A economia da China está nas cordas

- THE EPOCH TIMES - Antonio Graceffo - TRADUÇÃO CÉSAR TONHEIRO - 24 AGO, 2022 -

Pessoas andam de bicicleta em uma rua com pouco tráfego no Distrito Central de Negócios em Pequim, China, em 14 de maio de 2022 (Ryan Woo/Reuters)

Standard Chartered, Goldman Sachs e Nomura cortaram suas perspectivas de crescimento do PIB da China, já que a economia chinesa continua sofrendo sob a política de “COVID-zero”, um mercado imobiliário em queda, uma crise da dívida e um setor de tecnologia em declínio.


Uma seca no sudoeste da China reduziu a produção hidrelétrica, forçando fábricas em Sichuan e Chongqing a fechar. Sichuan também é um centro de mineração de lítio, que está sendo impedido por cortes de energia. Consequentemente, espera-se que as cadeias de suprimentos sejam ainda mais interrompidas, elevando o preço das baterias de carros elétricos.


O crescimento da produção fabril e das vendas no varejo já foram fracos em julho. Centenas de milhares de hectares de plantações murcharam, fragilizando a segurança alimentar do país e os problemas de inflação.


Enquanto isso, o noroeste da China e a Mongólia Interior enfrentam fortes chuvas e alertas de inundações. As questões mais recentes ocorrem apenas algumas semanas depois que Xangai reabriu após um bloqueio de dois meses, que impactou negativamente o PIB. No primeiro semestre de 2022, a economia cresceu apenas 2,5%. Este número está bem abaixo da previsão reduzida de Pequim de 5,5% de crescimento do PIB.


As vendas no varejo, a produção industrial e o investimento ficaram abaixo de suas previsões. O desemprego geral é de 5,5%, mas o desemprego juvenil agora excede 19%. Os rendimentos dos títulos estão em alta e o yuan está em queda, à medida que consumidores e investidores dentro e fora da China perdem a confiança. Apesar dos danos óbvios à economia, Pequim continua com sua política de “COVID-zero”. As consequências mais recentes foram o bloqueio da ilha turística de Hainan.


Os bloqueios podem ocorrer inesperadamente, como aconteceu na semana de 18 de agosto, quando os compradores ficaram presos na IKEA em Xangai por causa de uma criança assintomática de 6 anos que visitou recentemente a loja. A loja estava fechada quando isso foi descoberto, com os clientes trancados dentro. Todos foram forçados a suportar uma quarentena de dois dias em uma instalação do governo. Será impossível para as empresas continuarem a ganhar ou a serem os motores da economia se estiverem sujeitas a paralisações aleatórias e repetidas.


A Tencent, uma das principais empresas do país, fechou algumas unidades de negócios e cortou 5% de sua força de trabalho. A empresa registrou uma queda de 3% na receita no segundo trimestre de 2022 em relação ao ano passado. As vendas de anúncios, um grande componente da receita da empresa, caíram 18%. A repressão de Pequim aos jogos também tornou mais difícil para as empresas de tecnologia se manterem à tona. A maioria está descobrindo que precisa reduzir o tamanho para sobreviver.

Pessoas passam pela sede da Tencent em Shenzhen, província de Guangdong, no sul da China, em 26 de maio de 2021. (Noel Celis/AFP via Getty Images)

Em um momento em que o resto do mundo enfrenta alta inflação, o banco central chinês cortou as taxas de juros para impulsionar o crescimento. As taxas de juros mais baixas devem incentivar a compra e o gasto, mas os cidadãos chineses estão cautelosos após dois anos e meio de bloqueios esporádicos. Consequentemente, espera-se que o corte da taxa tenha pouco ou nenhum impacto econômico.


O famoso economista John Maynard Keynes disse uma vez que a flexibilização monetária em um momento em que ninguém quer emprestar ou gastar é tão eficaz quanto empurrar uma corda. E a prova do sentimento de Keynes é que, apesar das baixas taxas de juros, o mercado imobiliário continua esfriando. As vendas de imóveis em julho caíram 28% em relação ao ano anterior, e os preços caíram de forma constante por 11 meses consecutivos. A desaceleração da habitação está sendo sentida em todo o setor industrial, com a produção mensal de aço no menor nível desde 2018.


Enquanto a maioria dos outros indicadores estão em baixa, a poupança das famílias aumentou 13%. Isso reafirma que os cidadãos chineses estão se recusando a desembolsar seu dinheiro. É possível que um pacote de estímulo massivo ao estilo dos EUA, que coloca dinheiro diretamente nas mãos do povo, os encoraje a gastar. Mas Pequim descartou repetidamente tal medida.


O primeiro-ministro Li Keqiang instou os governos locais a adotarem políticas pró-crescimento, como gastos em infraestrutura. Para esse fim, o governo central está agora permitindo que os governos locais emitam US$ 220 bilhões em títulos. Li reiterou a importância de estimular o consumo interno e o investimento estrangeiro. O aumento da emissão de títulos aumentará a crescente dívida pública da China. Enquanto isso, as taxas de juros mais baixas tornarão difícil para a China competir com os Estados Unidos no mercado de investimento estrangeiro.

Como resultado dos números de julho e das políticas em andamento da COVID, o Goldman Sachs cortou sua previsão de crescimento do PIB da China de 3,3% para 3%, enquanto o Nomura reduziu sua previsão para 2,8%.


Antonio Graceffo, Ph.D., passou mais de 20 anos na Ásia. Ele é graduado pela Universidade de Esportes de Xangai e possui MBA China pela Universidade Jiaotong de Xangai. Graceffo trabalha como professor de economia e analista econômico da China, escrevendo para vários meios de comunicação internacionais. Alguns de seus livros sobre a China incluem "Beyond the Belt and Road: China's Global Economic Expansion" e "A Short Course on the Chinese Economy".


PUBLICAÇÃO ORIGINAL >

https://www.theepochtimes.com/chinas-economy-is-on-the-ropes_4685601.html


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