A Face Mutável da Guerra: Rumo à Quarta geração

Marine Corps Gazette, October 1989 / Tradução Frederico De Paola

2011




William S. Lind, Colonel Keith Nightengale (USA), Captain John F. Schmitt (USMC), Colonel Joseph W. Sutton (USA), and Lieutenant Colonel Gary I. Wilson (USMCR)

Marine Corps Gazette, October 1989, Pages 22-26


A principal tarefa dos soldados em tempos de paz é preparar-se efetivamente para a próxima guerra. E para tal ele precisa prever como será a próxima guerra. Essa é uma tarefa difícil que vem se tornando cada vez mais difícil. O General alemão, Franz Uhle-Wettler diz: “No passado, um comandante podia ter certeza que a próxima guerra iria reunir as características das guerras do passado e do presente. Com isso, era possível analisar táticas apropriadas ao passado e adapta-las ao presente. O comandante de hoje não conta mais com essa possibilidade. Ele sabe apenas que aquele que não se adaptar corretamente às experiências da última guerra, certamente perderá a próxima.” A Questão Central Se olharmos para o desenvolvimento da guerra na era moderna, vemos três gerações distintas. Nos Estados Unidos, o Exército e o Corpo de fuzileiros navais estão concentrados na mudança para a terceira geração. Essa transição é inteiramente para melhor. Entretanto, a guerra da terceira geração foi conceitualmente desenvolvida pela ofensiva alemã na primavera de 1918. Tendo hoje mais de 70 anos de idade. Isso sugere algumas perguntas interessantes: Não seria hora do aparecimento da quarta geração? Se sim, como ela seria? Essas questões são de extrema importância. Quem quer que seja o primeiro a reconhecer, entender e implementar uma mudança de gerações pode obter uma vantagem decisiva. Ao contrário, uma nação que seja lenta ao adaptar-se a uma mudança de geração estará sujeita a uma derrota catastrófica. As Três Gerações da Guerra Nosso propósito aqui é menos responder essas questões do que propô-las. Mesmo assim, ofereceremos algumas tentativas de respostas. Para começarmos a ver que respostas podem ser estas, precisamos colocar as perguntas num contexto histórico. Enquanto o desenvolvimento militar é geralmente um processo evolutivo contínuo, a era moderna testemunhou três divisores de água nos quais as mudanças foram dialeticamente qualitativas. Conseqüentemente, o desenvolvimento militar moderno abrange três gerações distintas. A guerra da primeira geração reflete táticas da era do mosquete de carregar pela boca e de cano não raiado (smoothbore musket), as táticas de linha e coluna. Essas táticas foram desenvolvidas, em parte, como uma resposta a fatores tecnológicos – a maximização do poder de fogo, uma fileira rígida necessária para gerar um alto índice de poder de fogo, etc. – e em parte como resposta a idéias e condições sociais, e.g., as colunas dos exércitos revolucionários franceses refletem tanto o élan da revolução quanto os baixos níveis de treinamento das tropas alistadas. Mesmo que tenham se tornado obsoletas em razão da troca pelo mosquete cano raiado, vestígios das táticas da primeira geração ainda são notadas hoje, especialmente no desejo por campos de batalha lineares. A arte operacional não existia como um conceito na primeira geração mesmo assim ela foi posta em prática por alguns comandantes, sendo Napoleão o mais proeminente. A guerra da segunda geração foi uma resposta aos mosquetes de cano raiado e recarga rápida por carregador traseiro ou central (breechloaders), ao uso do arame farpado e da metralhadora, e o fogo indireto. As táticas eram traçadas baseadas em fogo e movimento, e permaneceram essencialmente lineares. A defesa ainda tentava bloquear todas as penetrações, e no ataque uma linha lateral e dispersa avançava em grupos pequenos por entre os arbustos. Talvez a principal mudança em relação às táticas da primeira geração foi a exagerada dependência do fogo indireto as táticas da segunda geração foram resumidas na máxima francesa: “a artilharia conquista, a infantaria ocupa”. O poder de fogo em massa substituiu a quantidade de soldados. As táticas da segunda geração permaneceram as bases da doutrina americana até a década de1980, e ainda são praticadas pela maioria das unidades americanas no campo de batalha. Enquanto as idéias tiveram um papel importante no desenvolvimento das táticas da segunda geração (particularmente a idéia de dispersão lateral), a tecnologia foi o principal motivador de mudanças. A tecnologia se manifestou tanto qualitativamente, em áreas como artilharia mais pesada e bombardeio aéreo, quanto quantitativamente, na habilidade de uma economia industrializada para reposição de material (Materialschlacht). A segunda geração testemunhou o reconhecimento formal e a adoção da arte operacional, inicialmente pelo exército prussiano. Novamente, idéias e tecnologia motivaram a mudança. As idéias vieram em grande parte dos estudos prussianos das campanhas de Napoleão. Os fatores tecnológicos incluíram a idéia de von Moltke de que as táticas de poder de fogo modernas levaram a batalhas de envolvimento e ao desejo de explorar as capacidades da estrada de ferro e do telégrafo. A guerra da terceira de geração também foi uma resposta ao aumento em potência de fogo no campo de batalha. Porém, a força motriz eram principalmente idéias. Conscientes de que não poderiam sair vitoriosos numa competição de materiais por ter sua base industrial mais fraca na Primeira Guerra Mundial, os alemães desenvolveram táticas radicalmente novas. Baseadas em manobras ao invés de conflito, as táticas da terceira geração foram as primeiras verdadeiramente não lineares. O ataque confiava em infiltração para se esquivar e acabar com a força de combate do inimigo ao invés de procurar o contato direto para sua destruição. A defesa era em profundidade e muitas vezes de fácil penetração o que deixava o inimigo exposto a um contra-ataque. Enquanto os conceitos básicos da terceira geração já estavam sendo aplicados no final de 1918, a adição de elementos da nova tecnologia – como tanques – trouxe uma grande mudança de nível operacional na II Guerra Mundial. Essa mudança foi a blitzkrieg (ataque aéreo relâmpago pelas forças alemãs). Na blitzkrieg as bases da arte operacional mudaram de lugar (como na aproximação indireta descrita por Liddell-Hart) para tempo. Essa mudança foi explicitamente reconhecida apenas recentemente no trabalho do coronel da reserva das Forças Aéreas Americanas John Boyd, e sua teoria “OODA (observação – orientação – decisão – ação). Dessa forma vemos os dois grandes catalisadores nas primeiras mudanças de geração: tecnologia e idéias. Que perspectivas podemos tirar dessas mudanças quando olhamos para uma potencial guerra da quarta geração? Elementos de influência As mudanças de geração do passado, especialmente da segunda para a terceira geração, foram marcadas por crescente ênfase em muitas idéias centrais. Algumas delas parecem influenciar a quarta geração, e sem dúvida expandir sua influência. A primeira são as missões ordenadas. Cada troca de gerações tem sido marcada por uma dispersão maior do campo de batalha. O campo de batalha da quarta geração inclui toda a sociedade inimiga. Tamanha dispersão somada com o que parece ser um aumento na importância de ações perpetradas por grupos bem pequenos de combatentes, requer o menor nível de flexibilidade já visto no que diz respeito às intenções dos comandantes. A segunda é uma decrescente dependência na logística centralizada. A dispersão, somada a um aumento no valor do tempo, requer um alto grau de habilidade, ficando inviável viver à custa da terra e do inimigo. A terceira é uma maior ênfase em manobra. Grande número de tropas ou poder de fogo não é mais um fator de vantagem esmagadora. De fato, um grande número de soldados pode ser uma desvantagem devido à facilidade de exposição como alvo. Forças ágeis, pequenas e de fácil manobra tendem a dominar. A quarta tem como objetivo arrasar o inimigo internamente ao invés de destruí-lo fisicamente. Os alvos incluem o apoio da população à guerra assim como oposição à cultura inimiga. Uma correta identificação do centro gravitacional da estratégia inimiga passa a ter uma importância enorme. Em termos gerais, a Guerra da quarta geração parece ser altamente dispersa e bastante indefinida a distinção entre guerra e paz será ofuscada até o ponto de seu desaparecimento. Será uma guerra não linear, possivelmente sem um campo de batalha ou front bem definido. A diferença entre “civis” e “militares” deve desaparecer. As ações ocorrerão simultaneamente através de todos os participantes, incluindo a sociedade como uma entidade cultural e não somente física. Grandes instalações militares, como pistas de pouso, comunicações fixas e grandes quartéis generais tornar-se-ão raridades devido à vulnerabilidade o mesmo pode ser dito dos equivalentes civis, como postos de governo, instalações de energia e fábricas (incluindo serviços e manufaturas). O sucesso dependerá maciçamente da eficiência de ações em conjunto, uma vez que a linha que separa responsabilidade e missão se torna bem pouco nítida. Mais uma vez, todos esses elementos estão presentes na guerra da terceira geração a quarta geração vai meramente acentuá-los. Potencial motivacional tecnológico da guerra da quarta geração Se nós combinarmos as características gerais da guerra da quarta de geração com a nova tecnologia, teremos um possível esboço da nova geração. Por exemplo, a energia dirigida permite que elementos pequenos destruam alvos que eles não poderiam atacar com armas de energia convencionais. Energia dirigida permite a realização de efeitos EMP (pulso eletromagnético) sem uma explosão nuclear. Pesquisas sobre supercondutividade indicam a capacidade de armazenamento e uso de grandes quantidades de energia em depósitos muito pequenos. Tecnologicamente, é possível que poucos soldados possam ter o mesmo efeito num campo de batalha do que uma brigada como as atuais. O crescimento da robótica, veículos pilotados por controle remoto, baixa probabilidade de interceptação nas comunicações e inteligência artificial oferecem um potencial para táticas radicalmente alteradas. Em troca, a crescente dependência desta tecnologia pode abrir caminho para novas vulnerabilidades, como a vulnerabilidade aos vírus de computador. Tropas pequenas e facilmente móveis compostas por soldados inteligentes munidos de armas de alta tecnologia podem vasculhar grandes áreas procurando alvos críticos. Os alvos podem se encontrar mais em setores civis do que militares. Termos como dianteira e retaguarda serão substituídas por alvos e não-alvos. Por sua vez, isso deve mudar radicalmente a maneira como os serviços militares são organizados e estruturados. As unidades irão combinar as funções de reconhecimento e ataque. Mecanismos “inteligentes”, conduzidos por controle remoto passam a ter papel decisivo. Simultaneamente, as maiores forças de defesa, passam a ser a habilidade de se esconder e enganar tais mecanismos. Os níveis tático e estratégico se mesclarão uma vez que a estrutura política e a sociedade civil do oponente se tornarão alvos. Passará a ser de extrema importância isolar o inimigo da própria pátria porque um pequeno número de pessoas será necessário para produzir um enorme estrago em muito pouco tempo. Os líderes deverão ser mestres tanto na arte da Guerra quanto em tecnologia, uma combinação difícil uma vez que envolve dois modos de pensar diferentes. As primeiras dificuldades encaradas por comandantes de todos os níveis incluirão a escolha do alvo (que passará a ser uma decisão política e cultural, não somente militar), a habilidade de concentração repentina, e a seleção de subordinados que possam administrar o desafio de agir sob mínima ou nenhuma supervisão num meio de constante mudança. O maior desafio será lidar com a tremenda sobrecarga de informações sem perder o foco dos objetivos estratégicos e operacionais. Ações psicológicas se tornarão as principais armas operacionais e estratégicas e se mostrarão no modo como a mídia intervém na guerra. Bombas inteligentes e vírus de computador, incluindo vírus latentes, podem ser usados para desestabilizar tanto a população civil como operações militares. Os adversários na quarta geração se concentrarão em manipular a mídia local e mundial até o ponto em que o uso habilidoso de ações psicológicas irá aniquilar o comprometimento das forças de combate. O alvo principal passará a ser o apoio da população inimiga ao seu governo e a guerra. As notícias televisivas tornar-se-ão armas mais poderosas do que divisões armadas. Uma importante advertência deve ser levada em consideração no que diz respeito a possibilidade de utilização das tecnologias da quarta geração, pelo menos no contexto americano. Mesmo que o avanço tecnológico permita uma quarta geração de alta tecnologia e isto ainda não é certo – a própria tecnologia deve ser transformada em armas que sejam efetivas no campo de batalha. No presente, nossas pesquisas, desenvolvimento, e outros processos de busca têm esbarrado numa grande dificuldade para fazer essa transformação. Muitas vezes produzimos armas que incorporam uma alta tecnologia irrelevante para o combate ou muito complexas para serem usadas no caos do campo de batalha. Muitas assim chamadas “armas inteligentes” servem de exemplo em combate, elas permitem um fácil contra ataque, falham devido às suas complexidades, ou demandam operações impossíveis dos soldados. As atuais pesquisas, desenvolvimento, e outros processos de busca podem muito bem não conseguir transformar essa alta tecnologia em armas militares da quarta geração. Uma possível quarta geração motivada pelas idéias A tecnologia foi o principal motivador da Guerra da segunda geração as idéias foram o principal motivador da terceira. Uma quarta geração baseada nas idéias é também provável. Pelo menos pelos últimos 500 anos, o Ocidente definiu o perfil da Guerra. Para que um exército pudesse ser bem sucedido, ele em geral deveria seguir os modelos ocidentais. Uma vez que a força do Ocidente está na tecnologia, isso pode tender para uma quarta geração em termos tecnológicos.

Entretanto, o Ocidente não domina mais o mundo. A quarta geração pode emergir de uma tradição cultural não ocidental, como as tradições islâmica e asiática. O fato de que algumas áreas não ocidentais estejam atrasadas em termos de tecnologia pode levar a uma quarta geração baseada em idéias ao invés de tecnologia.

A gênese da quarta geração baseada em idéias pode ser constatado no terrorismo. Isto não quer dizer que o terrorismo seja a guerra da quarta geração, mas que seus elementos podem ser sinais indicando a direção da quarta geração.

Alguns elementos do terrorismo parecem refletir as antigas “influências” percebidas na terceira geração. Os terroristas mais bem sucedidos parecem atuar em missões mais amplas, mas que passam a impressão de terrorismo individual. O campo de batalha é bastante disperso e inclui a totalidade da sociedade inimiga. O terrorista vive quase que totalmente na pátria do inimigo. O terrorismo é basicamente uma questão de manobra: seu poder de fogo é pequeno, e onde e quando ele vai utilizá-lo é crucial.

Duas influências adicionais devem ser destacadas uma vez que elas podem servir de guias úteis em direção à quarta geração. O primeiro é um componente que visa eliminar o inimigo. É uma mudança de foco da frente para a retaguarda do inimigo. O terrorismo visa acabar com o inimigo de dentro para fora uma vez que ele conta com pouca possibilidade (pelo menos no presente) de infligir uma grande destruição. A Guerra da primeira geração focava taticamente e operacionalmente (quando praticada) no front do inimigo, suas forças de combate. A Guerra da segunda geração manteve seu foco tático no front, mas pelo menos na prática prussiana, seu foco operacional foi para a retaguarda, procurando cercar o inimigo, com ênfase na estratégia de envolvimento. A terceira geração mudou o foco tático bem como o operacional para a retaguarda do inimigo. O terrorismo nos leva a um novo estágio. Ele tenta ultrapassar inteiramente o exército adversário visando diretamente sua pátria e alvos civis. Como um ideal, o exército inimigo passa a ser irrelevante.

O Segundo guia em direção a quarta geração é o modo como o inimigo procura usar a força inimiga contra si mesma. Esse conceito de guerra como uma luta de judô começa a se manifestar na segunda geração, na campanha e nas batalhas de envolvimento. A fortaleza inimiga, com Metz e Sedan, se tornaram armadilhas fatais. Esse conceito foi ampliado na terceira geração, onde, na defensiva, um dos lados tenta deixar que o outro penetre para que, no momento de sua penetração este fique mais suscetível a um contra ataque.

Os terroristas usam a liberdade e a abertura de uma sociedade livre como suas maiores forças, contra elas. Eles podem se mover livremente em nossa sociedade e ao mesmo tempo trabalhar para subvertê-la. Eles usam nosso direito democrático não somente para penetrar, mas também para se proteger. Se nós os tratarmos de acordo com nossas leis, eles ganham muitos adeptos se simplesmente atirarmos para matá-los, a mídia pode facilmente fazer com que eles pareçam vítimas. Os terroristas podem efetivamente travar sua forma de guerra enquanto se encontram protegidos pela sociedade que procuram destruir. Se formos forçados a nos desligarmos de nosso sistema de proteção legal para lidar com os terroristas, eles estarão conquistando um outro tipo de vitória.

O terrorismo também parece representar uma solução para um problema que foi gerado pelas mudanças de geração no passado, mas não realmente resolvido por nenhuma delas. É a contradição entre o campo de batalha moderno e a cultura tradicional militar. Aquela cultura, soldados perfilados, saudações uniformes, treinamento, etc., é claramente produto da Guerra da primeira geração. É uma cultura da ordem. E naquele tempo era consistente com o campo de batalha, onde a ordem dominava. O exército ideal era uma perfeita e azeitada máquina, e era isso que a cultura militar da ordem procurava produzir.

Entretanto, cada nova geração traz consigo uma mudança cada vez mais significativa em direção a um campo de batalha em constante mudança. A cultura militar, que permaneceu a cultura da ordem, se tornou contraditória com o campo de batalha. Mesmo na Guerra da terceira geração, essa contradição já não era insolúvel a Wehrmacht uniu perfeitamente a tradição cultural pela ordem enquanto em combate demonstrou a adaptação e fluidez que demandam um campo de batalha em constante mudança. Mas outros exércitos militares, como o britânico, têm tido menos sucesso ao lidar com essa contradição. Eles vêm tentando frequentemente levar a cultura da ordem para campo de batalha com resultados desastrosos. Em Biddulphsberg, na Guerra dos Boer, por exemplo, um punhado de Boers acabou com dois batalhões de guardas britânicos que lutavam com se estivessem em uma parada. A contradição entre a cultura militar e a natureza da guerra moderna confronta a tradição do Serviço militar com um dilema. Os terroristas resolvem esse dilema simplesmente eliminando a cultura da ordem. Terroristas não usam uniformes, fileiras, saudações ou, pelo menos a maioria, hierarquia. Potencialmente eles desenvolveram ou podem desenvolver uma cultura militar que é condizente com a natureza desordenada da guerra moderna. O fato de sua larga cultura ser não-Ocidental pode facilitar esse desenvolvimento. Até mesmo em equipamentos, o terrorismo aponta para uma significativa mudança nas gerações. Como sempre, a geração anterior requer recursos muito maiores do que sua sucessora para atingir o mesmo objetivo. Hoje os Estados Unidos gastam $500 milhões para construir cada bombardeiro com tecnologia stealth (N. do T. – com pequena assinatura de radar). Um bombardeiro stealth terrorista é um carro com uma bomba no porta-malas – um carro como qualquer outro. Terrorismo, Tecnologia e Além Reiterando, nós não estamos sugerindo que o terrorismo seja a próxima geração. Isso não é um fenômeno novo, e até agora tem se provado ineficiente. Entretanto, o que teremos se combinarmos o terrorismo com a nova tecnologia de que viemos falando? Por exemplo, que efeito teria o terrorista se em seu carro bomba ele levasse um produto da engenharia genética ao invés de explosivos? Para esticarmos o potencial da quarta geração um pouco mais, e se combinarmos terrorismo, alta tecnologia e esses próximos elementos adicionais? Uma base de operações não-nacional ou transnacional, como ideologia ou religião.


A capacidade de nossa segurança nacional opera dentro de fronteiras. Fora delas, temos grandes dificuldades. A guerra ao tráfico é um bom exemplo. Pelo fato de o tráfico de drogas não ter uma base nacional, é muito difícil empreender um ataque contra eles. Uma Nação pode ofuscar os barões da droga, mas não consegue controla-los. Não podemos atacá-los sem violar a soberania de uma Nação amiga. Um agressor da quarta geração pode muito bem operar de maneira similar, como alguns terroristas do Oriente Médio já o fazem.

Um ataque direto à cultura inimiga.


Um ataque como este funciona tanto de dentro para fora quanto vice-versa. Ele ultrapassa não somente o exército militar inimigo, mas também seu Estado. Os Estados Unidos já estão sofrendo pesadamente tal ataque cultural na forma do tráfico de drogas. As drogas atacam diretamente nossa cultura. E eles contam com o apoio de uma poderosa “quinta coluna”, os compradores de drogas. Os traficantes atravessam todo o aparelho do estado, apesar de todo nosso esforço. Alguns elementos ideológicos da América do Sul vêem as drogas como armas eles a chamam de algo como “o míssil balístico intercontinental do homem pobre.” Eles premiam o tráfico de drogas não somente pelo dinheiro com o qual nós financiamos a guerra contra nós mesmos – mas também pelo estrago que as drogas fazem faz aos odiados Norte Americanos.

A sofisticada Guerra psicológica, especialmente através da manipulação da mídia, em particular as notícias de televisão. Alguns terroristas já sabem jogar esse jogo. De certo modo, as forças hostis podem facilmente tirar vantagem das notícias televisivas – o fato de que na televisão, as baixas inimigas nos abalam quase tanto quanto as baixas de nossa gente. Se bombardearmos uma cidade inimiga, as imagens de civis inimigos mortos levados a cada sala de estar de nosso país durante as notícias do jornal podem transformar o que poderia ter sido uma vitória militar (desde que nós também tenhamos atingido o alvo militar) numa séria derrota. Todos esses elementos já existem. Não são produtos de “futurologia”, ou bola de cristal. Estamos simplesmente perguntando o que iríamos enfrentar se todos eles estivessem combinados? Será que essa combinação constituiria os primórdios da guerra da quarta geração? Um pensamento que sugere que sim é que militares da terceira geração (para não falar da segunda) parecem ter pouca capacidade contra uma mistura desse porte. E isso é típico das mudanças de geração.

O propósito desse artigo é propor uma questão e não respondê-la. As respostas parciais sugeridas aqui podem de fato tornarem-se falsas. Mas diante do fato de que a guerra da terceira geração tem agora mais de 70 anos de idade, nós deveríamos estar nos perguntando: como será a quarta geração? Tradução: Frederico De Paola Artigo original: The Changing Face of War: Into the Fourth Generation

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