A Europa se volta contra a China

AXIOS - Bethany Allen-Ebrahimian - TRADUÇÃO CÉSAR TONHEIRO - 20 SET, 2022

Ilustração: Lindsey Bailey/Axios

Antes céticos em relação à postura cada vez mais hostil dos Estados Unidos em relação à China, a UE e seus Estados membros estão adotando uma série de novas medidas que se aproximam das políticas dos Estados Unidos.


Por que é importante: a pressão de Pequim para que a Europa adote "autonomia estratégica" dos Estados Unidos — na esperança de que a UE mantenha laços mais calorosos com a China — agora parece um ponto discutível.


O que está acontecendo: na semana passada, a Comissão Europeia divulgou uma proposta de proibição de produtos feitos com trabalho forçado, após intensa pressão de legisladores e ativistas de direitos humanos preocupados com o trabalho forçado em Xinjiang.


A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também criticou o financiamento chinês de instituições de pesquisa europeias e anunciou um novo pacote de "Defesa da Democracia" destinado a escrutinar o financiamento estrangeiro de instituições acadêmicas europeias, a fim de "trazer à luz a influência estrangeira secreta e o financiamento obscuro".


Os EUA implementaram uma proibição de importação de todos os produtos fabricados em Xinjiang no início deste ano, e o governo Trump colocou um maior escrutínio sobre o financiamento estrangeiro nas universidades americanas.


Zoom in: A Alemanha é uma referência importante. Berlim já foi um forte defensor de laços comerciais estreitos com a China e, portanto, tendia a evitar tensões com Pequim. Mas Berlim agora parece ter dado um passo importante em questões que vão do comércio aos direitos humanos e ao engajamento militar direto no Indo-Pacífico.


Na semana passada, o ministro da Economia da Alemanha, Robert Habeck, prometeu "não mais ingenuidade" no comércio da Alemanha com a China. Habeck anunciou que sua equipe estava trabalhando em uma nova política econômica para reduzir a dependência da China nos principais setores e examinar de perto os investimentos de entrada da China, dizendo: "Não podemos permitir que nos chantageiem".


O Ministério das Relações Exteriores da Alemanha também anunciou que estava nomeando um representante especial para as nações do Pacífico, onde a crescente influência da China alarmou a Austrália e os Estados Unidos.


No final de agosto, a Alemanha se juntou ao Exercício Pitch Black como participante pleno pela primeira vez. O conjunto de exercícios militares é realizado a cada dois anos na costa norte da Austrália com forças aéreas de até 17 países, incluindo EUA, Reino Unido, França, Cingapura, Malásia, Indonésia e Tailândia. A recente expansão do exercício levantou dúvidas sobre seu papel potencial como contraponto à China na região.


O tablóide Global Times, filiado ao Partido Comunista Chinês, informou que alguns meios de comunicação alemães alertaram o país contra a adesão a uma "aliança anti-China" no Indo-Pacífico.


Flashback: as nações europeias estavam em grande parte céticas em relação à retórica afiada do governo Trump contra a China.


Em dezembro de 2020, a União Europeia concordou com um acordo de investimento com a China que ignorava as preocupações com o trabalho forçado na economia chinesa e teria fortalecido os laços econômicos entre o bloco e a China. Nesse mesmo ano, por outro lado, o governo Trump realizou mais de 200 ações públicas para reagir contra Pequim e desvincular certos setores das economias dos EUA e da China.


Mas um grande ponto de virada na relação UE-China ocorreu em março de 2021. A UE impôs sanções a algumas autoridades chinesas por abusos em Xinjiang. Pequim retaliou sancionando membros do parlamento da UE e outros, e em maio de 2021, o Parlamento Europeu votou para congelar o acordo de investimento.


A relação Europa-China despencou desde então.


O apoio "sólido” da China à Rússia durante a invasão da Ucrânia azedou a atitude de muitos europeus em relação a Pequim.


A repressão contínua de Pequim a Hong Kong também surpreendeu muitos na Europa.


Um relatório das Nações Unidas publicado no final de agosto alertando sobre "graves violações dos direitos humanos" e possíveis "crimes contra a humanidade" em Xinjiang provocou duras críticas dos líderes europeus.


Sim, todavia: os laços comerciais entre a Europa e a China ainda são fortes, e a UE enfatizou que a cooperação sobre as mudanças climáticas com a China é crucial.


O que observar: Taipei está pedindo à UE que adote sanções que impeçam a China de invadir Taiwan, relata a Reuters.


Enquanto isso, a China está forjando relações econômicas e de segurança na periferia da Europa. Xi e o presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko, acabaram de anunciar uma parceria aprimorada, e o húngaro Viktor Orbán aprofundou os laços com a China.


ORIGINAL >

https://www.axios.com/2022/09/20/europe-turns-on-china


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