A guerra TikTok

THE EPOCH TIMES - Aug 5, 2020 - Tradução César Tonheiro



Nesta ilustração, um telefone celular com o aplicativo TikTok é exibido próximo ao logotipo da Microsoft em Nova York em 3 de agosto de 2020. (Cindy Ord / Getty Images)

Popular aplicativo de mídia social chinês sob os holofotes diante do roubo de dados dos usuários, será banido por Trump ou comprado pela Microsoft

5 de agosto de 2020 por James Gorrie


A história do TikTok está se tornando estranha a cada dia. Por um lado, faz parte de uma guerra em constante expansão pela influência global entre Pequim e Washington.


Por outro lado, é um teste decisivo para tornar claro quem somos como nação.


Mídias sociais armadas


O presidente Donald Trump ameaçou banir o aplicativo de mídia social baseado na China, a menos que ele seja adquirido por uma empresa americana. Como os fabricantes proibidos de smartphones e equipamentos de rede de propriedade chinesa Huawei e ZTE, a TikTok foi acusada de roubar dados e informações dos usuários para exploração pelo Partido Comunista Chinês (PCC).


Os Estados Unidos temem que cerca 100 milhões de usuários do aplicativo nos EUA estejam sujeitos a manipulação de propaganda e censura, e que seus dados pessoais sejam usados para fins publicitários sem sua permissão. Também aumenta o risco, e o de seus contatos, de ataques cibernéticos da China.


Em outras palavras, Pequim arma as mídias sociais.


Esse é um assunto recorrente da leviandade do TikTok. Agora o fato tornou-se aceito de que qualquer empresa da China é um espião potencial e talvez até provável para o PCCh. O TikTok é apenas mais um cavalo de Tróia, de acordo com o secretário de Estado Mike Pompeo. Essa é uma conclusão razoável. Mas há mais camadas a serem consideradas, bem como uma reviravolta no acordo.


Microsoft não é a resposta


Por um lado, a Microsoft é a provável compradora do TikTok. Mas, considerando o profundo relacionamento de décadas da Microsoft com Pequim, isso pode não resolver o problema. Os fundadores da ByteDance, os proprietários do TikTok, com sede na China, são eles mesmos ex-alunos da Microsoft.


Permitir que a Microsoft adquira o TikTok pode não resolver o problema de proteção de dados do usuário em ser roubado pela China. De fato, a elevada posição da Microsoft na China se deve, pelo menos em parte, à sua disposição de se curvar às exigências da censura chinesa. Como muitas outras empresas americanas que  cedem às demandas do PCC, a Microsoft é um parceiro disposto aos mais corruptos violadores de direitos humanos do planeta.


Por outro lado, certamente aumentaria o poder da Microsoft no espaço das mídias digitais e sociais, dando uma tremenda influência sobre o conteúdo permitido no TikTok e em seus milhões de usuários nos EUA. A última coisa que precisamos é de outro gigante da tecnologia que acumule mais poder e influência sobre o povo norteamericano.


Do ponto de vista das relações EUA-China, a China está acusando os Estados Unidos de tentar impedir que as empresas chinesas se expandam no mundo e barrar a ascensão da China como potência global. Essa é certamente uma avaliação razoável por parte de Pequim; e até certo ponto parece verídico.


No entanto, dada a natureza do PCC e sua história de abuso de empresas ocidentais e violação das leis de propriedade intelectual, é sem dúvida também uma política sábia por parte dos Estados Unidos.


Mas a reviravolta no acordo TikTok é algo muito novo.


Um quinhão da negociação?


Trump disse recentemente que o Tesouro dos EUA deve receber um percentual do montante sobre a venda do TikTok. Quanto dinheiro os Estados Unidos devem receber da empresa estimada em US $ 50 bilhões ainda é desconhecido, dado que essa condição de venda é inédita nos EUA.


O raciocínio de Trump é que o acesso ao mercado dos EUA foi o que permitiu ao TikTok se tornar tão valioso, e que quaisquer lucros extraordinários sejam compartilhados com o governo dos EUA. Por esse raciocínio, qualquer empresa nos Estados Unidos que seja comprada ou vendida poderá dever uma parcela do preço de venda ao Tesouro dos EUA.


Da perspectiva de um vendedor, os impostos sobre ganhos de capital fazem exatamente isso. Mas os compradores? O que eles devem pagar? O governo federal não está na posição — ou não deveria estar — de conseguir um percentual nos negócios. É isso que os países fascistas e comunistas fazem.



Mas há outro aspecto na venda forçada.

A ByteDance pertence parcialmente a investidores americanos. A compra da Microsoft seria essencialmente o resultado do governo federal forçando um grupo de proprietários americanos a vender para outra empresa americana.


É imprudência adicionar poder à Microsoft


É difícil justificar em vários contextos. Por exemplo, o Congresso está considerando seriamente fragmentar o quase monopólio das gigantes da tecnologia, como Twitter, Facebook e outros, porque eles já têm muito poder com pouca ou nenhuma concorrência no mercado.


Queremos estender a já expressiva participação da Microsoft, especialmente devido à sua lealdade a Pequim?


Além disso, ela já é a principal player do sistema operacional no mundo. De qualquer forma, o governo federal deveria procurar maneiras de limitar o poder e a influência da empresa no mercado.


Por outro lado, onde a autoridade federal pode ditar qual empresa dos EUA pode de comprar?  Obviamente, as leis antitruste fornecem a autoridade necessária para proteger o mercado e os consumidores dos EUA.


Mas, como a Huawei demonstrou, a segurança nacional também é um grande fator. No caso do TikTok, ambos os fatores estão em jogo. A demanda de Trump por "um percentual da negociação" é, por mais que você olhe, perigosamente equivocada e contrária a quem somos como país.


James R. Gorrie é o autor de "The China Crisis" (Wiley, 2013) e escreve em seu blog TheBananaRepublican.com. Ele está baseado no sul da Califórnia.

As opiniões expressas neste artigo são de opinião do autor e não refletem necessariamente as opiniões do Epoch Times.

https://www.theepochtimes.com/the-tiktok-wars_3450460.html

© Todos os Direitos Reservados - heitordepaola.online

  • Facebook
  • Twitter
  • YouTube