões expressas neste artigo são as opiniões do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.


Jeffrey A. Tucker é fundador e presidente do Brownstone Institute. Ele é o autor de cinco livros, incluindo "Coletivismo de Direita: A Outra Ameaça à Liberdade".


PUBLICAÇÃO ORIGINAL >

https://www.theepochtimes.com/the-new-rift-between-who-and-china_4467663.html

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