A HORA DA DECISÃO

Sérgio Pinto Monteiro*


Quando se chega aos oitenta anos ativo, saudável - e diria operacional - ao reverso do que, equivocadamente, alguns podem imaginar, a motivação para defesa dos princípios e valores, morais e cívicos, adquiridos nessa jornada que já vai longa, torna-se diretamente proporcional ao tempo de existência. Nessa realidade, tendo vivenciado – e até participado ativamente – de quase setenta anos da história de nosso país, sinto-me na obrigação, mais do que isso, no dever, de persistir nessa missão, até com mais veemência. Assim, como na fábula do pássaro que faz a sua parte ao enfrentar o incêndio na floresta, uso a palavra como opção de arma disponível na defesa do meu país.


A grave crise político-institucional que ora vivemos, caminha, celeremente, para a hora onde as FORÇAS VIVAS da nação terão que DECIDIR. Mais do que isso, terão que AGIR. Na defesa da liberdade e da democracia, vitimadas por pessoas e instituições que, em seus nomes, procedem como traidores e algozes. Na defesa do Estado de Direito, diuturnamente vilipendiado por indivíduos e entes que deveriam atuar como seus guardiões. Na defesa das nossas crianças, futuras vítimas de uma nação que caminha para o caos se não agirmos a tempo de livrá-las desse cruel destino. É hora de cada brasileiro patriota pintar-se com as tintas da guerra. Jovens e velhos, pobres e ricos, civis e militares, TODOS serão responsabilizados pela História se permitirem que o poder nacional retorne às mãos daqueles que quase destruíram o Brasil. Se permitirem que o POVO BRASILEIRO continue a ser ultrajado por maus cidadãos, encarapitados em seus privilégios, embevecidos pela falsa sensação de serem inatingíveis em suas infâmias, inebriados pela embriaguez da demência cívica e moral.


A hora é de combater o bom combate. O momento é de cumprir juramentos e compromissos. Heróis do passado lutaram e morreram pela Pátria, pela liberdade, pela democracia, por bons princípios e valores. Civis e militares. Brancos, negros e índios. Muitos interromperam e sacrificaram suas vidas, famílias e carreiras. Mas fizeram a sua parte quando a floresta estava em chamas. A hora é agora. Estamos presenciando – muitos num silêncio inadmissível e de difícil compreensão – o avanço dos que ultrajam a vontade popular, descumprindo, violentando e interpretando as leis ao sabor de seus interesses escusos. Nossos heróis de ontem não merecem a omissão dos bons. O futuro do nosso povo, gente simples, trabalhadora e ordeira, depende daqueles brasileiros que podem – e devem – lutar por sua felicidade e liberdade. A hora é de agir, enquanto o inimigo ainda tem vulnerabilidades. A covardia de alguns não pode se sobrepor ao idealismo e coragem da maioria. O Brasil espera que cada um cumpra com o seu dever.

DEUS PROTEJA O NOSSO PAÍS, AMPARE O POVO BRASILEIRO E ILUMINE OS SEUS DEFENSORES.

*o autor é historiador, professor, oficial da reserva do Exército Brasileiro.

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